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quinta-feira, 19 de maio de 2016

X-Men: Apocalipse


Círculo vicioso como normalidade lógica da vida

Após “X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido”, cujo espectro temporal é definido por um roteiro, com ponto de partida no ano de 2023 com destino a 1973, o atual “X-Men: Apocalipse”, da mesma forma que o anterior, sob a direção de Bryan Singer, teletransporta os seguidores dos mutantes concebidos por Stan Lee e Jack Kirby, a partir de um prólogo ambientado nos primórdios da civilização, há milhares de anos, diretamente para 1983 – acompanhando a travessia de um portal, pelo mutante original En Sabah Nur, sugerindo as origens de alguns outros mutantes já consagrados. Apesar da presença de momentos “light” – capazes de tanto esboçar sorrisos daqueles que se deixam levar pelo cunho filosófico presente nesse terceiro filme da franquia “First Class”, quanto provocar risadas de cunho crítico depreciativo nos cinéfilos cuja leitura do longa pode ocorrer de forma mais hermética – o roteiro assinado por Simon Kinberg e Dan Harris repete a competência ao transformar a densa dramatização em uma aventura que contempla amor à sabedoria e que se mostra sensível aos problemas fundamentais, a partir da figura de um “deus vilão”, vingativo e cruel, que acredita no recomeço através da destruição.

A obstinação do mutante En Sabah Nur em exterminar os seres, por ele tidos como inferiores, promove cenas extremamente empolgantes e dignas da versão da película em 3D que, em parceria com a trilha sonora de John Ottman, consolida a impactante experiência dos cento e quarenta e três minutos dedicados ao processo de credibilidade que não se concentra nos mutantes, mas na fraqueza dos seres humanos enquanto habitantes dominantes do mundo. A partir dessa visão, é possível identificar uma estreita correlação entre os homens e os sistemas vigentes – hora excessivamente protecionistas, hora dominado por leis e religiosidade extremadas, repletos de preconceitos e ambições, comandando um exército de incrédulos – carentes por um eterno recomeço, a partir de uma estaca zero e crentes em um círculo vicioso como normalidade lógica da vida.

Por meio de um olhar atento, pode ser constatado que o universo do filme “X-Men: Apocalipse” não busca ser reconhecido somente pela qualidade técnico cinematográfica empenhada, mas também pela visão de mundo diante das verdades incontestáveis de cada um dos espectadores os quais, não raramente, assumem comportamentos egocêntricos, de forma voluntária, elevando-se ao patamar de Cavaleiros do Apocalipse disfarçados de Deuses Todos Poderosos.


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