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quinta-feira, 18 de maio de 2017


...aposta nas cenas apavorantes decorrentes da exposição de um horror que emerge de uma realidade concreta, que vai muito além da projeção em uma tela de cinema

Um recado para os cinéfilos acostumados a identificar a qualidade de um filme de terror pela potência dos sustos que causa e pela tensão que provoca, em nome de uma resposta emocional em cadeia: não assistam “O Rastro”, pois esse filme não é feito para você.

O reenquadramento do estilo terror pela belíssima direção de J. C. Feyer faz de “O Rastro” uma produção heterogênea a partir de uma narrativa valorizada em detrimento dos rompantes de susto, como provocados pelos filmes de horror convencionais. O roteiro de André Pereira e Beatriz Manela apresenta critérios bem definidos para o desenrolar da trama e aposta nas cenas apavorantes decorrentes da exposição de um horror que emerge de uma realidade concreta, que vai muito além da projeção em uma tela de cinema.  

“O Rastro” conta a história do médico João Rocha – inquietamente interpretado por Rafael Cardoso – encarregado de remover todos os pacientes remanescentes de um hospital público em vias de ter suas portas fechadas, em função de uma crise que o deixa sem verba para mantê-lo em funcionamento.

O aspecto assustador do filme se manifesta pelo seu tangenciamento com a atual realidade brasileira na área da saúde pública e pela inescrupulosa trajetória política traçada pelos governantes. A fotografia irretocável de Gustavo Hadba desenha o mistério que orbita a trama e se acasala à trilha sonora dotada de esquizofrenia relevante assinada por Fabiano Krieger e Lucas Marcier. O elenco de “O Rastro” – que faz da película um trabalho de ficção-verdade convincente por se entregar com total receptividade ao terror proposto – é composto por Alberto Flaksman, Alice Wegmann, Cláudia Abreu, Érico Brás, Felipe Camargo, Gustavo Novaes, Jonas Bloch, Júlia Lund, Leandra Leal, Ricardo Ventura e Sura Berditchevsky.


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