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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Emilinha


Espetáculo em que fãs ovacionam e expressam seu amor incondicional a Emilinha Borba


Emília Savana da Silva Borba – popular cantora, coroada como Rainha do Rádio e principal representante da Era de Ouro do Rádio Brasileiro – ressurge em ato fulminante, diante dos olhos de uma plateia maciçamente composta por fãs genuínos, tamanha a capacidade da atriz Stella Maria Rodrigues de assimilar a essência e resgatar o carisma de Emilinha Borba ao longo dos 80 minutos do espetáculo musical “Emilinha”. A orquestrada e precisa direção geral e de movimento de Sueli Guerra insere uma plateia saudosista no centro da história. Aos pés de Emilinha, os espectadores se deleitam com o início do espetáculo ao som de “Tomara que chova” de Paquito e Romeu Gentil, assumindo o papel de coadjuvantes intérpretes que acompanham a estrela ao longo da apresentação de seu repertório que contempla, dentre outros sucessos, “Dez Anos” de Rafael Hernandez, “Chiquita Bacana” de Alberto Ribeiro e João de Barro. O frenesi se faz presente com o backing vocal da plateia respondendo ao comando de Emilinha em “Escandalosa” de Ramon Novaez, dando vez ao duo com participação do galante parceiro de palco – o cantor Fabrício Negri – em “Primavera no Rio” e “Copacabana” – ambos de autoria de Braguinha. O encontro com Luiz Gonzaga rende à plateia sucessos do Rei do Baião - “Paraíba Masculina” e “Asa Branca”, abrindo espaço para singelas lembranças da rivalidade entre Emilinha e Marlene.

O seletivo e coordenado desenho de luz de Paulo Cesar Medeiros promove momentos que vai da nostalgia à euforia, concedendo ao público a percepção de que todos fazem parte de uma apresentação em um estúdio de rádio durante programas que outrora marcaram uma época. A ambientação cênica de Marcelo Marques manipula o imaginário do espectador, compondo com o trio de músicos, explicitamente no palco, cuja presença ostensiva é atenuada pela sutil cortina de fumaça que, por sua vez, pigmenta a boca de cena ao assimilar as cores dos fachos de luz de Medeiros. A direção musical de Cristina Bhering – que integra a banda como pianista, na companhia indissociável dos talentos de Afonso Neto, na bateria e de Raul Oliveira, no baixo – se expressa através da magnitude do repertório, quando uma senhorinha fã, externa o seu louvor ao seu ídolo ao entregar uma braçada de palmas a Stella que, as recebe tal e qual as receberiam Emilinha e que, em agradecimento ao gesto, lhe dedica “As Cantoras do Rádio”, de Alberto Ribeiro e João de Barro. O apoteótico figurino de Rosa Magalhães conta com a participação do acervo do fã clube de Emilinha e desenha o bom gosto e a delicadeza da artista diante de seus fãs e a faz leve par dançante com um eleito da plateia enquanto canta “Aqueles Olhos Verdes” de Braguinha. O visagismo de Sérgio Marks é estelar e realça os traços de Stella com os fossem de Emilinha, em uma trajetória temporal musicalizada até os anos 2000, quando “Fogueira”, de Ângela Rô Rô, é entoada.

O pout- pouri com músicas de João Roberto Kelly – “Mulata iê iê iê”;  de Antônio  Almeida e Oldemar Magalhães – “Marcha do remador”; e de Haroldo Barbosa e Carlos Cruz – “Can-Can no Carnaval” marcam o final de mais uma noite de emocionante espetáculo em que fãs ovacionam e expressam seu amor incondicional a Emilinha Borba, da sala de espetáculos ao foyer do Teatro Maison de France, no centro da Cidade Maravilhosa.


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