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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Dos Santos


Proposta gastronômica oferece o melhor do desempenho autoral do chef Rocha, sem negligenciar os clássicos da cozinha francesa, com preços acessíveis ao público que valoriza, não somente, a degustação de pratos originais, mas que também aprecia bebidas artesanais

A “Deguste – Circuito Geral” confere um dos pratos do cardápio especial definido pelo recém inaugurado restaurante “Dos Santos”, comandado pelo chef Rodrigo Rocha, para a 15ª Edição do evento “Restaurant Week” Rio de Janeiro.

Após ceder a insistentes sugestões dos requintados usuários do serviço “Siga o Chef” – alta gastronomia elaborada na casa de seus clientes – Rocha decide se auto empresariar e se lançar como chef de seu próprio restaurante, aconchegantemente localizado em um dos endereços mais charmosos da zona sul – o Largo dos Leões, no Humaitá. Sua arquitetura é despojada e ousada, adequadamente climatizada, dotada de desenho de luz artificial promovendo agradáveis cenas ao longo do estabelecimento, e acusticamente bem resolvida, com requintes não ostentativos em sua proposta de instalações e acabamentos, capazes de atender às mais variadas exigências de bem estar e de conforto. Sua proposta gastronômica oferece o melhor do desempenho autoral do chef Rocha, sem negligenciar os clássicos da cozinha francesa, com preços acessíveis ao público que valoriza, não somente, a degustação de pratos originais, mas que também aprecia bebidas artesanais – todos exclusivos do cardápio “Dos Santos”.

O Circuito Geral teve o privilégio de degustar uma das sequências de pratos do evento “Restaurant Week” – entrada: “Levita Afrodisíaca”- cream cheese de ricota, tapenade de azeitonas pretas e reduzido de melancia servido com torradas árabes; prato principal: “Sensação de mignon” – file mignon com reduzido de jabuticaba e aligot; e, como grand finale, a sobremesa: “Paixão de Brulee” – creme brulee com cobertura de pistache.

A equipe da casa surpreende pela excelência do atendimento, desde a recepção pelo Maître, dando sequência ao serviço dos garçons, complementado pela expertise do mixologista que, aplicando técnicas da gastronomia no preparo de bebidas, orgulhosamente, apresenta ao Circuito Geral, uma de suas criações – onde a flor de lavanda adicionada à vodka, combinada com maçã verde, licor de flor de violeta, limão e água gaseificada, imprime a cor escarlate ao drink cognominado “Just Me, Myself and I”. Envolvendo toda essa experiência gastronômica, o som ambiente comandado pelo DJ da casa, contempla, naquela noite, uma trilha sonora contemplando Christopher Quezada, Will Heard, Fugees, dentre outros.

A 15ª Edição do evento “Restaurant Week” Rio de Janeiro acontece em diversos restaurantes da cidade, até o dia 9 de outubro de 2016, oferecendo valores diferenciados para almoço, por R$ 54,90 e jantar, por R$43,90.

domingo, 25 de setembro de 2016

Tô Ryca


Evita os extremos do humor conflitante com a deficiência do excesso, mas define um caminho ameno para atingir o espectador

Os conceitos de riqueza e de pobreza podem estar, subjetivamente, atrelados ao grau de satisfação decorrente do estado imaginário de cada indivíduo, em busca do quinhão de felicidade ao longo de suas vidas. Tomando como fio condutor tal hipótese, a essência do filme “Tô Ryca” se manifesta a partir do embrionário sonho da prosperidade, fazendo do dinheiro, a chave da independência e da segurança conquistada pela competência e pela sabedoria de saber viver com, mas não somente por ele. A genérica direção de Pedro Antônio traça, a partir da inter-relação dos personagens, um paralelo entre pobreza e riqueza, garantindo bons momentos repletos de comicidade.

“Tô Ryca” conta a história de uma frentista de um posto de abastecimento de combustíveis que não conhece o significado da palavra privilégio e que recebe, inesperadamente, uma generosa herança de um tio. Mas para que ela ponha a mão na fortuna, ela tem que enfrentar a desafiante tarefa de gastar trinta milhões de reais em trinta dias, sem qualquer benefício próprio e sem levar o fato ao conhecimento de terceiros. O econômico roteiro de Fil Braz desfoca o social e valoriza a imersão na banalidade e na negligência para com a riqueza. O elenco, que tem a participação especial de Marília Pêra, também é composto pelas humoristas Samantha Schmütz, Katiuscia Canoro, com o apoio de Fabiana Karla, Marcelo Adnet, Marcelo Melo Jr. e Marcus Majella.

“Tô Ryca” evita os extremos do humor conflitante com a deficiência do excesso, mas define um caminho ameno para atingir o espectador, que encontra motivos para rir, independentemente de seu padrão social ou nível de escolaridade.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Acorda pra Cuspir


Horrores do humor perverso

O texto “Wake me up and smell the coffee”, de autoria de  Eric Bogosian, ganha versão nacional, por Mauricio Guilherme, sob o título “Acorda pra Cuspir”.  

