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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Clarice Falcão - “Problema Meu”


Mergulhada nas melhores boas vindas pela plateia

Noite de 1º de novembro de 2016, em plena terça-feira, véspera de feriado nacional, a Rua Álvaro Alvim, no Centro do Rio de Janeiro, se encontra repleta de uma mistura tribal de frequentadores da boemia carioca. No entorno da bilheteria e do acesso ao Teatro Rival, mesas e cadeiras se espraiam pelas ruas e calçadas, atendidas por uma diversidade de bares e restaurantes, de onde tulipas de chopp saciam a sede daqueles que parecem ladear o acesso dos fãs de Clarice Falcão à casa de maior representatividade da resistência cultural da cidade que, naquela noite e na seguinte, abriga o show “Problema Meu”.

A trupe do “Cabaré on Nice” mostra um pouco do teatro de revista, do burlesco e do cabaret praticados na casa noturna “Buraco da Lacraia” pelos humoristas performáticos Sidnei Oliveira, Letícia Guimarães, Luis Lobianco e Éber Inácio. A homenagem à transformista Laura de Vison, musa do underground carioca dos anos de 1990 do bar “Boêmio” no Centro do Rio, é prestada por Lobianco dublando “Vaca Profana”, na voz de Gal Costa, levando ao público, maciçamente jovem naquela noite, ao delírio. Leticia canta “Porto Solidão”, imortalizada na voz de Jessé e, para finalizar o pocket show, a trupe soterra o politicamente correto com a paródia da música gospel “Faz Um Milagre Em Mim”, de Regis Danese, entoando o seguinte refrão: “Entra no meu buraco/ Entra que tem bebida/ Eu recebo minhas entidades/ Minha pomba gira, gira” – lacrando, assim, a abertura do show de Clarice.

Ao som de “Irônico”, a jovem cantora e atriz surge saltitante no palco do Rival, cuja vibe é assimilada e replicada pela plateia, seguida de “Eu Escolhi Você” e “Eu Esqueci Você” potencializados pelo público como parceiro uníssono. Mergulhada nas melhores boas vindas pela plateia, Clarice lhe dá boa noite com “Deve Ter Sido Eu”, sentando-se, em seguida, para entoar “Se Esse Bar” – finalizando a canção sendo retirada à força daquele boteco imaginário, estabelecendo o momento cômico da apresentação, retratando, fidedignamente, a história que acaba de cantar. Luzes do palco se acalmam quando a versão de Clarice para  “L’Amour Toujour” de Gigi D'Agostino se mistura a “Talvéz”, aplacando os ânimos dos seus admiradores e permitindo a recuperação do seu fôlego para “Marta” e para – a própria Clarice, o “lixo” do álbum “Problema Meu”, garantindo dessa forma, um pouco mais de tempo de show, com “Robespierre”. Recordando sucessos do passado, manda com “Eu Sou Stefhany” de Stephany Cross fox  - uma adaptação da "A Thousand Miles" de Vanessa Carlton. No palco, com Clarice, sua banda composta por: Kassin, no baixo; Danilo Andrade – no teclado; João Erbeta, na guitarra; e Pedro Garcia, na bateria.  Retomando o seu próprio repertório, “Eu Me Lembro” conta com a participação vocal do guitarrista João Erbeta, seguido pelo bolero derivado do brega “Banho de Piscina”, composta por João Falcão. Quase que, finalmente, Clarice lança mão da ironia para anunciar a derradeira canção de seu play list antes do bis e canta “Como É Que Eu Vou Dizer Que Acabou?” – momento em que o palco é invadido por meia dúzia de indivíduos da plateia, possivelmente, sob convite em off da produção, se debelando em uma dança frenética juntamente com Clarice. Sob ovação pelos fãs, retorna ao placo com “Monomania”, “Survivor” e uma sequência de pagode do grupo “Só Pra Contrariar” – “Essa Tal Liberdade” e “Mineirinho”. 

Fecha a noite, alto estilo, com “Vagabunda”.

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