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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Demônios


Nos corpos de todos os indivíduos, habitam

Conflitos conjugais e perversões sexuais represadas são habilidosamente extraídos das entranhas do subconsciente de quatro personagens pela direção de “Demônios”, por Bruce Gomlevsky – espetáculo baseado no texto do dramaturgo sueco Lars Norén, que disseca um hostil relacionamento de dois casais e dos casais entre si.  A noite regada de humilhações, revelações e repressão sexual estremada é compartilhada com uma plateia atônita, identificada e, por que não dizer, silenciosamente participativa, pelos casais Frank e Catarina – incorporado por Gomlevsky e Luiza Maldonado; e Tomas e Jenna – defendido por Gustavo Damasceno e Thalita Godoi.

Como um comboio que a pluralidade de talentos lhe confere, Gomlevsky, em parceria com Bel Lobo, assinam o perscrutante projeto cenográfico que retrata certo nível de sofisticação trash, a partir de móveis com design contemporâneo que compõem ambientes distintos, porém conjugados, palco de roupas íntimas espalhadas e que retratam o total desprezo e falta de zelo pela vida à dois. O figurino de Andrea Fleury transparece a tortura de ser o que terceiros esperam do comportamento dos indivíduos, mesmo quando a nudez deixa de ser um balsamo para a alma, mas uma vestimenta imposta a si mesmo por possíveis carência afetiva e falta de amor próprio. O desenho de luz de Elisa Tandeta alimenta as ligações hostis dos personagens de maneira sóbria e implacavelmente dramática.

Posto isso, espectadores passam a ser testemunhos passíveis de identificação com os personagens e suas neuras, a partir de um espetáculo que não esconde a prostração do cotidiano mesquinho e o torpe dos relacionamentos doentios, e que descreve vidas à dois com a força do rancor, comparada somente com a impotência humana diante dos “Demônios” que, nos corpos de todos os indivíduos, habitam.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Serve-se


Ao sabor do vento potencializado pelas vozes de poetas e declamadores

Dia 10 de novembro de 2016: segundo e último dia da apresentação de “Serve-se” – espetáculo da série de seis apresentações que contemplam a ocupação do Teatro Serrador pelo “Grupo Nós do Morro”, em comemoração aos seus 30 anos – o Circuito Geral confere o projeto do ator, diretor, poeta e músico Marcello Melo, moldado em formato de show, de encontro, de sarau, quiçá, um musical poético, segundo ele mesmo. Na plateia, junto ao palco, folhas de papel impresso com poemas, como partes de uma árvore que se deixa desmanchar ao sabor do vento potencializado pelas vozes de poetas e declamadores genuínos.

A descontração em meio a uma comunidade, até mesmo a amizade de anos que a vida separa mas as afinidades  mantém antigos parceiros unidos, toma a atmosfera lírica da casa de espetáculos, como casuais encontros durante os quais são verbalizadas as experiências que a vida concede a cada um. Em meio a um de seus desempenhos, Melo aborda a letra de “Haiti” de Caetano Veloso e Gilberto Gil, sob o aspecto social da discriminação racial contemporânea. O momento de descontração fica por conta de Bruno Barbosa que, parodiando Marília Gabriela, promove ímpetos de gargalhadas espontâneas por parte do público presente. O cantor Arthur Maia conta como foi o seu primeiro contato quando criança com Elis Regina e dá seguimento à sua apresentação, presenteando o público com sua interpretação de “Meu Romance”, de Orlando Silva. Reassumindo os moldes do sarau declamado, Melo profere “A Poesia Fode Comigo”. Manoel Herculano entoa “Rio Maranhão”, presta sua homenagem a Ariano Suassuna, com “Simples Imortal”, e fecha sua participação ovacionado pela plateia após proferir a letra de “De Tanto Amor” de Roberto e Erasmo Carlos, seguida por “Com a Palavra”. João Gurgel Filho, filho de Sérgio Ricardo, presta uma homenagem ao pai com a música “Emília”, que fez parte da trilha sonora do Sítio do Pica-Pau Amarelo de 1977. Arievo, em uma performance avassaladora e acompanhado pela competência instrumental de Netho Rodrigues – na bateria; de Antônio Dal Bó – na guitarra e no teclado; e de Giordano Bruno Gasperin – no baixo, componentes da banda TriJAZZ, combina uma química explosiva de som, imagem e cor, para a música “Oya” do grupo Metá Metá.

Final do espetáculo, como uma grande família, o elenco reunido brinca com duas músicas que fizeram grande sucesso na voz de Gil – “Eu Só Quero Um Xodó” e “Tenho Sede” – despedida de peso da ocupação da noite.

domingo, 20 de novembro de 2016

Air Supply 40th Anniversary Tour


Alta carga emotiva

Noite de quarta-feira, 16 de setembro de 2016, Espaço das Américas, São Paulo capital – a exatas 22h30min, dá-se início a uma noite repleta de romantismo. Em continuidade à comemoração dos seus mais de 40 anos de sucesso, desde a sua criação em 1975, o duo australiano Air Supply, retorna ao Brasil em uma única apresentação na Cidade de São Paulo e presenteia os seus fãs com “Air Supply 40th Anniversary Tour”.

