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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Divinas Divas


Pertence ao rol das produções documentais essenciais

Descortinando a intimidade e os bastidores da primeira geração de travestis no Brasil, Leandra Leal estreia como diretora cinematográfica e revela, em seu documentário “Divinas Divas”, os perfis nada ortodoxos de Brigitte de Búzios, Camille K, Eloína dos Leopardos, Jane Di Castro, Fujica de Holliday, Marquesa, Rogéria e Valéria que, na década de 1970, corroboraram com a história de uma Cinelândia que renovava o seu perfil como centro de entretenimento popular.

O despojado e divertido roteiro – assinado a oito mãos, por Carol Benjamin, Lucas Paraizo, Natara Ney e Leandra Leal – expõe a política de então, rebuscada de sarcasmos e concedem aos cinéfilos, opiniões defensivas, altivas, e potentes. A nostálgica trilha sonora é capturada, concebida e ambientada, sem excessos, por Plínio Profeta, de mãos dadas aos excessos, genuinamente naturais, do figurino e do visagismo do dia a dia e dos momentos de glória durante o desempenho no palco das divas, enquanto meros cidadãos e esplendorosas artistas. Menção especial à abertura do filme que traduz a essência da obra de tal forma a justificar o testemunho da produção da jovem herdeira do Teatro Rival.

Despretensiosamente, “Divinas Divas” pertence ao rol das produções documentais essenciais. Além de cumprir seu papel de registrar a eclosão de uma manifestação artística genuína e de vanguarda, perpetua a história de uma geração de artistas que ousou enfrentar os padrões da moralidade de uma época em que a revolução sexual desafia os códigos tradicionais de comportamento relacionados à sexualidade humana e aos relacionamentos interpessoais.  “Divinas Divas” se posiciona frente à repressão, quando os homossexuais e os transformistas não passavam de aberrações censuradas e proibidas pelos atos controladores da ditadura – fantasma que ainda reside no preconceito de indivíduos que ainda se deixam levar pela bandeira do temor a Deus e que defendem o modelo único da família, composta por um homem, por uma mulher e por seus filhos legítimos.


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