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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Um Milagre de Natal



Uma plateia madura, repleta de genuíno e inocente sentimento infantil


Radiografando a celebração do Natal, tomando como objeto as relações familiares, de um modo geral, indissociadas das classes sociais e do número de membros que compõem esses núcleos: seus altos e baixos recorrentes da vida cotidiana, as reuniões temperadas por sentimentos embasados por guerras frias pessoais, o vazio causado pela falta de um familiar ou de um amigo próximo, ou simplesmente a perda do seu real significado como data comemorativa, seja pela sua essência religiosa ou deturpada pelo capitalismo selvagem – ambos, sempre à espera de um milagre.

A partir desse enfoque, a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, sob a produção geral de Carlos Alberto Serpa, tematiza o seu tradicional chá da tarde musical, com o espetáculo dirigido por Bruno Torquato – “Um Milagre de Natal”, em cartaz até o dia 7 de janeiro de 2017.

A direção musical de Guilherme Borges alinha a história que tem início em uma véspera de Natal e que se encerra, após a meia noite, segundo um cenário onde rupturas se consolidam, sofrimentos são amenizados e as separações se configuram em, simplesmente, uma triste página virada. Um conto embalado por melodias natalinas consagradas nacional e internacionalmente, transforma a degustação de um chá e a expectação de um musical em momento singular de emocionante confraternização. A permanente troca do requintado e lúdico figurino promove um desfile de uma variedade de vestes temáticas assinadas Beth Serpa. A coreografia de Átila Amaral magnetiza o público de tal forma a promover um involuntário, mas genuíno acompanhamento dos movimentos dançantes dos atores pelo sutil ritmar de suas cabeças e membros. A iluminação de Diego Araujo, mesmo com recursos limitados pela própria configuração arquitetônica da sala de chá, é bem sucedida ao dramatizar, surpreender e apoteotizar as mais diversas cenas ao longo do espetáculo. O polivalente e integrado elenco, integrante da Companhia de Teatro Julieta de Serpa – igualmente dirigida por Carlos Alberto – é composto por Dean Moreira, Denis Pinheiro, Julia Nogueira, Lidiane Rodrigues, Lucia Bianchini, Luiz Gofman, Rafael Siano, Roberta Spindel, Santiago Villalba, Tatty Caldeira e Vitor Martinez, que compartilham o palco com os músicos Ayres D’Athayde, na bateria; Francisco Nilson, no baixo; Bruno Marque, no sax e flauta; Anderson Medeiros, no trompete e Ciro Magnani, no piano, trazendo para a realidade, a essência natalina, junto a uma plateia madura, repleta de genuíno e inocente sentimento infantil, responsável pela transformação do fim de um espetáculo em uma fantasia tão real, quanto a expectativa da realização de um milagre.


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