As vozes e o instrumental marcantes, as eternas melodias e a vibe da banda – composta por Jonni Lightfoot – baixo, Aaron Mclain – guitarra, Aviv Cohen – bateria e Amir Efrat – teclado, jovens músicos que se entregam ao êxtase ao harmonizarem os acordes dos inesquecíveis sucessos dos anos 1970 e 1980 – fazem da noite uma intensa imersão no que há de mais genuíno em todos os seres humanos – a capacidade de amar. Russell Hitchcock – a inconfundível a voz de “Air Supply” – e Graham Russell – o senhor dos estonteantes acordes a partir de sua guitarra – dão início a uma viagem no tempo com “Sweet Dreams” e “Even The Nights Are Better”, potencializando os ânimos com “Just As I Am”, saudando a noite com “Every Woman In The World” e levando o público ao delírio com “Goodbye”.

Estrategicamente, a dupla ameniza a alta carga emotiva que toma conta da casa de espetáculos com uma canção mais recente – “I Adore You”, lançada em 2015, para então fazer com que o mapa de localização do público perca a sua configuração, sendo substituído por uma multidão que se desloca dos extremos do palco em direção à plateia e de volta ao palco, para acompanhar a quebra de protocolo de Hitchcock e Russel quando, ao percorrer um trajeto pré-definido em meio ao público, se entregam aos apertos de mão, abraços, beijos, selfies, lágrimas e ao compartilhamento dos microfones com seus fãs, promovendo uma manifestação raramente vista anteriormente em uma sala de espetáculos, ao som de “The One That You Love” – sem sombra de dúvida, o momento mais emocionante da noite e a consagração de um duo que ainda tem muito a oferecer a uma numerosa legião de gerações.

“Making Love - Out Of Nothing At All” é o prenúncio do fim do espetáculo, dando espaço para um bis, com gosto de “quero mais”, com “All Out Of Love” – acompanhados por um coro composto por uma lotação esgotada do Espaço das Américas.

Produção do show: Poladian
Parceiro Circuito Geral: Hotel Panamby São Paulo http://www.circuitogeral.com/hotel-panamby-sao-paulo

Bar do Adão - Leblon


Excelência em atendimento e preços justos

Dia 20 de novembro, domingo – último dia para a degustação dos pratos principais de dezenas de restaurantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, participantes do “Restorando Fest” 2016, com 50% de desconto.

No feriado de 15 de novembro, o Circuito Geral confere a arte culinária do “Bar do Adão” – Leblon, localizado na galeria mais cultural da zona sul carioca – onde se encontram as salas de espetáculos Fernanda Montenegro e Marília Pêra, que compõem o Teatro do Leblon – em meio a um dos polos gastronômicos mais badalados da região. A proposta conceitual do “Bar do Adão” – Leblon é oferecer à sua clientela um espaço despojado e descontraidamente charmoso, nos moldes dos botequins cariocas, contemplando, a maioria de suas mesas, dispostas no corredor da galeria. Para quem optar por um cantinho mais reservado e intimista, a casa oferece algumas mesas no interior da loja – espaço climatizado contíguo ao balcão do bar propriamente dito – preferido pelos enamorados, segundo Ana e Aldo – dois dos quatro novos dirigentes do estabelecimento requalificado desde o início do segundo semestre do ano em curso.

Desfrutando do atendimento da zelosa equipe de funcionários, compartilhado com sua clientela habitué que lota as mesas localizadas no espaço externo, ao Circuito Geral é servida a entrada consagrada pelo “Bar do Adão” – seus pastéis exclusivos, com destaque para o pastel “Dos Deuses” – cujo recheio é composto por brie, muçarela de búfala, gorgonzola e parmesão – e o pastel “Francês” – recheado com camarão, alho-poró e catupiry. A degustação tem sequência com a sugestão do prato principal pelos anfitriões – uma dobradinha de escondidinhos: de “Carne Seca” e de “Camarão”. Se por um lado, a cozinha é comandada pelo carioquíssimo chef Márcio, no bar, o mixologista do dia, Alexandre, alquimiza “Aperol” com Espumante e Sprite e o “Sex On The Beach” – uma combinação de Grenadine, suco de laranja, vodka e licor de pêssego – que, segundo ele, seriam os drinks que mais combinam com os pratos servidos. Fechando a noite, a sobremesa carro chefe da casa – “Petit gâteau” com sorvete de creme.

Esteja sozinho, em dupla ou em grupo, difícil dispensar os rituais de degustação do “Bar do Adão” – seja a simples combinação de pastéis e chopp ou a experiência gastronômica, contemplando início, meio e fim, com demanda por um tempo de permanência incompatível com a modalidade fast food, muito em função da atmosfera promovida pela casa e que envolve toda uma clientela em busca de despojamento, excelência em atendimento e preços justos.

