Counter

domingo, 7 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida


Pseudo sentimento de amizade e companheirismo

Como um prólogo acelerado – uma a uma das nove fichas criminais de um seleto processo de recrutamento em meio aos piores supervilões já presos por heróis são passadas à limpo, de forma dinâmica e eficiente, diante dos olhos dos cinéfilos sedentos pela dinâmica prestes a aflorar o que há de mais perverso e traiçoeiro no universo daqueles bandidos. A operação manobrada por uma agência governamental liderada por Amanda Waller (Viola Davis), com vistas ao extermínio de uma entidade que ameaça a paz, contraria as vocações e a essência da índole dos bandidos, e os forçam a combaterem o mal em troca da redução ou perdão total de suas sentenças. A coerção se faz através da ameaça de morte, por meio remoto, em caso de tentativa de fuga, de ameaça à segurança da missão ou, até mesmo, em caso de insucesso. Slipknot (Adam Beach), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), El Diablo (Jay Hernandez), Katana (Karen Fukuhara), Magia (Cara Delevingne), Pistoleiro (Wil Smith) e Rick Flag (Joel Kinnaman) protagonizam o “Esquadrão Suicida”, liderado por este último.

Os atualíssimos moldes dos HQs transportados para as telas, sob a fluídica direção de David Ayer, e a excelente trilha sonora que conta com a banda dos anos de 1960 - The Animals, Creedence Clearwater e das atuais Grimes e Panic! At The Disco – são responsáveis pelo tom assumido pelo longa durante os 130 minutos de projeção – desde as apresentações iniciais até os créditos finais, deixando em segundo plano os antecedentes criminais dos protagonistas, mas exaltando as suas capacidades frente à luta contra ameaças superpoderosas. O pseudo sentimento de amizade e companheirismo que permeia a história, equivale a uma ressaca na qual a dor de cabeça é uma constante e sem previsão de melhora, neste, sequer nos próximos filmes que o esquadrão venha a estrelar – talvez pela coerência impregnada na fala de Will Smith, a partir de seu “Pistoleiro” – “não esqueça, somos os caras maus”. Margot Robbie explora a sensualidade psicótica de Arlequina e transforma cada cena em que está presente em momentos violentamente divertidos.  As participações de The Flash e de Batman são meros mimos para seus fãs, sem qualquer intercessão com vistas à salvação da humanidade frente à destruição em progresso. O Coringa, incorporado por Jared Leto, tangencia a uma participação coadjuvante inserida em uma história e em um corpo aos quais não pertence. Contudo, ainda restam traços de promessa para a sequência do filme, muito em função das cenas extras pós créditos.

Pode não parecer, para os desavisados, mas a trilha percorrida pelo Esquadrão Suicida data do final dos anos 50, o que dá pano para manga para os aficionados na biografia dos personagens se sentirem no direito de emitirem suas opiniões sobre o processo criativo dos mesmos, nos moldes das telas de cinema, resultando em críticas positivas, negativas e apartes como profundos pesquisadores do universo HQ – o que, de fato, o são. Críticas à parte, o atual roteiro assinado por Ayer, sem sombra de dúvida, não só delega ao público o papel de cúmplices ao retirar os vilões da prisão e usá-los no combate ao crime, mas também o libera, ao sair das salas de projeção, com o sentimento de total inocência, digna daqueles acometidos pela sociopatia rotineira e louvada pelos anti heróis do mundo real.


Nenhum comentário:

Postar um comentário