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sexta-feira, 4 de março de 2016

O Último Lutador


Um belo exercício por um recomeço – dessa vez, junto ao teatro 

A comemoração dos sessenta anos de carreira leva Stênio Garcia de volta aos palcos, estrelando ”O Último Lutador” – espetáculo idealizado por Marcos Nauer que, além de assinar a autoria do texto em conjunto com Teresa Frota, tem a honra de contracenar com o homenageado capixaba, em um enredo sobre um patriarca de uma família desconstruída, no seio da qual, repleta de rancor entre seus entes, a única fonte de união é um ringue de MMA.

Sérgio Módena assina a direção do espetáculo carregado na tinta pela sua dramaticidade, permitindo que as emoções genuínas dos personagens se esvaiam e que o desempenho dos atores assuma caráter extremamente técnico, embarreirando a naturalidade do desenvolvimento dos personagens. A atual temporada de ”O Último Lutador” conta com um elenco, composto por Stela Freitas, Glaucio Gomes, Antônio Gonzalez, Daniel Villas, Carol Loback e Mari Saade, que compensam, com maestria, uma possível falta de jogo de cintura por parte da direção. O cenário de Aurora dos Campos cumpre o seu papel de transportar a plateia, com toda a atenção que o espetáculo merece, para um grande ringue de luta, à despeito das cenas onde as lutas não se dão dentro dos limites de um ringue, mas na não tão santa paz de um lar – concedendo aos personagens, ferramentas suficientes para abusarem dos sentimentos de ira e de mágoa. O figurino de Antônio Guedes pontua, com seus adereços, a década de 1990 – palco temporal dos acontecimentos. O engenhoso desenho de luz de Tomás Ribas, ao mesmo tempo em que ambienta a boca de cena, busca o fomento à dramaticidade.

Repleto de qualidade técnicas, ”O Último Lutador”, como um espetáculo em homenagem ao aniversário da trajetória artística de Stênio Garcia no meio televisivo e cinematográfico, se faz presente como um belo exercício por um recomeço – dessa vez, junto ao teatro.

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