Para os que, por ventura, não tiveram a oportunidade de comparecer ao “Bar do Adão” pelo “Restorando Fest” 2016, ainda poderão fazê-lo pelo “Black Friday Restorando”, do dia 21 a 27 de novembro, com 30% de desconto, exceto nas bebidas, na taxa de serviço e nos pratos com camarão. Conferir condições gerais em: https://rio-de-janeiro.restorando.com.br/restaurante/bar-do-adao-leblon


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Casa Cor 2016 - Part.03


Espaço Deca - Márcia Muller e Manu Muller

A estrutura em ferro, madeira e vidro (com revestimentos Ekko como porcelanato e massa tipo cimento da Diore) abriga um confortável quarto e um banheiro. No quarto, cama automatizada (Collectania), mobiliário contemporâneo Finish contrastando com peças do antiquário Arnaldo Danemberg, coleção de palha da Orlean e tecidos Muki, além de uma lareira desenhada pela dupla e executada pela Construflama, aquecendo o ambiente.

Cabanas - Duda Porto

A casa é feita em estrutura metálica com revestimento termoacústico, madeira tipo OSB, manta hidrofugante e, por fim, uma placa cimentícia. Por dentro, madeira. A sustentabilidade está do início ao fim: uma construção seca que não provoca resíduo e tem desperdício zero; a madeira é toda de reaproveitamento; a ventilação é cruzada, provocando conforto térmico no interior; há captação de água da chuva para reutilização e a energia é solar.

Mercearia da Casa - Paula Neder e Luiza Pedral

A Mercearia fica em uma edícula original (e anexa) ao casarão.

Jardim Sensorial - Raphael Costa Bastos

Com grande influência oriental, o jardim vai despertar quatro sentidos humanos: o tato, através das diferentes texturas de plantas; a audição, com o relaxante som das águas de um pequeno lago e de um repuxo; a visão, pelas cores exuberantes das flores e folhagens; e o olfato, com o aroma das ervas (camomila, erva doce e erva-cidreira, entre outras) e temperos como alecrim, hortelã, manjericão, salsinha, cebolinha, gengibre e coentro.


Casa Cor 2106 Part.02


Sala de Receber - Erick Figueira de Melo

Sem divisão de ambientes, a sala comporta um espaço de estar com o enorme sofá Square - Arquivo Contemporâneo, com 4,80m de comprimento e poltronas confortáveis; um canto para mesa de jogos; e uma ilha gourmet, com uma cozinha-bar para preparar quitutes.

Quarto do Neto - Tatiana Lopes e Tatiana Mendes

Um quarto que acompanha o filho da infância à adolescência, apenas mudando acessórios e adornos. E bem realista: com cerca de 10 m², está de acordo com o tamanho médio de um quarto de apartamento.

Design de Ninar - Leila Dionizio

Quarto de bebê confortável, aconchegante e com direito a mistura de soluções modernas com um clima vintage meio escandinavo, meio brasileiro.

Family Room - Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge

O ambiente segue a tendência de se ter "vazios", com mobiliário na medida do conforto e mais espaço para mobilidade.

Sala de Banho - Marta Guimarães e Daniele Faraco

A dupla trouxe para o ambiente as cores da natureza: o verde dos jardins de Burle Marx; o azul remetendo ao céu e ao mar; e cinza claro fazendo alusão à areia da praia. Os elementos deslocáveis são a banheira, da Sabbia, com tecnologia do material Duramat, resistente à oxidação, de fácil limpeza e sem porosidade; o espelho de corpo inteiro, recostado à parede, da Emporium Beraldin; a bancada, em estrutura em metal da Lacca, normalmente utilizada em cozinhas; a parede de seixos do box; e um grande banco de madeira de reflorestamento da RugHold, para relaxar ou aparar objetos.

Espaço OMINI - Rodrigo Barbosa

Muito além de um closet: é também um refúgio para um homem que tem uma vida agitada – de trabalho, de esporte e de lazer.

Quarto do Casal - Adriana Valle e Patricia Carvalho

Tons naturais (branco, cinza, cru e fendi), com pinceladas de azul e amarelo servem de moldura para uma coleção de lançamentos desenvolvidos para o ambiente: a cama Olho Interni, da designer Isabelle Demari; a customização das estantes Code e Elle, de Jader Almeida, realizada junto com o designer, unindo as duas e criando um produto novo; e em parceria com o Atelier Monica Carvalho e o Atelier Watson, o desenvolvimento de objetos exclusivos em couro e semente. A iluminação é em trilho semiembutido, desenvolvimento de Adriana e Patricia com suporte técnico da Lumini.

Terraço do casal - Bruno Carvalho e Camila Avelar

Simplicidade das formas, sofisticação do mobiliário e a poesia das artes visuais.


Casa Cor 2016. Part.01


Em sua 26ª edição, A CASA COR Rio ocupa a “casa rosa”, como é conhecida na Gávea. Uma construção de 1938 em estilo eclético, com terreno de 5.000 m² e 1.000 m² de área construída, pertencente à família Rocha Miranda, que durante quase 40 anos viveu ali recebendo amigos em grandes comemorações.

