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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Martyrs


Sadismo pseudo reflexivo sem noção

A tese que defende o fato da liberdade estar presente na dor é abordada pelo diretor Pascal Laugier, de forma hipnótica, a ponto de não deixar qualquer um indiferente ao excesso de violência e terror calcado na decadência moral do fanatismo da pureza humana extrema. “Martyrs” – filme francês lançado em 2008 – com essência transgressora, reacionária, inteligente e absolutamente reativa, vai muito além da classificação como filme de terror devido à estranha realidade ficcional proposta no roteiro, com cenas escaladas de forma perversa – como uma família reunida para o almoço em uma casa no campo, durante um dia ensolarado; alguém bate à porta; o pai atende e se depara com uma jovem armada com uma espingarda; sem dizer uma palavra, a jovem leva todos da família ao óbito – simplesmente, o segundo ato do filme de Laugier.

O roteiro do remake de 2016 assinado por Mark L. Smith e produzido sob direção de Kevin e Michael Goetz desfigura e arruína a mística do original francês lançando mão da violência de maneira leviana e evidenciando o sadismo pseudo reflexivo sem noção - contrariando Laugier que, por sua vez, desenha as atrocidades cometidas por seus protagonistas como algo instintivo, selvagem e cercada de simbolismo. 


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