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domingo, 3 de julho de 2016

Até que o Casamento nos Separe


O modelo clássico do casamento entre alfas e ômegas, flexibilizando o humor e domesticando o drama


O comprovado crescimento das taxas de divórcio, ano após ano, juntamente com a queda dos números de registros de casamentos legais, podem ser diagnosticados em função das alterações dos perfis sociofamiliares que se acomodam dentro de um modelo mais individualista, evidenciando a retração da capacidade de tolerância diante das mudanças e concessões que a vida em coletividade demanda junto aos indivíduos.

Com base nesse prólogo, o Circuito Geral percebe o espetáculo “Até que o Casamento nos Separe” como um veículo através do qual, o texto profético de autoria de Eduardo Martini e Cris Nicolotti denuncia o declínio da instituição do casamento formal, cujos princípios doutrinários nivelam, em relevância, amor e virgindade e aprisionam os tabus sexuais somente dentro dos limites definidos pelo "enfim, sós". Martini, que também assina a direção do espetáculo, potencializa o humor que pode ser garimpado nos temas abordados pelo texto – dentre tantos, as crises de relacionamento que conduzem à separação conjugal. Os protagonistas são interpretados, de forma singular e identificada pelo público, por Viviane Araújo e Eduardo Martini, que desenham o modelo clássico do casamento entre alfas e ômegas, flexibilizando o humor e domesticando o drama. No palco, onde texto e atores se bastam, os recursos técnicos são limitados ao suporte cênico essencial – desenho de luz sem a menor pretensão pirotécnica e cenário, a cargo da imaginação dos espectadores, com pequeno auxílio de elementos auxiliares de ambientação, inseridos no palco a cada esquete. Quanto ao figurino desenvolvido por Adriana Hitomio, assume papel de destaque ao longo do espetáculo, inovando e se impondo como elemento cênico muito mais do que simples vestes, dando efervescência à esperança de um êxito amoroso do casal.


Sem falsa moral da história, é evidenciado que, em “Até que o Casamento nos Separe”, marido e mulher podem, até mesmo, demonstrar estarem cientes de que a vida pode ser bem melhor sem as dores do amor – o que, de fato, deixaria de ser vida, passando para o estado de mero convívio.


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