Lab Café - Carolina Escada, Patrícia Landau, Carolina Lerner, Gabriella Mello e Sabina Kalaoun

Dividido em vários ambientes, o Lab Café – do Armazém do Café – tem um confortável living com sofá Loft (Finish), poltronas Lisboa de Amelia Tarozzo, mesas de centro e laterais de Luia Mantelli e Lattoog, e luminárias de Ronald Sasson (Vessie, K2 e Mini Ray). O piso elevado (a escadinha que leva a ele tem, entre os degraus, sacas de café iluminadas!) banqueta Soft de Luia Mantelli e mesa Carretel, da Ovo Design, além de pufes em formato de bolsas desenvolvidos em parceria com a Nannacay e a Cortinaria. No imenso sofá, para degustação, almofadas com estampas étnicas também da Cortinaria. Na área externa, lançamentos Tidelli: banco, poltrona concha, cadeira e balanço Painho, mesa Pirâmide e sofá Marina.

Loja da Casa - Marina Breves

Mistura de elementos originalmente opostos de forma natural e equilibrada. Assim, o novo está lado a lado com o antigo; o contemporâneo convive em sintonia com o clássico.
Em tons neutros e toques de azul, a Loja da Casa tem móveis e objetos de Lalla Bortolini. A estante Trama, em ferro e banhada em ouro envelhecido, foi desenvolvida pela arquiteta para a mostra. A iluminação, também da Breves Arquitetura, tem um tom intimista. O porcelanato da Portinari no piso – ainda recebe o tapete Domdaqui, em fibras naturais e fabricado à mão –, paredes em tom neutro (da Coral) e em papel de parede (Cortinaria).

Livraria - Alexandre Cardim

O lugar remete ao universo lúdico dos livros, em tons de fendi, areia e verde, e com projeto de luz que propicia aconchego. Nas estantes, livros da Unisaber sobre arte, design, arquitetura, decoração. A estante Giorno em laca chocolate – projeto do arquiteto feito especialmente pela Lacca – com nichos iluminados. Sofá Akans II, poltrona Belgravia, mesa de centro Parker, escrivaninha Enzo e cadeira Brielle giratória – Móveis da Artefacto.
Entre as tendências, porcelanatos de grande formato aplicados no teto e nas paredes. Perfis em LED Fit Tokyo -Vigolucci Design, possibilitam qualquer formato e adequação. Em destaque a luminária Flap Flap, de Constantin Wortmann (também Vigolucci Design).

Empório Orgânico - Tiana Meggiolaro  e Bia Mayrinck

O toque de cor está no mix de almofadas floridas assinadas por Nunuca. No mobiliário, o clima também é rústico – quer na marcenaria, desenhada pelo escritório e executada pela Mallc Móveis, quer em peças assinadas, como o Buffet Teca, de Jader Almeida - Arquivo Contemporâneo.
 Seguindo o clima orgânico dos produtos do Spa Lapinha, todo o material usado é sustentável: o revestimento que parece pedra é da Linha Rocca, da Covering, fabricado à base de cimento); o piso, em lajotão rústico da Santa Alda (Emporium Frei Caneca), é 100% artesanal; os tecidos dos futons do banco são com tecidos Eco Simple - Trama Casa, que utilizam garrafas pet recicladas junto ao tecido; as almofadas são em fibra natural; e os painéis da Berneck são de madeira 100% de cultivo florestal.

Garagem de Estar Renault - Caco Borges

As cores cruas do ambiente ressaltam as gravuras assinadas pelo artista húngaro Victor Vazarely, considerado o pai da Op-art e que, em 1972, redesenhou a logomarca da Renault. Nos móveis, a nova linha AWA da Florense, que une design, novos materiais e inovações tecnológicas.
A iluminação é feita com faróis de automóveis desenhadas pelo arquiteto Maurício Arruda e desenvolvidas com a light designer Fernanda Vasconcellos.


Casa de Vidro - Gabriela Eloy e Carolina Freitas

Natureza e modernismo. Burle Marx, Mies Van Der Rohe e Lina Bo Bardi.
A Casa de Vidro incorpora tecnologia de ponta: a começar por um incrível par de óculos com que o visitante pode se “teletransportar” e visualizar a arquitetura em um cenário de praia ou serra. Além disso, o ar-condicionado, da Consult, capta o calor da área externa e o transforma em ar frio, com consumo de energia quase nulo. E o sistema de som, da High End. A essa união natureza-tecnologia se junta design e arte: o designer Fernando Pinto, primo de Sergio Rodrigues, mostra a cadeira Gaia, projeto inédito do arquiteto. O sofá Boxer – Decameron em linho preto e poltrona Fat - Estúdio Bola, em lona preta, e bancos Viki, dos designers Maurício Lamosa e Flávio Borsato. Tudo da Way Design.
Uma escultura de Raul Mourão e uma fotografia de Gabriel Wickbold recebem o visitante. A iluminação, assinada por Maneco Quinderé

Sala de Almoço - Marise Marini

Design vintage, paredes revestidas em tijolo aparente, piso vinílico com aparência de madeira e o uso do tom azul Haia, mais escuro, tornam o lugar acolhedor. O mobiliário mistura a poltrona Scapinelli - Giuseppe Scapinelli; luminária Mush de Jader de Almeida; e banco Jecker e estante Jatobá assinados por Etel Carmona com móveis do antiquário Arnaldo Danemberg. Almofadas levam tecidos da designer Ana Sanchez, com imagens orgânicas. A iluminação, assinada por Giani Faccini, da RBF.

