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sexta-feira, 25 de março de 2016

O Jovem Messias


Obra manipulada de forma a não provocar contestações

Após a publicação de suas crônicas vampirescas – “O Vampiro Lestat” (1985), “Entrevista com o Vampiro” (1994), “A Rainha dos Condenados” (2002) – dentre tantos outros grandes sucessos literários e a morte do marido em 2005, a escritora Anne Rice se despede dos temas obscuros e parte com tudo para uma releitura da imagem do menino Jesus – a partir de quando, juntamente com seus Pais, Maria e José, abandona a cidade de Alexandria, no Egito rumo a Nazaré, na Galileia – através de mais uma obra literária intitulada “Cristo Senhor: A Saída do Egito”.  Publicado em 2008, este livro serve como base para a produção do longa “O Jovem Messias”, com lançamento programado como entretenimento temático da Semana Santa de 2016.

A direção de Cyrus Nowrasteh é contundente perante a ficção concebida por Rice, que narra a vida da criança de sete anos que ainda não sabe para que veio ao mundo e não entende o motivo pelo qual seus pais ocultam a verdade dos fatos para impedir que Herodes - Rei da Judeia - o encontre e ponha a termo o infanticídio que deflagrou em Belém, quando do nascimento do Menino Deus.

A escolha de Adam Greaves-Neal para o papel do Menino Jesus soa como intencional devido à sua aparente androginia, a partir de um pressuposto de que tal biótipo faria o personagem ser melhor assimilado por parte do público, tendo em vista a sua missão de semear o amor entre os homens, segundo as Sagradas Escrituras. O demônio personificado por Rory Keenan assume um perfil quase caricata de um emotivo cantor de banda gótica de tal forma que, não fosse o comportamento neutralizado de Satã diante das fortes crises sofridas por Jesus, beirando à esquizofrenia, seria o estopim para comprometer, ainda mais, a lentidão presente no desenrolar da história.

Nowrasteh, ao tomar o livro de Rice como base para o seu filme, cria uma expectativa que não consegue concretizar, transformando “O Jovem Messias” em uma obra manipulada de forma a não provocar contestações, através do abuso da demanda por credibilidade no poder milagroso do Messias presente nas cenas – como se o público para o qual o filme é voltado, não careça de maiores explicações lógicas sobre os fatos, mas, apenas, lançar mão de sua fé. 

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