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sábado, 18 de junho de 2016

Como Eu Era Antes de Você


Somente amor, não basta

O xeque-mate na equivocada ideia de que o amor romântico é a estrutura essencial para todo o tipo de relacionamento é muito bem definido na adaptação do livro de autoria da romancista Jojo Moyes que, em parceria com Scott Neustadter e Michael H. Weber, também assina o roteiro do filme “Como Eu Era Antes de Você”.

A direção do longa por Thea Sharrock mostra, de forma soberba, a diferença entre “se importar” e “se bastar”, através do que de melhor consegue extrair da atriz Emilia Clarke – no papel da caricata Louisa Clark; e do ator Sam Claflin – que incorpora o convincente William Traynor – protagonistas de uma história sobre o relacionamento de dois grandes amigos, mais do que, necessariamente, de dois amantes. Apesar de não possuir qualquer tipo de qualificação como cuidadora, uma nova oportunidade de trabalho, contemplando aquela função, estabelece o envolvimento de Louisa com o desportista e ativo Will, acometido por tetraplegia, após ser atropelado por uma moto. Ao longo desse relacionamento, o personagem deficiente, preso à sua cadeira de rodas, desconta toda a sua amargura em quem quer que esteja próximo – em especial, sua cuidadora – ambos, sem perceberem as alterações que um e outro, provocarão, cada um a seu modo, no rumo de suas vidas. A confluência definida por roteiro e direção é zelosa na exposição de todas as nuances da deficiência, sem mascará-la ou torná-la digna de piedade ou plataforma de superação, da mesma forma que desfoca o amor como temática da produção, definindo seu lugar no contexto do relacionamento mais profundo entre os protagonistas, na contramão do lugar comum presente nos romances açucarados e alienantes.

Em “Como Eu Era Antes de Você” – onde somente amor, não basta – é demonstrada a subtração do potencial de se viver a vida ao se deparar com a incapacidade de se compreender aqueles que a tem de forma limitada e, deixa nas entrelinhas o quão frustrante pode ser, ao se estabelecer o amor como fio condutor de um relacionamento, e não combustível que explode a cada centelha.


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