Cozinha - Bianca da Hora

Os armários lançamento da Florense, têm acabamento que parece metal oxidado; uma adega climatizada; bancada, com cuba esculpida , mesa de jantar, de carvalho e 2m40 de comprimento - Jader Almeida, que também assina a mesa de centro Drey, na área de estar – poltrona Petit Sotille, em aço e couro envelhecido, do Studio Bola -LZ Studio.

Escritório e Sala de Leitura - Mário Santos

São dois ambientes – um para trabalhar e receber, outro para se isolar com um bom livro.
Tons amadeirados amendoados convivem com cinzas claros e com metalizados em cobre polido nos detalhes. A iluminação, projeto do arquiteto com luminárias Dimlux. Completando o mobiliário, poltrona Zefa de Zanini de Zanine - Way Design, poltrona Pelicano, do arquiteto urbanista Jorge Elmor - Novo Ambiente, sofá, poltronas com pufes, mesinhas laterais e cadeiras da Ovoo. Nas paredes, fotos de Kitty Paranaguá e Francisco Baccaro, além de obras de coleção de art déco e peças da época do auge e glamour da Panair do Brasil.


Maresia


Uma delicadeza enigmática 


Uma obra literária, cujo conteúdo pulsante e conturbado, convida à reflexão – o romance “Barco a Seco”, de Rubens Figueiredo, conta a história de um órfão, criado por uma família pobre e, pela qual, acaba sendo abandonado. Mesmo assim, superando todas as dificuldades que a vida lhe impunha e fascinado pelo mar, torna-se um perito de arte, com especialidade em um pintor, cujo histórico de vida, culminado em seu desaparecimento, é tão obscuro quanto a obsessão pelo mar retratada em suas obras, executadas sobre pedaços de barcos e de caixas de charuto. Diante desse panorama e da procura do perito por um desconhecido que declara o seu interesse pela autenticação de um quadro cuja autoria imputa ao pintor desaparecido há cinquenta anos, o fascínio pelo mar e as sombras do passado traçam um sutil paralelo entre a imagem do pintor e a do perito, entre tempo passado e tempo presente, entre o que é fictício e o que é realidade.

Uma obra literária, com base na qual, o diretor Marcos Guttmann decide lançar o seu primeiro longa-metragem “Maresia”, cuja autoria de roteiro, Guttmann compartilha com Melaine Dimantes e Rafael Cardoso – uma delicadeza enigmática digna de veteranos na produção da sétima arte. A partir de um elenco seleto, composto por Julio Andrade, Pietro Bogianchini, Vera Holtz, Mariana Nunes, Cristina Flores, Álamo Facó, Roberto Birindelli, Bruce Gomlevsky, Jonas Bloch, Pablo Sanábio e Tamara Taxman, a arte de “Maresia” é marcada pelas exímias tomadas fotográficas de Alexandre Ramos, pelo realismo presente no figurino de Gabriela Campos, pela naturalidade e autenticidade transmitida pela maquiagem de Lucila Robirosa e pela qualidade musical de Stefano Lentini e de Edson Secco.

Uma obra literária transformada em cinema arte, que discorre sobre conflitos definidos em tempos distintos, que induz ao desvendamento de uma história que chega ao seu final, conferindo, ao espectador, a incerteza de que esteja pisando em terra firme.


domingo, 13 de novembro de 2016

Antes do Café


Um espetáculo em um ato, sob dois pontos de observação

Um espetáculo em um ato, sob dois pontos de observação – de uma plateia em direção ao palco e de um palco em direção a uma plateia.
Sistematizada a partir da conjugação dos olhares, de forma indissociável, de seus redatores artístico e técnico, Paulo Sales e Mauro Senna, respectivamente, a série de resenhas publicadas pelo Circuito Geral se permitirá, pela primeira vez, apresentar, de forma individualizada, o ponto de vista de Sales – em meio aos acontecimentos no palco, juntamente com outros quatorze espectadores; e o de Senna – na plateia, lançando o seu olhar, em sua maior parte, através do visor ótico de sua câmera digital, como na grande maioria dos espetáculos cobertos fotograficamente.

