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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Homem nas Trevas


“Indefeso ceguinho”

Uma quadrilha formada pelos meliantes Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) adota, como método de atuação, a invasão de residências luxuosas facilitada pelo fácil acesso de um dos componentes do trio à principal empresa de segurança da cidade. Visando solucionar todos os problemas financeiros de seus membros, decidem finalizar as operações da facção com a invasão da casa de um homem – ignorando o fato do proprietário ser um deficiente visual (Stephen Lang), que guarda uma grande soma em dinheiro em um cofre dentro de sua propriedade.

A inebriante direção de Fede Alvarez é capaz de induzir os espectadores à reflexão sobre os motivos pelos quais a justiça se faz tão conjurada – a despeito de sua cegueira, definida pela conveniência de interesses e do fiel da balança pender, na maioria das vezes, em prejuízo das partes menos favorecidas. Tal questionamento pode encontrar eco no fato de que, aqueles que se sentem e são, de fato, vitimados pela arbitrariedade, anseiam por uma justiça imparcial e reativa contra os trâmites e recursos, ironicamente, definidos como “legais” – os mesmos que estipulam valores concretamente mensuráveis para cada vida ceifada por delinquentes sempre vitimizados, seja através da ótica dos direitos humanos, seja através da prática do nepotismo pelo seu núcleo familiar. Uma vez pago o valor estipulado, seja lá quão duro ou não possa ser convertido em pena, eis que é satisfeita a sede por “justiça” – fato não aplicável ao performaticamente perturbador “indefeso ceguinho” de Lang.

O roteiro de Alvarez priva a justiça de ser representada pela figura feminina que, além de cega, parece ser surda e muda e transfere esse papel a uma figura masculina que, embora cega e determinada, consegue enxergar, melhor ainda, em meio à escuridão. A intensa trilha sonora de Roque Baños fomenta o desejo do espectador por vingança – mas não pelo que é projetado nas telas, mas por tudo que, em nome da sociedade justa e cristã, se deixa atropelar pelos que manipulam regras e deveres em prol dos interesses individuais.

Como o pulso ainda pulsa e, na vida fora da ficção, a justiça funciona como uma lição de moral, o final de “O Homem nas Trevas”, não contradiz e finaliza em conformidade à vida pulsante em nome dos fins que justificam os meios.

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