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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Mais Forte que Bombas


Realismo pungente e perturbador


A imperfeição inacabada dos personagens do longa “Mais Forte que Bombas”, dirigido com determinação por Joachim Trier, mostra as contingências das vidas de uma família sob as circunstâncias de um luto.

A trama se concentra no personagem de uma mãe, que morre, possivelmente, vítima de um acidente ou por conta de suicídio, sendo ela o porto seguro do marido, dos filhos e de todos os demais personagens. O delírio do filme concentra-se no ponto onde a depressão, a alienação e a necessidade de aceitação pelo próximo se transmutam diante da tela respaldados pela excelente fotografia e pelo desempenho de Isabelle Huppert, como a mãe e célebre fotógrafa de guerra; de Jesse Eisenberg, como o filho mais velho que se torna pai; de Devin Druid, como o irmão caçula; e de Gabriel Byrne, como o pai que, devido ao luto, ao nascimento de seu neto, à dúvida, à certeza, à vida, à aceitação, ao dia seguinte e aos dias após os demais, endossa a capacidade implosiva do roteiro fruto da parceria entre Trier e Eskil Vog.


“Mais Forte que Bombas” esboça a vida contemporânea da instituição denominada família, com todas as suas sutilezas e realismo pungente e perturbador, à despeito da doentia delicadeza da narrativa do filme e sua conexão com as vidas dos personagens que, de fato, não vivem - sequer deixam morrer.

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