Por Paulo Sales – em meio a um espaço conjugado, composto por uma grande sala mobiliada com duas mesas, sendo uma ladeada por uma cadeira e um outro assento sem encosto, posta para o café da manhã, e outra como apoio a utensílios de toucador, sobre a qual destaca-se um abajur; e por uma pequena cozinha equipada com uma bancada que serve de apoio a um diminuto fogão e uma pia cuja torneira de parede recebe a alimentação de água por intermédio de um reservatório fixado na parede, entre os quais, uma prateleira de madeira serve como descanso para toda sorte de produtos de cozinha e de acessórios culinários. Adjacente à cozinha, um hall íntimo, cuja parede sustenta um diploma emoldurado e uma pequena estante com livros, conduz ao quarto do casal Rowland.  Dado momento, supostamente ao alvorecer, a Sra. Rowland surge de sua alcova e inicia um percurso, pelo visto, rotineiro diário, através daquele espaço conjugado, pondo-se a refletir e a choramingar enquanto prepara o dejejum com o pouco disponível em sua improvisada dispensa, durante duros minutos de privação de qualquer verbalização por parte da personagem. No máximo, a emissão de sons que podem ser tomados por sussurros e gemidos de amargura – mas repletos de ruídos promovidos por seus passos, pela água que flui pela torneira e pelos objetos manuseados que cortam o silêncio ensurdecedor, que certamente comove, que perturba e que intervém no emocional dos espectadores sentados naquele aposento, compartilhando, inevitavelmente, daqueles aparentes infindáveis momentos que amarguram aquela mulher sofrida e totalmente desesperançada. Quebrando a sua auto imposição ao silêncio, durante os primeiros minutos da manhã, a Sra. Rowland clama por Alfred, seu marido, sem com isso receber qualquer resposta daquele que, aparentemente, ainda se dá o direito ao sono, vitimado pelas ofensas de sua esposa, que o faz lembrar ser um estorvo  desempregado e por não mais levar dinheiro para casa, há muito – e que, possivelmente, jamais mais será capaz de fazê-lo, mesmo que assim, o quisesse. Fontes de luz ofuscantemente desnudas e que parcamente iluminam a cena que se desenrola naquele palco, transforma a plateia em fundo infinito escurecido e opalescente, dando a nítida impressão de que os privilegiados quatorze eleitos para subir ao palco fossem os únicos presentes, invisíveis aos olhos da Sra. Rowland.

Por Mauro Senna – a partir de um semi breu sustentado pela ausência de uma iluminação teatral sistematizada, enquanto espectadores adentram a sala de espetáculos, plateias acomodadas, eis que se materializa uma boca de cena sob um desenho de luz composto por lâmpadas de filamento, expostas sem qualquer proteção de dispositivos que justifique denominá-las luminárias. Algumas delas, responsáveis por uma triste emissão luminosa comparável à luz de candeeiro, em sua maioria, ofuscando a percepção da infinidade de elementos cenográficos e complementos distribuídos em meio aquele espaço, contemplando funções de estar, de refeições, de lavanderia, de vestir, de pentear e de maquiar. Compondo o interior, de forma casual e involuntária, e retratando o estado de degradação do amor pela vida – uma poltrona no meio da sala se torna berço de restos daquilo que um dia poderia ser chamado de boneca / uma mesa de refeições aguarda a presença de duas pessoas, aparentemente, jamais presentes, visando ao compartilhando de momentos de prazer e de diálogo / outra mesa, em primeiro plano, acolhe sob si um baú de madeira, que somente Deus é capaz de conceber o que há em seu conteúdo, e sobre a qual um abajur, quando aceso, torna aquele conjunto, um dos melhores elementos de composição da cena / extrema esquerda, uma diminuta bancada engastada na parede, em parceria com uma prateleira suspensa e, em primeiro plano, uma mesinha de apoio em madeira torneada, compartilham suas superfícies  com objetos, utensílios, dispositivos de alimentação de água e de iluminação, definindo aquele espaço como cozinha, sob intenso contraste lumínico que define claros e escuros comparáveis a pinturas renascentistas “Rembrandtianas” / extrema direita, ao fundo, um varal de roupas improvisado, ocupado por peças íntimas e outros panos, se impõe como instalação mesclada ao que resta da estamparia, aparentemente floral, do revestimento das paredes, e sobre as quais, um quadro clama pela proteção divina daquela casa, outro quadro se perde em meio à desproporcionalidade entre seu tamanho e o da parede onde se encontra pendurado e marcas de outros tantos que não mais existentes, desafiam a intenção de, um dia, terem se tornado elementos decorativos / centralizados, ao fundo, um espelho de parede emoldurado por madeira escura, ladeado por um cabide de pé, sustentando roupas que, possivelmente, são usadas repetidamente, dia após dia, em decorrência de uma voluntária falta de opção / no limite extremo direito da boca de cena, não merecedor de resquícios de penumbra, sequer, se oculta um depósito, não necessariamente sob a forma de mobiliário, que parece abrigar utensílios de limpeza da casa / meio do caminho entre a cozinha e o cabide sentinela, a entrada do que pode supostamente se tratar do quarto de uma mulher e de um homem que, simplesmente, habitam sob o mesmo teto. Dá-se início ao espetáculo sob a demanda do estímulo aos sentidos da visão, da audição e do olfato, sob uma regência capaz de transportar os espectadores mais sensíveis, como em um passe de mágica, através do tempo, a situações há muito arquivadas em seu subconsciente. A passiva plateia no palco, transmite a formação de uma assembleia de fantasmas atônitos frente ao desespero da Sra. Rowland por uma luz no fim do túnel, possivelmente inatingível por opção, diante de uma acomodação involuntariamente desejada, ao longo da história de sua vida, e escrita, quem sabe, de seu próprio punho.

