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segunda-feira, 20 de junho de 2016

MPB4 - O Sonho, a Vida e a Roda Viva


A imortalidade de um conceito vocal que se perpetua através da fidelização de seus componentes


MPB4 – um dos mais importantes grupos vocais da música popular brasileira – completa cinquenta anos de carreira e comemora esse marco no Teatro Municipal Serrador, em pleno Centro da Cidade do Rio de Janeiro, durante todas as quintas-feiras do mês de junho de 2016. Presente na terceira apresentação de “O Sonho, a Vida e a Roda Viva” – também nome do mais recente álbum de inéditas do grupo que traz canções compostas por Paulo César Pinheiro, Vitor Ramil, Kledir Ramil, Guinga e Joyce Moreno – o Circuito Geral constata o incontestável: a imortalidade de um conceito vocal que se perpetua através da fidelização de seus componentes às raízes da essência de um quarteto que, através de sua trajetória artística, se confunde com a história da MPB.
Após a morte de um dos fundadores do grupo em 2013 – Antônio José Waghabi Filho (Magro), é levantada a possibilidade do término da carreira do grupo. Contudo, devido ao apoio e estímulo por parte dos amigos, o quarteto é mantido com a inclusão de Paulo Malaguti Pauleira, proveniente do “Céu da Boca” – grupo vocal cuja atividade se dá no período de 1979 a 1984. Em “O Sonho, a Vida e a Roda Viva”, Magro é lembrado como mentor e voz legítima do MPB4 e recebe as homenagens de seus companheiros, em especial, daquele que, dignamente, assume seu lugar no quarteto, ao lado de Aquiles Rique Reis, Dalmo Medeiros e Miltinho.
As manifestações de prazer do público são deflagradas pela harmonia presente nos primeiros acordes e no instrumental – balanceados com extrema precisão pelo técnico de som, Ricardo Pinto – a partir de “Roda Viva” – de Chico Buarque de Holanda, como obra indissociável dentre as interpretações do vocal cinquentenário. Miltinho dá sequência ao show, interpretando “Angélica” – homenagem a Zuzu Angel prestada por Chico Buarque, levando a plateia, emocionada, a aplaudir até à exaustão. Sob o manto de luz escarlate do iluminador cênico Moacyr Senna Moa, cuja sintonia se faz tão precisa quanto os acordes, versos e palavras emanadas de forma harmônica e randômica, “Cálice” é interpretada com roupagem sombria, reflexiva e estranhamente revigorante – marca deixada pelo quarteto, nessa obra assinada pelo músico, dramaturgo e escritor brasileiro. Impossível não perceber os movimentos dos lábios dos espectadores sussurrando os versos embalados pelas melodias que lhes são tão familiares, até que, “Vira Virou”, de Kleiton e Kledir, é cantada com a plenitude das vozes ativas de cada um presente na plateia, transformando a apresentação daquele número musical em um canto coral unissonante com as quatro vozes emitidas a partir do palco. Chegada a vez da plateia se manter em pleno silêncio – Miltinho declama “Amigo do Peito” que fez em parceria com Paulo César Pinheiro – “... A dor de uma perda é uma dor. Que eu quero entender, não consigo. Por que se perder um amor? Por que ver morrer um amigo?”. Surpreendendo todos na plateia, “O Navegante”, de Sidney Miller, é entoada pela voz do Magro, enquanto as bocas serradas daqueles que compõem o atual quarteto expressam total respeito e admiração pelo amigo e pela referência que já se foi - um dos pontos mais emotivos do show, como se um pesar comunitário tomasse conta da plateia e a dor da perda fosse sentida em cada nota entoada e em cada verso cantado por Antônio José Waghabi Filho.

Encerrando a noite, entre tributos e saudades, “O Sonho, a Vida e a Roda Viva” se despede de seu público com “Conversa com o Coração”, de autoria compartilhada entre Guinga e Paulo César Pinheiro, fazendo da plateia que lota a sala de espetáculos, uma multidão inconformada com a retirada do quarteto e dos músicos em meio às coxias, demandando um imediato retorno dos artistas ao palco do Serrador. Dessa forma, retornam: a banda – composta por Pedro Reis, na guitarra e no bandolim; João Faria, no baixo; Ronaldo Silva, na percussão; e Marcos Rios Santos, na bateria – juntamente com Aquiles, Dalmo, Miltinho e Malaguti. A partir de então, o bis fica por conta de: “Amigo é Pra Essas Coisas” – de Aldir Blanc; “O Que é O Que é?” – de Gonzaguinha; “Porto” – de Dori Caymmi; e “Samba do Avião” – de Tom Jobim, deixando o público saudoso daqueles, cujas vozes fazem parte da trilha sonora de suas vidas.

Fotos - Circuito Geral

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