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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Como é que pode?


Universo de magia e ilusionismo que, como em um passe de mágica, é transformado em um simples palco com vistas à apresentação de uma comédia em pé

O melhor de um stand up comedy intercalado por esquetes conduzindo um surpreendente show de mágicas – “Como é que pode?” dá o nome à atração estrelada pelo talentoso e ousado Gabriel Louchard, cujas apresentações vem lotando o Teatro das Artes, na Gávea, durante a atual temporada 2016 – em uma das quais, o Circuito Geral se faz presente e constata a capacidade do comediante ilusionista de hipnotizar os olhares da plateia, independente da faixa etária de sua composição, em seu espetáculo para toda a família.

A dupla Maurício Rizzo e Louchard assina a autoria do projeto que induz o público a questionar como ser possível, por exemplo, um espectador desaparecer, de forma assombrosa, em pleno palco, diante da atenção de todos, dando total respaldo ao nome do espetáculo. A inspirada direção de Leandro Hassum faz da apresentação uma surpreendente e fascinante viagem a caminho de um inusitado mundo de ilusões, tanto para quem já foi, quanto ainda é ou permanece criança. O projeto de luz cênica, de autoria de Wilson Reiz, promove um forte aliado ao desempenho de Louchard, ao fazer com que a magia encenada se torne uma experiência pessoal e intransferível, diante daqueles à procura dos “erros” e em busca da lógica que desvendem os acertos do mágico humorista. O figurino de Paulo Barbosa redesenha um jovem ilusionista – longe dos estereótipos de seus antepassados mágicos circenses – traduzido para a atualidade de um contador de histórias engraçadas. O fundo infinito negro é a base do projeto cenográfico de Fernando Alexim que promove uma dimensão amigável para a concentração das atenções no universo de magia e ilusionismo que, como em um passe de mágica, é transformado em um simples palco com vistas à apresentação de uma comédia em pé. Créditos especiais – ao coadjuvante assistente de palco, Robson Junior, que favorece Louchard a ressaltar, de maneira divertida, os improvisos, as piadas e servindo, até mesmo, o de termômetro da plateia, a cada apresentação; e para a indispensável interatividade não constrangedora da plateia, junto a Louchard, no palco.

Os genuínos e merecedores aplausos constantes, ao longo de toda a apresentação, endossam a receptividade da ousada proposta de composição do espetáculo por parte do espectador exigente que, diante das ilusões levadas ao palco, se dá ao trabalho de questionar “Como é que Pode?” – de modo a estimular, cada vez mais, a criação de algo que, de tão simples, seja inovador, a ponto de provocar a resposta minimalista por parte de Louchard, como, simplesmente, “podendo”.

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