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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Batistério


Purificação através do pecado

Aspersão ácida pulverizada a partir de argumentos bíblicos, sacramenta a purificação através do pecado – o espetáculo “Batistério” confronta o espectador com indivíduos tidos como criaturas da obra Divina, com veladas possíveis intenções de lhe fazer sentir incluído entre os que tomam o Santo Nome como forma a mascarar a sua hipocrisia. 

O espetáculo materializa a livre adaptação do texto de Rosmersholm de Henrik Ibsen com o remissivo texto de João Cícero, sob a égide de sua irrefutável direção. O projeto e objetos cenográficos concebidos por Ticiana Passos, além de ocupar toda a extensão do palco, expõe ao olhar do espectador, as coxias e os diversos subcenários onde se desenvolvem as cenas que acendem e apagam ao sabor do desenho de luz de Tomás Ribas que, por sua vez, lança fachos sobre os personagens, sem qualquer pudor, revelando sua imagem e semelhança ao Todo Poderoso, como os fanáticos religiosos apregoam, amparados por uma fé pouco convincente. A ritualística direção de movimento de Laura Samy disciplina a interpretação do elenco, composto por Ana Paula Novellino, Evandro Manchini, Laura Nielsen e Ricardo Ricco Lima, deixando transparecer a falta de espiritualidade preponderante diante do dilema de seus personagens.

As sagradas escrituras por Romanos, Coríntios, João, Mateus e Marcos são proferidas como prólogos de cada uma das cenas desenvolvidas pela família composta pelo Pastor Jacó, sua esposa – a cadeirante Rute, a empregada Hilda e o filho pródigo Davi, nas quais o fanatismo assume ares de doença, com seu pretexto de ajudar os que precisam, cegando-lhes e tirando-lhes a autoestima e redirecionando-os ao caminho do sacrifício místico.


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