Counter

sexta-feira, 25 de março de 2016

Ressurreição


Um pouco mais de mesmice

Um oficial do exército romano à serviço de Pôncio Pilatos; sob o seu comando, a crucificação de Jesus; a tão temida veracidade sobre a ressureição do Cristo por parte de Roma; o desaparecimento do Corpo – fragmentos que formam o enredo do filme “Ressurreição”, sob a direção do cineasta texano, Kevin Reynolds.

Mesmo que involuntariamente, o diretor induz o enquadramento do filme em um quase thriller investigativo, porém, somente até certo ponto do desenrolar dos acontecimentos, quando as palavras contidas e as imagens descridas no Livro Sagrado assumem o comando de algo não mais surpreendente e já muito explorado por desgastadas produções do século passado. Nem mesmo o protagonista Clavius, tão bem defendido por Joseph Fiennes, que chega a transitar pelo limiar do convencimento como um oficial cético e idôneo em sua busca do Corpo desaparecido, consegue salvar o filme do lugar comum presente na proclamação dos textos da Sagrada Escritura, como se em uma ação de lançamento oportunista às vésperas da Semana Santa de 2016.

A interpretação de Cliff Curtis tangencia a materialização de uma caricatura de um messias estilo amor e paz, contemplando um semblante como se vitimado por toxina botulínica adereçado por um sorriso semipermanente, fazendo com que o promissor viés inicial, sucumba ao travestismo excessivamente religioso e sem nenhuma novidade para aqueles para os quais o filme parece ser direcionado – os crentes que não buscam respostas, mas somente um pouco mais de mesmice.

Nenhum comentário:

Postar um comentário