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quarta-feira, 30 de março de 2016

Mundo Cão


Impregna tensão ao longo de toda a película


No afã de não enquadrar seu mais recente trabalho nos moldes convencionais do atual cinema nacional, que aprendeu a franquear comédias de gosto duvidoso, o paranaense Marcos Jorge se empenha na direção de um filme que parte do pressuposto de que o cinema nacional pode ser bem mais do que meros indutores de risadas ilegítimas e um programa para manifestações de uma alegria incompleta. Seguindo esse viés, “Mundo Cão” conta uma história protagonizada por Babu Santana, no papel de um funcionário do Departamento de Controle às Zoonoses, encarregado de recolher animais abandonados nas ruas, casado com uma evangélica que ganha a vida como costureira, sofridamente defendida por Adriana Esteves e pai de um casal de filhos – um menino interpretado por  Vini Carvalho e uma adolescente, por Thainá Duarte. Vidas se entrelaçam quando um ex-policial que se tornou um empresário, vigorosamente interpretado por Lázaro Ramos, descobre que o seu cão, da raça Rottweiler, havia sido sacrificado no Departamento de Controle às Zoonoses.

O roteiro, assinado pelo próprio diretor com a parceria de Lusa Silvestre, impregna tensão ao longo de toda a película, injeta dinamismo nos cortes, mas deixa a desejar quando se trata dos personagens demasiadamente carregados na tinta, tais como o psicopata, a religiosa, o bonachão, o infantil e a lolita, ainda mais prejudicados com a dissonante e inadequada trilha sonora de Pablo Lopez.

A violência descrita em “Mundo Cão” não faz com que saiamos do cinema com as imagens de violência ou se como acometidos pela violência projetada na telona – fato muito comum em outras produções que conduzem os fãs do gênero à mais completa catarse. Talvez por isso, “Mundo Cão” consegue realizar o intento de não se comparar aos caça-níqueis que se perpetuam com continuações franqueadas desprezíveis e que não sustentam a própria existência.


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