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quinta-feira, 16 de março de 2017

A Bela e a Fera


Não encanta, sequer surpreende, mas entrega a narrativa clássica sem desnivelá-la

A versão live action do clássico Disney “A Bela e a Fera” evidencia detalhes que a animação de 1991 mascara sob o manto da inocência infantil. A partir da figura de um príncipe – arrogante e insensível perante as diferenças sociais em seu reino – encantado por uma feiticeira que, disfarçada em uma pobre velha em súplica por alimento, é humilhada pelo nobre, diante de seus súditos, em meio a uma festa em seu palácio, e o transforma em uma horripilante fera. Dan Stevens encarna esse personagem enfeitiçado que, mesmo após ter caído em desgraça pelas mãos da feiticeira – interpretada por Emma Thompson – continua alimentando seu egocentrismo até mesmo quando faz de refém um ancião, pelo simples fato de ter colhido uma rosa vermelha de seu jardim, fazendo de sua filha Bela moeda de troca.

História mais do que conhecida, com final óbvio calcado no “e viveram felizes para sempre”.

No entanto, difere essa versão da anteriormente animada, por permitir uma nova leitura, tanto dos protagonistas quanto dos antagonistas, por parte dos espectadores – até mesmo do público infantil, que conquistou um nível de maturidade muito superior à de sua geração há vinte e seis anos atrás. Uma Bela – assumida por Emma Watson – tida pelos moradores do lugarejo onde vive como uma pessoa esquisita, por ser letrada, culta e sedenta pela leitura e que, em sua essência, guarda dentro de si um certo desdém por todos.  Um Gaston – incorporado por Luke Evans – machista, egocêntrico, canastrão que transita pela bissexualidade de maneira não muito explícita, mas muito bem desenhada quando das cenas junto ao seu comparsa, assumidamente gay,  Le Fou – sagazmente assimilado por Josh Gad.

A direção de Bill Condon não encanta, sequer surpreende, mas entrega a narrativa clássica sem desnivelá-la.


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