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quinta-feira, 21 de julho de 2016

#DR

Luiza e Théo são protagonistas de um tema que repercute à despeito das composições de pares amorosos, segundo gênero, e das classes sociais às quais pertencem. Indivíduos comuns, o casal vive a fragilidade presente no relacionamento que, em meio à angustia e à frustração que esvazia o que um dia foi paixão, acaba por minar o prazer de se estar ao lado daquele que parecia completar e dar sentido à sua existência.
Luiza e Théo dão vida a um texto de autoria de Thíago Uriart e provocam o posicionamento romântico de cada um dos espectadores, lhes oferecendo apenas duas opções: o achado de um amor verdadeiro ou de um parceiro ideal.
Luiza e Théo respondem à direção de Kika Ribeiro, que absorve a modernidade entranhada no subconsciente do público de modo epidêmico e polariza o potencial do casal interpretado pelo próprio Uriart e por Sharon Barros que, por sua vez, também concebe a composição cenográfica, sem o peso da qualidade usualmente imposta, mas valorizando o essencial demandado por aquela dramaturgia – a delicadeza áspera do humor inserida em um ambiente íntimo – composto por uma arara com as roupas do casal – e em um ambiente de estar – onde, um sofá e um urso de pelúcia à frente de uma TV e um violão, remetem a um lar deliciosamente despretensioso.
Luiza e Théo compartilham o seu drama com a plateia, sob a contrastante iluminação de Celio Franco, que rasga a silhueta dos personagens e dos elementos cênicos contra um fundo infinito negro, evidenciando as fagulhas emergentes das provocações e desentendimentos que fazem parte do seu cotidiano.
Luiza e Théo são agraciados com uma trilha sonora sob a direção musical de Paula Fallet, que abusa da idiossincrasia com “Mentiras” – Adriana Calcanhoto; “Você Por Perto” – Liah; e “Meu Violão e o nosso Cachorro” - Simone e Simaria, totalmente fora do contexto do roteiro, mas capazes de moldar olhos de ternura dentre os espectadores mais suscetíveis a emoções provocadas por fatores externos “fofinhos”.
Luiza e Théo são provas vivas de que nem só de Bergman vivem as cenas de um casamento mal resolvido pois, ao dissecar a anatomia humana em busca da compreensão da sua fisiologia, e ao cultivar a cultura no seu dia-a-dia aprimorando a sua bagagem pessoal – moldam o espetáculo “#DR” à sombra da realidade, fazendo com que os males estares provocados pelo que há de mais indigesto no mundo compartilhado pela grande maioria dos casais passem rapidamente – porém, de forma “digerivelmente” bem mais divertida, do que em seus próprios lares.

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