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terça-feira, 9 de maio de 2017

Oi! Quer Teclar?


Focalizando o hábito sociocultural oportuno em tempos de “Tinder”, o espetáculo “Oi! Quer Teclar?” retrata, em um primeiro plano, os usuários de redes sociais e aplicativos de namoro que assumem território definido entre o mundo virtual e a realidade fantasiosa das cabeças esvoaçadas de seus usuários.

Amanda é uma mulher que se considera encalhada e que mora com o seu amigo gay Danilo, que dá uma de cupido ao se deparar com o perfil de um tal de Victor e lhe envia uma mensagem em nome de sua amiga. A partir desse momento, a promessa de um espetáculo movido pela contemporânea revolução das redes sociais se estilhaça em meio ao texto de Diogo Franco que se perde e que, sequer a dedicada direção de Thiago Grego consegue restaurar. 

Sessão de sexta-feira, dia 28 de abril de 2017, no Teatro Fashion Mall, o Circuito Geral se faz presente ao espetáculo, cuja composição do elenco contempla a atriz Thais Belchior – substituindo Josie Pessoa, Nando Cunha, Hugo Moura, Sheislane Hayalla e Kakau Berredo.  Sem escapatória, o quinteto cumpre, literalmente, com os seus papéis em um processo ininterrupto de comunicação que torna as presenças concomitantes dos personagens, uma infrutífera tentativa de realizar uma cadeia dialógica sobre a história apresentada, longe do título anunciado.

A iluminação de Fernanda Mattos consegue determinar o intercâmbio da comunicação, apresentando formas estáveis em sua construção composicional, valorizando o cenário de Wanderley do Nascimento que reflete e refrata a realidade de um espaço no qual os valores fundamentais de um grupo de pessoas se explicitam e se confrontam, a partir de, apenas, alguns simplificados caracteres. A concepção do figurino de Suzana Jardim tece as vestimentas através de um fio ideológico que serve à trama como um indicador de transformação social, transmitindo ao espectador tudo aquilo que não consta no texto.

A desgastada fórmula de provocar risos adotada tem, em sua medida prática, algo muito complexo – um processo contínuo e equivocadamente necessário de evolução do gênero que incorpora, não somente, o tom alto das falas, mas também a informalidade e a descontração presumível – demandando uma reconfiguração do formato adotado que, no caso de “Oi! Quer Teclar”, assume proporções consideráveis agravado pela abordagem superficial do tema originalmente proposto.


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