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domingo, 7 de maio de 2017

Andança - Beth Carvalho, o Musical


Única mulher que o samba chamou de rainha


Noite de 23 de abril – última apresentação da curta temporada de “Andança - Beth Carvalho, o Musical” no tradicional e mais antigo teatro da cidade do Rio de Janeiro – o Teatro João Caetano.

Montado a partir do texto assinado por Rômulo Rodrigues, sob direção de Ernesto Piccolo, o espetáculo assume caráter biográfico-consagratório, em função dos 50 anos de carreira da cantora e compositora brasileira de samba completados em 2015 – ano em que o musical estreia no Rio de Janeiro, no Teatro Maison de France.

Ao discorrer sobre a vida de Beth Carvalho, “Andança” leva ao palco cenas que pontuam a sua vida pessoal. Sua juventude e a sua maturidade atual são papéis acumulados pela atriz Bárbara Mendes, sem qualquer artifício de maquiagem que possa denunciar as marcas dos anos na figura da protagonista integrada à direção de movimento de Sueli Guerra – manobra que reforça o trabalho de Mendes enquanto incorporação do gestual da protagonista.

De forma pragmática e simplista, somente o figurino assinado por Ney Madeira e Dani Vidal se encarrega de caracterizar todos os personagens ao longo da linha do tempo definida pelo espetáculo, ilustrada por fatos marcantes da história, embalados pelos sucessos musicais que definem a trajetória da carreira de Beth Carvalho.

De forma caricata, Isaura – fã inveterada da cantora, interpretada pela atriz Renata Tavares – assume as rédeas da narrativa do espetáculo, e conquista a plateia com suas tiradas cômicas. Na essência, Isaura registra o passar dos cinquenta anos da carreira da protagonista, dos avanços tecnológicos dos meios de comunicação e da inclusão do idoso como individuo ativo e participativo ao longo da evolução social, até então.

Os demais integrantes do coeso elenco, contemplando atores que desempenham múltiplos papéis, trazem ao palco parceiros de carreira de Beth Carvalho – Atila Soares, como Nelson Cavaquinho, Milton Nascimento e Arlindo Cruz; Bruno Ganem, desempenhando João, pai de Beth e Chacrinha;  Douglas Vergueiro – como Zeca Pagodinho e outros; Leo França, como Cartola, Silvio Caldas, Danilo Caymmi e outros; Paula Pardon, na pele da Prof. Julieta, da enfermeira e de outros; Paulo Ney, desempenhando Martinho da Vila e outros; Natasha Jascalevich, interpretando Maria Bethania, a mãe de Beth e outros;  e Wal Azzolini, assumindo Clementina de Jesus e outros – os remete à lembrança dos espectadores, graças a seus esforços pessoais quase pantomímicos, capazes de satisfazer as necessidades da plateia de se manifestarem através de risos genuínos – sem qualquer desmerecimento ao seu desempenho, mas à sombra dos programas televisivos formatados com vistas à facilidade de assimilação, baseados em quadros que levam à sitcom ou aos bordões.

A direção musical e o arranjo musical de Rildo Hora em comunhão com a preparação vocal e o arranjo vocal de Pedro Lima confere o status apoteótico ao espetáculo, coroado pela banda composta pelo piano de Marcio Eduardo Melo; pelo violão 7 cordas de Rafael Prates; pelo sopro de Ninil Lopes; pelo baixo de Mario Zazv e pela bateria de Helbe Machado e dinamizado e pela coreografia de Sueli Guerra.

Assumindo as funções de sutil anteparo visual permitindo visibilidade secundária dos músicos presentes em cena, fazendo vez de plano de fundo e, devido do sistema de deslizamento que lhe é conferido a partir de seu eixo, de entrada e de saída constante dos atores em meio à diversidade de cenas demandadas pelo roteiro, o projeto cenográfico de autoria de Clivia Cohen cumpre a funcionalidade exigida pela dinâmica de palco. Desempenhando funcionalidade similar, o desenho de luz de Djalma Amaral se atém a iluminar as cenas quantitativamente, declinando os efeitos que poderiam contribuir visualmente para com as cenas coreografadas e musicalizadas.


Longe da pretensão de tentar estabelecer qualquer comparação entre os espetáculos apresentados em temporadas anteriores, em casas de espetáculos distintas, às quais não esteve presente, o Circuito Geral infere a possibilidade de que a temporada de “Andança - Beth Carvalho, o Musical” no Teatro João Caetano tenha sofrido subtrações passíveis de serem percebidas pelo espectador atento. Contudo, constata a receptividade e a reação mais que positiva da plateia em tendo em vista a popularidade da única mulher que o samba chamou de rainha.


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