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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Uma Família de Dois


Reprodutor de risos e de lágrimas

O argumento é lugar comum e já há muito explorado – um homem imaturo, ao descobrir a força da paternidade, assume todas as responsabilidades para garantir a felicidade do seu rebento e afastá-lo do sofrimento. De algo que poderia ser confundido como uma pedra, a fluente direção de Hugo Gélin consegue tirar água. E dessa forma é produzido “Uma Família de Dois”, a partir do amor e da cumplicidade entre os protagonistas: Samuel – um homem imaturo e a sua cria Glória – uma cativante menininha, que conseguem suplantar a dose de carisma possível de se transmitir em uma tela de cinema, graças à naturalidade e à verdade com que os intérpretes Omar Sy e Gloria Colston se entregam a seus papéis.

Um roteiro tão bem elaborado, a quatro mãos, por Gélin e Jean-André Yerles, evidencia a liga existente entre os dois personagens – tal e qual o hábito de Samuel se fingir de morto para que Gloria, logo em seguida, o “ressuscite”. A ritmada adaptação assinada por Yerles, do filme mexicano “No se aceptan devoluciones”, de Eugenio Derbez, garante ser um núcleo reprodutor de risos e de lágrimas, de certezas e de desconfianças, de apatia e de impacto frente ao excesso de falsas evidências. O plot twist é forte e cem por cento surpreendente, a tal ponto de forçar o espectador rebobinar o filme, mentalmente, em busca do sentido de uma suposta finalização capaz de induzir o espectador ao erro até o último segundo.


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