Focada na confusão e na consternação do mundo atual, a direção de Daniel Herz surpreende ao transformar a boca de cena da sala de espetáculos em um enorme espelho, refletindo a consciência do espectador que se permite impactar pelos horrores do humor perverso – humor que embarga as risadas por parte de quem se identifica com o objeto da piada; humor sem compaixão para com as verdades individuais; humor sem paciência com aqueles que se tomam como seres especiais, amparados por suas crenças, mesmo conscientes de sua insignificância perante a vida louca. A mordaz atuação de Marcos Veras administra a sátira peculiar de Bogosian e desconstrói assuntos sobre religião, fama e materialismo, dentre outros, e faz com que o público “caia na real” e perceba o ator como um mero reflexo daquilo que não é permitido refletir - respaldado pela hipocrisia latente em meio a tantos na plateia, quiçá, seu vizinho de poltrona. O cenário sóbrio de Fernando Mello da Costa transpira Inteligência raivosa que destila a nefasta sagacidade do autor, manifestada por meio de manequins sósias do protagonista, espalhados por todo o palco, como se coadjuvantes passivos diante da angustiante busca por respostas que somente seus lábios serrados poderiam proferir. O figurino de Antônio Guedes potencializa a exposição de Veras e dos manequins figurantes, inserindo os mesmos no contexto do desencantador retrato da humanidade. Duda Maia dirige os movimentos como engrenagens que se utilizam de Veras e de seus sósias como eixos em contínuo disparo, tal e qual uma metralhadora apontada em direção ao extermínio de uma plateia, de forma impiedosa e sedenta pelo início de uma chacina contra a “ética amoral”. Como se prenunciando o apocalipse silencioso ou violentamente orgástico no momento em que as luzes se apagam, indicando o final do espetáculo, a iluminação de Aurélio de Simoni dá o tom do drama presente na narrativa do personagem, contrapondo com a comédia intrínseca na figura do ator, muito provavelmente, objeto de busca pela maioria dos espectadores.

Sem se esquivar das perturbadoras perguntas, “Acorda pra Cuspir” aponta o dedo na cara dos medos coletivos e, com isso, satiriza os subjetivos valores sociais do público presente, com uma inflexível e inigualável honestidade.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Desculpe o Transtorno

Lamentável investida comercial amparada pela subutilização de talentos

A desculpa, para os românticos, pode ser interpretada como um ato de amor; para os religiosos, tomar para si a responsabilidade sobre os próprios atos e desejos; para os filósofos, uma redenção humana à sua capacidade de entender o seu papel no mundo; para os sofredores, amadurecimento emocional e a constatação de suas imperfeições; para os práticos, a inutilidade frente à resolução de seus problemas – sejam de ordem prática, financeira ou amorosa. Divagações à parte, o filme “Desculpe o Transtorno” é um belo exemplo de tudo isso. Sob a direção engessada de Tomás Portella, o longa exerce uma forte pressão sobre o espectador, durante infindáveis noventa minutos, para que o mesmo possa vir a encontrar a razão para que um pedido de desculpas seja aceito de todo o coração.

A assembleia de humoristas de ponta composta por Clarice Falcão, Dani Calabresa, Gregório Duvivier e Rafael Infante, que agrega as participações especiais dos artistas exponenciais Marcos Caruso e Zezé Polessa, é pulverizada em meio ao fraco roteiro de autoria de Tatiana Maciel e de Célio Porto, finalizado por Adriana Falcão, saturado de um humor de qualidade duvidosa e cujo potencial não vai além de provocar risos com ares de piedade por parte dos fãs menos exigentes. Infrutífero se faz qualquer traço de esforço com intenção de levar ao público, a história de um homem acometido pelo transtorno dissociativo de identidade – também conhecido como dupla personalidade – em decorrência de sua incapacidade de enfrentar situações limites que o levem a uma escolha e que se manifesta sempre quando se desloca no trecho Rio-São Paulo via ponte aérea – dessa forma tornando-se outra pessoa.
Lançando o seu olhar irônico contra a produção objeto desta abordagem, o Circuito Geral encontra traços comuns entre a formalidade expressa no pedido de perdão do protagonista pela sua perturbação congênita e uma possível tentativa de um tardio reparo moral, frente ao público, por parte da produção, por tê-lo feito sair da santa paz de seus lares, para constatar uma lamentável investida comercial amparada pela subutilização de talentos.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Portátil


O Circuito Geral sugere aos espectadores adeptos ao humor com arte, que compareçam à plateia munidos de uma boa experiência de vida

Um espetáculo com roteiro formalmente bem estruturado e com argumento totalmente dependente da plateia – formato identificado pelo Circuito Geral ao assistir “Portátil”, elencado por Gregório Duvivier, Gustavo Miranda, João Vicente de Castro e Luis Lobianco.  O inusitado método de geração de improviso garante um genuíno e inteligente show humorístico desprovido de obviedade cômica, coletando histórias distintas em meio ao público presente a cada apresentação, durante os setenta minutos de espetáculo.

