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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical


Transita entre o que é invisível e atinge o imaginário do espectador com as letras sob forma de declamação e canto

A forte veia ativista político-social latente nas canções de Gilberto Gil e presente em sua carreira desde os tempos da Tropicália, define a base do roteiro do espetáculo “Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical”, de autoria e direção de Gustavo Gasparani, destacando, em meio a livre narrativa, canções recortadas e levadas ao contexto ilustrado de um mensageiro que paira entre o céu e a terra.

A direção musical de Nando Duarte transita entre o que é invisível e atinge o imaginário do espectador com as letras sob forma de declamação e canto, dentre elas: “Esperando na Janela”, “O Compositor me Disse”, “Palco” e um grito de “Somos todos Gilberto Gil” – transformado em um mantra pela plateia. A direção de movimento e coreografia de Renato Vieira reavivam a origem da relação recorrente entre a tradição e o contemporâneo, nos movimentos ora delicados, ora viris. A cenografia assinada por Helio Eichbauer, em sua departamentalização que não se distancia dos conceitos religiosos que se cruzam com a política, torna indissociáveis personagens, letras, músicas, crenças e filosofias. O figurino de Marcelo Olinto dá a dimensão cultural exigida pelo artista homenageado, com toda a sua multiplicidade que transpassa o simples conceito de ilustração dos personagens. O projeto de luz de Paulo Cesar Medeiros é revelador e tenso, a cada polissemia eclodida por entre texto e música, propondo ao espectador poesia fluida em luminescência. O Videografismo de Thiago Stauffer registra as canções quase como um griot tecnológico e, dessa forma, promove a compreensão da história que se desenrola em doses homeopáticas, com efeitos alopáticos. O visagismo de Marcio Mello é eficiente no contexto sócio-econômico dos momentos históricos apresentados no espetáculo. O elenco composto por Alan Rocha, Cristiano Gualda, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Pedro Lima e Rodrigo Lima transpota para o palco a filosófica viagem entre a crença em Deus e a preocupação com a existência humana proeminente em toda a obra de Gil, de maneira concisa e artisticamente encantadora.

“Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical” faz das letras de Gil um intenso texto acessível ao grande público pelas canções fundamentais que desenham um país carente do eterno Deus Mu Dança.


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