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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Rock em Cabul


A delicadeza gentil dos sonhos

O estilo musical Rock, banido do Irã nos anos 1980, influencia a banda The Clash para a composição da letra de Rock The Casbah – título original do filme dirigido por Barry Levinson, “Rock em Cabul”, conforme intitulado no Brasil.

Segundo o roteiro, as vidas de Richie Lanz – interpretado por Bill Murray, que vende a sua imagem como o agente de talentos que descobriu Madonna – e de Salima Khan – uma jovem afegã incorporada de forma misteriosa, delicada e carismática, por Leem Lubany, se cruzam no Afeganistão. Khan tem como hábito alimentar um velho televisor em uma fonte de energia no interior de uma caverna sombria, durante a noite, para assistir um programa nos moldes de American Idol – “Afghan Star”, durante o qual demonstra a sua paixão pela música e o seu desejo por cantar – apesar de pertencer a uma cultura onde o canto feminino é considerado uma desonra para a família, passível de condenação à pena de morte.

A composição do elenco, a partir da participação de Bruce Willis, Kate Hudson, Zooey Deschanel, Danny McBride e Scott Caan, interage somente como um verniz e não se impõe como contribuição relevante, frente ao roteiro de Mitch Glazer,  que mistura a atmosfera belicista ao frescor propagado pelo humor, gerando a delicadeza gentil dos sonhos. A trilha sonora – que ecoa em meio às cenas áridas, sujas e desconcertantes, mas apelativas aos sentimentos – conta com os talentos de Blind Faith, de Harry Nilsson e de Bob Dylan, além de presentear o espectador com uma belíssima versão de "Peace Train" de Cat Stevens, ao final da película, interpretada pela própria Lubany.

Baseado em personagem da vida real, “Rock em Cabul” homenageia Setara – a primeira mulher a cantar e dançar no programa “Afghan Star” e que provocou marcante polêmica ao desafiar as restrições impostas à população feminina no Afeganistão. Mesmo tendo sido classificada como finalista naquele programa televisivo, as ameaças de morte a fizeram abandonar a sua origem e partir para a Alemanha – fato esse que se configura em uma outra história, que não pertence ao “Rock em Cabul”.

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