O cenário de Gigi Barreto toma como base um estúdio fotográfico, a partir do qual, um fundo infinito define a policromia como divisor de águas entre o processo de dramatização das histórias – criadas pelos fragmentos de informação extraídos de um espectador eleito pela sutil seletividade do elenco – e os bastidores expostos, porém desfocados pela penumbra, onde um músico e os atores aguardam a deixa para se fazerem presentes em cena.  Definidas as bases estratégicas de desempenho nas histórias montadas a partir de um quebra-cabeças formado por palavras, dá-se início a uma impressionante batalha promovida pelo processo de revezamento criativo de cada um dos atores. O desenho de luz de Felipe Lourenço é tão dinâmico quanto o é cada cena improvisada, cujo título é levado ao conhecimento dos espectadores através do recurso de videografismo. A genialidade do processo não teria sucesso garantido não fosse a direção de Barbara Duvivier que trabalha, de forma sutil, a flexibilidade da diversidade dos enredos que se fazem presentes, a cada espetáculo, a ponto de não engessar, mas liberar a criatividade e o desempenho pessoal de cada um dos artistas.

Certo de que, a história contada durante a apresentação na qual se fez presente, é única e não mais será repetida em outra apresentação, o Circuito Geral sugere aos espectadores adeptos ao humor com arte, que compareçam à plateia munidos de uma boa experiência de vida para que, na eventualidade de serem selecionados pelo crivo dos humoristas, possam fazer parte do infinito repertório de “Portátil”.

Fotos - Circuito Geral

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Homem nas Trevas


“Indefeso ceguinho”

Uma quadrilha formada pelos meliantes Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) adota, como método de atuação, a invasão de residências luxuosas facilitada pelo fácil acesso de um dos componentes do trio à principal empresa de segurança da cidade. Visando solucionar todos os problemas financeiros de seus membros, decidem finalizar as operações da facção com a invasão da casa de um homem – ignorando o fato do proprietário ser um deficiente visual (Stephen Lang), que guarda uma grande soma em dinheiro em um cofre dentro de sua propriedade.

A inebriante direção de Fede Alvarez é capaz de induzir os espectadores à reflexão sobre os motivos pelos quais a justiça se faz tão conjurada – a despeito de sua cegueira, definida pela conveniência de interesses e do fiel da balança pender, na maioria das vezes, em prejuízo das partes menos favorecidas. Tal questionamento pode encontrar eco no fato de que, aqueles que se sentem e são, de fato, vitimados pela arbitrariedade, anseiam por uma justiça imparcial e reativa contra os trâmites e recursos, ironicamente, definidos como “legais” – os mesmos que estipulam valores concretamente mensuráveis para cada vida ceifada por delinquentes sempre vitimizados, seja através da ótica dos direitos humanos, seja através da prática do nepotismo pelo seu núcleo familiar. Uma vez pago o valor estipulado, seja lá quão duro ou não possa ser convertido em pena, eis que é satisfeita a sede por “justiça” – fato não aplicável ao performaticamente perturbador “indefeso ceguinho” de Lang.

O roteiro de Alvarez priva a justiça de ser representada pela figura feminina que, além de cega, parece ser surda e muda e transfere esse papel a uma figura masculina que, embora cega e determinada, consegue enxergar, melhor ainda, em meio à escuridão. A intensa trilha sonora de Roque Baños fomenta o desejo do espectador por vingança – mas não pelo que é projetado nas telas, mas por tudo que, em nome da sociedade justa e cristã, se deixa atropelar pelos que manipulam regras e deveres em prol dos interesses individuais.

Como o pulso ainda pulsa e, na vida fora da ficção, a justiça funciona como uma lição de moral, o final de “O Homem nas Trevas”, não contradiz e finaliza em conformidade à vida pulsante em nome dos fins que justificam os meios.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Ricardo III


Presenteia os apreciadores do bom teatro com a leitura do que há de mais atual no cerne de todos os seres humanos

“Ricardo III” – ficção histórica de autoria do dramaturgo inglês William Shakespeare, escrita entre 1592 e 1593, que se baseia em fatos reais da vida do Rei Ricardo III da Inglaterra, retratando a sua ascensão sanguinária ao trono e seu efêmero reinado – retorna aos palcos cariocas, dessa vez, no Teatro Café Pequeno em curta temporada, a preços populares.

