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domingo, 12 de março de 2017

Rent


Um retrato dos encontros e desencontros, das relações de amizade, dos momentos presentes, da solidão, dos problemas financeiros, do companheirismo, da vida, do transparecer da sexualidade, das perdas, do cuidar uns dos outros e do amor


Quem: Mark Cohen (Bruno Narchi) – um cineasta perdido que mora com Roger Davis (Thiago Machado) – um músico ex-integrante de uma quase bem sucedida banda de punk rock, viciado em drogas e portador do vírus HIV; Mimi Marquez (Ingrid Gaigher) – uma dançarina sadomasoquista, vizinha do andar de baixo, que acaba por reacender a transtornada vida de Roger; Tom Collins (Max Grácio) – um gênio da computação e professor universitário que comparece à cidade para passar a noite de Natal com seus amigos e que, após um assalto, acaba conhecendo Angel (Diego Montez) – um percussionista de rua e drag queen; Benny (Mauro Souza) – proprietário do imóvel que, vez em quando, aparece para cobrar o aluguel; Maureen Johnson (Thuany Parente) – ex parceira de Mark, uma artista performática empenhada na luta contra a cobrança e a desapropriação dos terrenos da região, auxiliada por Joanne Jefferson (Priscila Borges) – uma advogada feminista, atual namorada de Maureen. Complementando a trupe de “Rent” a participação, em uníssono, de Arthur Berges, Bruno Sigrist, Carol Botelho, Felipe Domingues, Guilherme Leal, Kaíque Azarias, Lívia Graciano, Philipe Azevedo e Zuba Janaina.

Quando: noite da véspera de Natal de algum ano dos 1980, representando um recorte de um ano da vida de Mark que ama Maureen que, por sua vez, sente atração por Joanne; e de Roger, apaixonado por Mimi que mora com Tom, que gosta de Angel.

Rent é um retrato dos encontros e desencontros, das relações de amizade, dos momentos presentes, da solidão, dos problemas financeiros, do companheirismo, da vida, do transparecer da sexualidade, das perdas, do cuidar uns dos outros e do amor.

Musical de autoria do compositor e escritor de peças norte americano Jonathan Larson estreado em 1996 Off Broadway, “Rent” inspira o ator Bruno Narchi a fazer musicais, cujo projeto e realização deste, conta com a parceria da produtora Bel Gomes. A versão brasileira de autoria de Mariana Elisabetsky respeita o compasso e a cadência do texto original, incluindo a métrica dos versos que compõem a trilha sonora, regida com maestria pela direção musical de Daniel Rocha. Adicionalmente – o preenchimento de todas dimensões da boca de cena com a solidez e maturidade dos movimentos e do desempenho coreográfico sob a rédea de Kátia Barros, o minimalismo em meio ao fundo negro infinito que define a linguagem urbana inserida na concepção do projeto cenográfico por André Cortez, a radiografia da essência de cada um dos personagens traduzida pelo figurino e pelo vizagismo assinados por Fause Haten e por Leopoldo Pacheco, respectivamente, e o realce das nuances que retratam a carga dramática e a efusividade jovial presente em cada um dos personagens pelo desenho de luz de Wagner Freire – celebram o casamento interdisciplinar das técnicas de palco pela competente regência da direção de Susana Ribeiro.


Não são raras as possibilidades de Rent se entrelaçar com as experiências de vida de muitos dos espectadores, independentemente das gerações as quais pertencem, tanto quanto os membros que compõem a exímia banda camuflada no palco como se, naturalmente, fizessem parte de cenas ao longo das calçadas nova-iorquinas contemplando instrumentistas em plena performance em busca de sua sobrevivência – mesmo que, o suficiente para o pagamento de um simples aluguel.

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