Tudo isso, “Antes do Café”, espetáculo cujo texto, de autoria de Eugene O'Neill – dramaturgo anarquista e socialista estadunidense, merecedor agraciado pelo Nobel de Literatura de 1936 e Prêmio Pulitzer, por várias vezes – é regido pela genial direção de Jorge Farjalla.  Camadas de injúrias, indignação, luto e traição faz da estrela Nadia Bambirra uma Sra. Rowland desagradavelmente real. A cenografia inconformista imaginativa e realista de Camila Rodrigues arquiteta o espaço necessário ao texto, impregnado de melancolia, conforme concebido pelo diretor, que também assina a direção de arte, o desenho de luz e o figurino que nos remete a miséria caótica e que consagram o conjunto da obra, sem escapismo e sem inspiração romântica – apenas uma encarnação de tudo que pode fazer parte de nossas vidas, que não são privilegiadas pelo zelo preciosista de Farjalla.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Pequeno Segredo


A indução do espectador ao modo estático temporal

Um grande segredo por detrás da intrínseca direção de David Schurmann – a construção de uma história sobre um elemento estruturado por quatro pilares - em alguns momentos, confusa, mas engenhosamente articulada, com traços de delicadeza e de forte sensibilidade; a indução do espectador ao modo estático temporal e à reflexão sobre a vida, sobre os imprevistos e sobre  a morte; o desenrolar dos acontecimentos sem a prévia definição de um tempo passado, de um tempo futuro e de um tempo presente, mas marcadas por uma existência plena e que passam por uma mixagem processada pelo roteiro de Schürmann, Marcos Bernstein e Victor Atherino.

O apelo abusivo pela emoção só não torna o longa “Pequeno Segredo” algo piegas, muito em função da capacidade de interpretação dos protagonistas ao contar a história de Jeanne (Maria Flor) – que contrai o vírus HIV em uma transfusão de sangue; de Robert (Errol Shand), que também se torna soropositivo por intermédio de sua futura esposa, Jeanne; e de Kat (Mariana Goulart), filha do casal – concebida antes que seus pais tomassem conhecimento de sua soropositividade – que já nasce portadora do HIV. Após a morte de Jeanne e prevendo seu próximo estado terminal, Robert entrega sua filha para o casal Schurmann (Marcello Antony e Júlia Lemmertz) para adoção.

Um fato a ser constatado e processado à livre escolha ou sob o impacto sentimental de cada um – ponto final.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Clarice Falcão - “Problema Meu”


Mergulhada nas melhores boas vindas pela plateia

Noite de 1º de novembro de 2016, em plena terça-feira, véspera de feriado nacional, a Rua Álvaro Alvim, no Centro do Rio de Janeiro, se encontra repleta de uma mistura tribal de frequentadores da boemia carioca. No entorno da bilheteria e do acesso ao Teatro Rival, mesas e cadeiras se espraiam pelas ruas e calçadas, atendidas por uma diversidade de bares e restaurantes, de onde tulipas de chopp saciam a sede daqueles que parecem ladear o acesso dos fãs de Clarice Falcão à casa de maior representatividade da resistência cultural da cidade que, naquela noite e na seguinte, abriga o show “Problema Meu”.

A trupe do “Cabaré on Nice” mostra um pouco do teatro de revista, do burlesco e do cabaret praticados na casa noturna “Buraco da Lacraia” pelos humoristas performáticos Sidnei Oliveira, Letícia Guimarães, Luis Lobianco e Éber Inácio. A homenagem à transformista Laura de Vison, musa do underground carioca dos anos de 1990 do bar “Boêmio” no Centro do Rio, é prestada por Lobianco dublando “Vaca Profana”, na voz de Gal Costa, levando ao público, maciçamente jovem naquela noite, ao delírio. Leticia canta “Porto Solidão”, imortalizada na voz de Jessé e, para finalizar o pocket show, a trupe soterra o politicamente correto com a paródia da música gospel “Faz Um Milagre Em Mim”, de Regis Danese, entoando o seguinte refrão: “Entra no meu buraco/ Entra que tem bebida/ Eu recebo minhas entidades/ Minha pomba gira, gira” – lacrando, assim, a abertura do show de Clarice.