Para a tranquilidade dos aversos da obra shakespeariana porém, apreciadores das ousadas e instigantes produções teatrais, o espetáculo que contempla a releitura e adaptação do clássico por Sérgio Módena em parceria com Gustavo Gasparini – ambos atores, diretores e dramaturgos cariocas – é dirigido, com precisão cirúrgica por Módena e habilmente representado por Gasparini que supera o desafio de materializar virtualmente, diante dos olhos dos atônitos espectadores, através de um monólogo, vinte e um do total de cinquenta e quatro personagens que, originalmente, fazem parte do drama composto de cinco atos, durante apenas noventa minutos ininterruptos.

A atmosfera medieval inglesa presente na dramaturgia de Shakespeare dá lugar a um palco travestido em uma acolhedora sala de aulas onde Gasparini – como se incorporando o papel de um mestre – instrui a plateia – como se composta por discípulos – a melhor maneira de assimilar uma aula de história prestes a ser dramatizada em meio a mobiliário e objetos familiares a um espaço acadêmico, aproximando os espectadores à obra do “Bardo do Avon”, de forma mais amigável.

Vestido com a simplicidade com a qual um professor se apresenta aos seus alunos, nos dias de hoje, com seus cabelos cortados, barba feita e sem aditivos que o possam maquiar excessivamente, o único ator presente no palco – após introduzir, de forma extremamente didática as dinastias de Iorque e de Lancastre, datadas em meio aos séculos XIV e XV – Gasparini induz a plateia a lançar mão da imaginação e assume o semblante e gestual do maquiavélico e despótico Ricardo – notadamente, preservando um ranço de humor, mesmo que negro, na tentativa de atenuar o peso do personagem obcecado pelo poder, sem limites para atingir os seus propósitos, assassino de seus irmãos, sobrinhos e de qualquer um que possa representar um obstáculo em sua vida.

A genialidade da produção de “Ricardo III” conta, adicionalmente, com a direção de movimento de Marcia Rubin, que imprime uma peculiar estranheza que traz, para o centro dos acontecimentos, a potência dos personagens que orbitam ao redor do manipulador Ricardo. A direção musical de Marcelo Alonso Neves corrobora na percepção e sedução do espectador em meio à encenação e narrativa. A cenografia de Aurora dos Campos internaliza, ao resumir em um quadro branco, as cartas de uma história sequenciada e comentada por Gasparini. O figurino de Marcelo Olinto, cria a empatia necessária ao transmitir a imagem de um acadêmico que ministra suas aulas com ajuda de adereços. O visagismo ponderado de Marcio Mello contribui nas encarnações de Gasparini – seja quando mulher, quando homem, quando jovens, quando velhacos.

É notório se perceber, em meio à dramatização adaptada de “Ricardo III”, a indução do espectador à definição de um paralelo entre a trajetória do tirano inglês e a sede de poder na política atual – na qual se faz presente o aético binômio “custe o que custar” e “a qualquer preço” de modo a garantir os interesses pessoais em detrimento do direito democrático – culminando em uma deliciosa cobertura de farsa teatral. Acima das expectativas, “Ricardo III” presenteia os apreciadores do bom teatro com a leitura do que há de mais atual no cerne de todos os seres humanos – sejam déspotas ou simplórios democratas, pois todos carecem de aceitação, uma vez que o desamparo e a rejeição são combustíveis indispensáveis para a aceleração de um mal – bem maior.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Comunidade


O ranço do pessimismo faz da esperança comuna o primeiro alvo a ser abatido

Thomas Vinterberg, diretor cinematográfico indicado ao Oscar em 2012, presenteia os cinéfilos com mais um projeto – “A Comunidade”.

Passado nos 1970, o longa conta a história de uma família composta por Erik – o pai, interpretado por Ulrich Thomsen; Anna – a mãe, incorporada por Trine Dyrholm; e Freja – a filha do casal, por Martha Sofie Wallstrom Hansen.

Após ter herdado uma mansão de um falecido parente de Erik e sem ter como mantê-la financeiramente, os membros da família acolhem a sugestão de Anna em transformá-la em uma comunidade composta por amigos próximos. A partir dessa experiência, o filme percorre uma diversidade de histórias que, inevitavelmente, atingem o casal protagonista. O roteiro, de autoria de Tobias Lindholm, é estruturado de forma dinâmica, embalado por uma surpreendente e emocionante trilha sonora que inclui, dentre tantos ícones da música internacional, Elton John.

Em “A Comunidade”, a construção dos personagens tem como alicerce a intimidade que não se limita apenas à amizade, mas é extensiva a uma estrutura familiar pseudo democrata – que limita o senso de coletividade até fazê-la ruir em prol da perpetuação da amizade e do amor – sendo este, já fora da data de validade. A despeito do aprazível tom novelesco, o ranço do pessimismo faz da esperança comuna o primeiro alvo a ser abatido.