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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Aquarius


A luta pela preservação da individualidade e o total desprezo pelo próximo – limitado, até mesmo, pelo vizinho de porta

Sônia Braga, magistralmente, resplandece Clara – uma mulher de 66 anos, crítica musical aposentada, que deflagra uma guerra contra a construtora que ambiciona executar um projeto de um residencial, para o qual, se faz necessária a demolição do edifício onde mora, denominado “Aquarius”.  Mediante subjetivamente vantajosas ofertas de compra dos apartamentos pela construtora, a totalidade dos condôminos proprietários, excetuando Clara, aceitam a proposta de venda de seus imóveis, tornando Aquarius, um quase “edifício fantasma”, pelo qual e pelo seu direito de terminar os seus últimos dias de vida, Clara, definitivamente, passa a lutar. Os cento e quarenta e dois minutos de crescente tensão, presente no longa, se desenvolve em torno da história de vida e das memórias da protagonista e, pouco a pouco, definem a forte figura que resiste aos mais variados métodos de pressão por parte da construtora, com vistas a convencer Clara a vender seu imóvel. 

A estabilizada direção e o consistente roteiro – cuja essência faz parte do dia a dia do desenvolvimento dos grandes centros urbanos – fazem de “Aquarius” uma denúncia assinada por Kleber Mendonça Filho.  Sua obra é dissecada politicamente, na qual, a arrogância, a prepotência e, até mesmo, a falta de bom senso da protagonista, definem uma linha tênue entre ficção e realidade, retratando o “vale tudo!” em nome do progresso, a luta pela preservação da individualidade e o total desprezo pelo próximo – limitado, até mesmo, pelo vizinho de porta.


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