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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Serve-se


Ao sabor do vento potencializado pelas vozes de poetas e declamadores

Dia 10 de novembro de 2016: segundo e último dia da apresentação de “Serve-se” – espetáculo da série de seis apresentações que contemplam a ocupação do Teatro Serrador pelo “Grupo Nós do Morro”, em comemoração aos seus 30 anos – o Circuito Geral confere o projeto do ator, diretor, poeta e músico Marcello Melo, moldado em formato de show, de encontro, de sarau, quiçá, um musical poético, segundo ele mesmo. Na plateia, junto ao palco, folhas de papel impresso com poemas, como partes de uma árvore que se deixa desmanchar ao sabor do vento potencializado pelas vozes de poetas e declamadores genuínos.

A descontração em meio a uma comunidade, até mesmo a amizade de anos que a vida separa mas as afinidades  mantém antigos parceiros unidos, toma a atmosfera lírica da casa de espetáculos, como casuais encontros durante os quais são verbalizadas as experiências que a vida concede a cada um. Em meio a um de seus desempenhos, Melo aborda a letra de “Haiti” de Caetano Veloso e Gilberto Gil, sob o aspecto social da discriminação racial contemporânea. O momento de descontração fica por conta de Bruno Barbosa que, parodiando Marília Gabriela, promove ímpetos de gargalhadas espontâneas por parte do público presente. O cantor Arthur Maia conta como foi o seu primeiro contato quando criança com Elis Regina e dá seguimento à sua apresentação, presenteando o público com sua interpretação de “Meu Romance”, de Orlando Silva. Reassumindo os moldes do sarau declamado, Melo profere “A Poesia Fode Comigo”. Manoel Herculano entoa “Rio Maranhão”, presta sua homenagem a Ariano Suassuna, com “Simples Imortal”, e fecha sua participação ovacionado pela plateia após proferir a letra de “De Tanto Amor” de Roberto e Erasmo Carlos, seguida por “Com a Palavra”. João Gurgel Filho, filho de Sérgio Ricardo, presta uma homenagem ao pai com a música “Emília”, que fez parte da trilha sonora do Sítio do Pica-Pau Amarelo de 1977. Arievo, em uma performance avassaladora e acompanhado pela competência instrumental de Netho Rodrigues – na bateria; de Antônio Dal Bó – na guitarra e no teclado; e de Giordano Bruno Gasperin – no baixo, componentes da banda TriJAZZ, combina uma química explosiva de som, imagem e cor, para a música “Oya” do grupo Metá Metá.

Final do espetáculo, como uma grande família, o elenco reunido brinca com duas músicas que fizeram grande sucesso na voz de Gil – “Eu Só Quero Um Xodó” e “Tenho Sede” – despedida de peso da ocupação da noite.

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