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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Mulher Maravilha


Algo que poderia ter sido e, sem qualquer razão convincente, não o foi

Manifestando-se através da mais recente produção da DC Comics – “Mulher Maravilha” – a depurada direção de Patty Jenkins veste o manto da compaixão e se mostra, firmemente crédula, no fato de ainda valer a pena salvar a humanidade – apesar de suas inúmeras falhas – pelas mãos do empoderamento feminino.

A telegráfica reconstituição das origens da heroína tem início com breve passagem da sua infância em Themyscira - uma ilha habitada por mulheres, apenas – sem maiores explicações sobre aquele refúgio de guerreiras, sob as bênçãos dos deuses do Olimpo. Em meio à atemporalidade dos fatos, porém, retratando a heroína – já em sua fase adulta como Princesa Diana, incorporada de forma exímia por Gal Galdot – e mantendo Themyscira como cenário, a harmonia reinante na ilha privada da presença masculina é abalada com a repentina chegada de Steve Trevor – interpretado por Chris Pine – que rompe os céus sobre a terra natal das Amazonas, pilotando um avião da Primeira Guerra Mundial, trazendo consigo, perseguidores alemães.  Abatido e caído no mar, nas proximidades da costa grega, Trevor é resgatado por Diana e levado ao, até então, paraíso insular. Usando o “Laço da Verdade”, as Amazonas conseguem que Trevor confesse ser um espião a serviço da Grã-Bretanha, envolvido em uma missão de "guerra para acabar com todas as guerras". Histórias ouvidas por Diana quando criança a levam compreender ser Ares, o Deus da Guerra, o verdadeiro responsável pelos conflitos bélicos que dizimavam a humanidade e, como Amazona, assume como dever, comparecer ao mundo dos homens para aniquilar Ares e acabar com a guerra.

Contrariando a tendência dos grandes estúdios ao radiografar o lado humano dos super-heróis de forma a conquistar a empatia do espectador, “Mulher-Maravilha” se concentra, exclusivamente, na parcela heroína de Diana e desperdiça a oportunidade de torna-la crível, ao engessar sua figura como apenas um personagem de história em quadrinhos. A complexidade da natureza humana, tão presente nesse tipo de franquia, é rebaixado a um microcosmo coadjuvante na heterogenia da equipe de Diana Prince que agrega um árabe, um escocês e um nativo americano – insuficientes para persuadir a plateia em um mergulho na realidade de uma guerra. Tão superficiais ou piores, os vilões aparentam terem sido inseridos no contexto da história inadvertidamente, uma vez que suas ideologias e as batalhas previsíveis conduzem ao cansaço movido a desinteresse e à apatia por algo que poderia ter sido e, sem qualquer razão convincente, não o foi.


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