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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Minha Mulher se Chama Maurício


Todos os ingredientes de uma pseudo-comédia


Sob o título de “Minha Mulher se Chama Maurício”, o texto do dramaturgo francês Raffy Shart é traduzido de maneira a capturar todos os ingredientes de uma pseudo-comédia que decepciona pelo roteiro pobre e sem a menor credibilidade junto aos seus personagens, apelativamente previsíveis e sem a menor química entre si.

O cenário de Marcos Flaksman – recurso técnico que se destaca em meio à produção – retrata um apartamento da classe média na Zona Sul do Rio de Janeiro, com vista para o Cristo Redentor, onde peças de mobiliário e objetos de decoração definem o perfil de quem o habita – um casal emergente e de gosto duvidoso. O projeto de iluminação cênica de Felipe Franco, embora em busca do vigor ao qual se propõe se perde diante da carência de naturalidade com que a direção lida com os personagens, transformando-os em caricaturas grotescas em busca do riso a qualquer preço. Em função disso, o público recebe um produto repleto de clichês composto por: uma esposa em estilo perua fútil; um marido machista que a trai; uma amante histérica casada com um policial; e um membro de uma associação sem fins lucrativos, que acaba sendo introduzido naquele quadrilátero amoroso e travestido a partir de figurino e adornos, longe de caracterizá-lo como mulher, mas um infeliz arremedo de um crossdresser.

A confusão prolifera sobre as identidades, os estados civis, as infidelidades e cenas absurdas, fazendo com que o desejo por uma aceleração do tempo leve ao final da apresentação de forma menos dolorosa do que a proposta de fazer de Maurício mulher de quem quer que seja.


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