Ao som de “Irônico”, a jovem cantora e atriz surge saltitante no palco do Rival, cuja vibe é assimilada e replicada pela plateia, seguida de “Eu Escolhi Você” e “Eu Esqueci Você” potencializados pelo público como parceiro uníssono. Mergulhada nas melhores boas vindas pela plateia, Clarice lhe dá boa noite com “Deve Ter Sido Eu”, sentando-se, em seguida, para entoar “Se Esse Bar” – finalizando a canção sendo retirada à força daquele boteco imaginário, estabelecendo o momento cômico da apresentação, retratando, fidedignamente, a história que acaba de cantar. Luzes do palco se acalmam quando a versão de Clarice para  “L’Amour Toujour” de Gigi D'Agostino se mistura a “Talvéz”, aplacando os ânimos dos seus admiradores e permitindo a recuperação do seu fôlego para “Marta” e para – a própria Clarice, o “lixo” do álbum “Problema Meu”, garantindo dessa forma, um pouco mais de tempo de show, com “Robespierre”. Recordando sucessos do passado, manda com “Eu Sou Stefhany” de Stephany Cross fox  - uma adaptação da "A Thousand Miles" de Vanessa Carlton. No palco, com Clarice, sua banda composta por: Kassin, no baixo; Danilo Andrade – no teclado; João Erbeta, na guitarra; e Pedro Garcia, na bateria.  Retomando o seu próprio repertório, “Eu Me Lembro” conta com a participação vocal do guitarrista João Erbeta, seguido pelo bolero derivado do brega “Banho de Piscina”, composta por João Falcão. Quase que, finalmente, Clarice lança mão da ironia para anunciar a derradeira canção de seu play list antes do bis e canta “Como É Que Eu Vou Dizer Que Acabou?” – momento em que o palco é invadido por meia dúzia de indivíduos da plateia, possivelmente, sob convite em off da produção, se debelando em uma dança frenética juntamente com Clarice. Sob ovação pelos fãs, retorna ao placo com “Monomania”, “Survivor” e uma sequência de pagode do grupo “Só Pra Contrariar” – “Essa Tal Liberdade” e “Mineirinho”. 

Fecha a noite, alto estilo, com “Vagabunda”.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Curumim


Compreende todo o sofrimento imposto ao homem não mais pedante e sem o ar de superioridade diante da morte

O brasileiro Marco Archer, fuzilado na Indonésia em janeiro de 2015 após ser condenado por tráfico de drogas, tem os seus últimos dias de vida transportados para as telonas pelo diretor Marcos Prado – em respeito ao pedido de Archer de ser tomado como exemplo para outros jovens que possam vir a ter suas vidas envolvidas com o narcotráfico.

O documentário “Curumim” reproduz as cartas escritas de dentro do presídio e filmagens realizadas pelo próprio Archer, enquanto aguardava a sua hora no corredor da morte – uma narrativa repleta de flashes de sua infância, juventude e de sua vida em família. Curumim, nome pelo qual Archer era conhecido pelos amigos na época que era jovem rico e esportista, compreende todo o sofrimento imposto ao homem não mais pedante e sem o ar de superioridade diante da morte.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Historinhas


Resgata empenho, persistência, paciência, tolerância, civilidade e respeito

O conteúdo moral descrito no espetáculo infantil “Historinhas” transmite valores educativos através da imaginativa direção de Sura Berditchevsky que resgata empenho, persistência, paciência, tolerância, civilidade e respeito, durante cinquenta singelos minutos inspirados nas seguintes fábulas: “Pequeno Herói da Holanda”, de Etta Austin Blaisdell e Mary Frances Blaisdel; “A Tartaruga e a Lebre”, de Esopo; “A Boneca”, de Olavo Bilac; e lendas e folclores, como o “A Galinha Ruiva”, “Por Favor” e “As Estrelas do Céu”.

O grande elenco composto pelos atores mirins – Anna Clara Rimes, Barbara Brandão, Christianne Rebello, Emanuelle Pícoli, Gabriel Puga, João Gabriel Bolshaw, João Pedro Chaseliov, Julia Brykman, Julia Sawyer, Lara Knoff, Lucas Francelino, Luisa Sabença, Luiz Galli, Luna Taubman, Maria Eduarda Cozac, Maria Francisca Bolshaw, Maria Nabuco, Marina Louro, Maitê Haical, Mateus Ribeiro, Norah Iglesias, Paloma Far, Pedro Campello, Raphaela Miguel, Rafaela Paredes e Theo Iglesias – asperge gotas de sabedoria nos adultos que acompanham seus rebentos, agregados infantis, sugerindo caminhos alternativos com vistas à formação moral dos pequeninos. Renato e Ricardo Vilarouca assinam os desenhos cenográficos projetados que tornam o espetáculo tão dinâmico quanto o folhear das páginas de um livro de literatura infantil ilustrado. Os figurinos e adereços de Chris Chevriet, Vera Raiser e Leo Brazas definem equilíbrio singular entre a contemporaneidade das vestimentas e respectivos acessórios, e a ingenuidade pueril. Rodrigo Belchior, responsável pela direção musical, é certeiro ao familiarizar as canções dos “Beatles” por jovens estudantes de música do antigo projeto Villa Lobinhos. A Iluminação cênica de Sura Berditchevsky e Rebeca Tolmasquim interage com o videografismo, de modo a inserir os personagens, da melhor forma possível, nas cenas projetadas.

“Historinhas” faz com que, tanto crianças quanto adultos, olhem para um mundo onde, ser o melhor não requer, necessariamente, ser o mais rápido, o mais forte, o mais abastado – defende o respeito ao próximo e por uma sociedade que não tenha como máxima "quem pode mais chora menos".