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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Julieta



Soa como uma paixão febril e sofrida sob a qual nenhuma pessoa, em sã consciência, desejaria protagonizar, mesmo que fosse por amor.

O quanto é difícil recomeçar uma existência pautada na ansiedade, difundida pelo medo do novo e com todas as armadilhas do passado – situação comprovada pelo mais recente filme de Pedro Almodóvar, que coloca as regalias à mercê das garantias inexistentes de sua “Julieta”. A direção excede no drama da mulher de meia idade – cujo nome intitula o longa estrelado por Emma Suárez – prestes a recomeçar sua vida em Portugal, com um novo namorado – personificado por Darío Grandinetti – e que, ao encontrar uma antiga amiga de sua filha – incorporada por Michelle Jenner – se perde em uma espiral de lembranças.

A paleta de cores de Almodóvar, em conjunto com a trilha sonora de Alberto Iglesias, transmite a sensação necessária ao espectador de quão conturbado é o mundo ao qual a protagonista se prende. A densa e forte intensidade com que “Julieta” implode na grande tela, soa como uma paixão febril e sofrida sob a qual nenhuma pessoa, em sã consciência, desejaria protagonizar, mesmo que fosse por amor.

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