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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Redemoinho


Fiel depositário de licenças poéticas baseadas no livro “O Mundo Inimigo – Inferno Provisório Vol. II” de Luiz Ruffato

A imanente direção de José Luiz Villamarim dedicada ao filme “Redemoinho” transcende a condição humana de seus personagens, a partir da tríade passado-presente-futuro, configurando a antiga amizade entre dois moradores da interiorana cidade de Cataguases, Minas Gerais – Luzimar e Gildo, fenomenalmente interpretados por Irandhir Santos e Júlio Andrade, respectivamente.

O drama tem início com a chegada de Gildo a Cataguases – vindo de São Paulo, para passar o Natal com sua mãe, interpretada por Cássia Kiss Magro; e com o retorno de Luzimar a sua casa após um dia de trabalho – esperado por sua esposa, defendida por Dira Paes, que o aguarda para passarem a véspera de Natal em família. Durante seus respectivos trajetos, seus caminhos se cruzam e os amigos se reencontram. A partir desse momento, a turbulência presente no passado comum os direciona para um intenso acerto de contas. A atemporalidade do roteiro de George Moura remete o espectador a uma cronicidade expansiva, confrontando-os com a pequenez humana dos personagens e fazendo-os com que a enxerguem em si mesmos. A infinitude fotográfica de Walter Carvalho sobrepõe as cenas ao texto, elucidando os hiatos entre os antes e os depois presentes nas vidas de cada personagem.

“Redemoinho” é fiel depositário de licenças poéticas baseadas no livro “O Mundo Inimigo – Inferno Provisório Vol. II” de Luiz Ruffato, o que engrandece, ainda mais, a linguagem contemplativa e a qualidade cinematográfica de Villamarim.



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