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sábado, 18 de março de 2017

A Outra Casa


O diagnóstico não é o que se espera

O declínio mental e o colapso familiar de Juliana Smithton, muito bem desfragmentada por Helena Varvaki, é o sintoma inicial do espetáculo “A Outra Casa”, cujo o texto de Sharr White se decompõe e se mistura ao processo de assimilação pelos espectadores, da carga dramática pela qual passam os personagens. Personagens que se projetam de forma dessincronizada, para logo em seguida, se fundirem à história de Juliana – a famosa e renomada neurologista.

Manoel Prazeres assina a sólida direção do espetáculo que, de maneira prismática, retrata os personagens, seja no plano real ou imaginário, amparado pela intervenção do desenho de luz idealizado por Renato Machado, que aguça a percepção do espectador ao se situar na linha do tempo em que a história trafega. A cenografia de Doris Rollemberg é substancial e executa o seu papel de captar a demência que leva para a intimidade o luto de uma perda imensurável. A direção de vídeo de Rodrigo Turazzi compreende a crise da personagem, através de fios narrativos entrelaçados com uma reunião de neurologista e devaneios desconectos. O elenco ancorado nos surtos de Juliana, é defendido por Sávio Moll, Gabriela Munhoz e Rick Yates.

A exaustão emocional contida em “A Outra Casa”, é quase como uma ressonância magnética coletiva, compartilhada entre elenco, personagens e plateia, através da qual, o diagnóstico não é o que se espera.


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