Counter

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Cama de Gato


Um paralelo entre o que se deseja e o que se pode desejar

Como em uma Rave, onde o som reverberante da música eletrônica exerce a capacidade de privar momentaneamente a realidade de uma fração de seus frequentadores – os quais, sem tempo para pensarem em si mesmos, enxergam no dinheiro o único meio para atingir seus objetivos enquanto seres humanos – uma DJ assume morfologia divinal, o paraíso se torna obscuro e hipnotizante, os amores não têm rostos e o prazer se mede pelo que se tem na carteira.

Transportado para o palco em meio a essa atmosfera eletrônica, o espetáculo “Cama de Gato” discorre sobre o momento de três garotos de programa que veem as suas vidas lançadas em uma roleta russa de sentimentos provocados pelos argumentos de um travesti que rompe os bastidores da vida dos jovens michês. O esclarecedor texto de Max Mendes desenha uma linha tênue entre a razão e a infração moral dos personagens e estabelece uma dicotomia entre a subjetividade dos padrões definidos pela sociedade e a vida como ela é. A viciante direção de Marcello Gonçalves e Marcelo Dias cria os labirintos entre os dedos, que deve ser passado de um par de mãos para o de uma outra pessoa, segundo configurações distintamente criativas, assim como no jogo que dá título ao espetáculo e que tem o barbante como instrumento lúdico indispensável.

O ambientado elenco – composto por Fabrício Portela, Fernando Dolabella, Felipe Freitas, Henrique Sathler, Hugo Carvalho, Thiago Tenório, Tiago Homci, e pela DJ Cacá Werneck – dá vida ao padrão cíclico “nascer-crescer-reproduzir-morrer”, sem conflitar com o mundo que gira à parte da interpretação de cada um, junto ao espectador. A crua cenografia de Marcelo Dias cria uma selva que busca retratar um pseudo aconchego de um lar inexistente, articulado por andaimes que conflitam com o suposto bom senso social onde a busca de respostas é sucumbida pelo setlist da DJ que, como um Deus, lança mão de seu poder para que todos dancem conforme a sua música. O figurino de Gebran Smera desnuda a psique dos personagens e constrói o status quo do espectador. A eloquência teatral digna da produção fica por conta do visagismo de Del Cascardi que transforma uma dúvida em outra, mas com solução plenamente aceitável e fortemente cromatizado e contrastado pelo jogo de luz e sombra do claustrofóbico desenho de luz de Felipe Lourenço. Consequentemente, a geração de pontuais sequencias de nus masculinos libera ovações em alguns momentos do texto que conduz a consciência coletiva para a luz do prazer e faz de “Cama de Gato” um paralelo entre o que se deseja e o que se pode desejar.


domingo, 27 de agosto de 2017

O Castelo de Vidro


Desenha uma síndrome comportamental que tangencia a de Estocolmo

A autobiografia da escritora e jornalista Jeannette Walls – “O Castelo de Vidro” – assume como vertente o projeto de vida traçado por seu pai, jamais concretizado: a construção de uma casa de vidro, de onde a família poderia contemplar as estrelas em toda a sua plenitude.

O lirismo presente na história encontra o seu fim neste sonho impossível. Traduzida em um longa, sob a direção de Destin Daniel Cretton,  “O Castelo de Vidro” pontua todas as mazelas da dura realidade da protagonista e de seus irmãos diante da negligência e da indiferença para com a responsabilidade de uma vida em família por parte de um pai idealista e alcoólatra e de uma mãe pseudo artista fracassada e submissa aos devaneios de seu macho alfa, relegando seus filhos à própria sorte à despeito do zelo para com os mesmos que seria de responsabilidade do casal. O roteiro, também assinado por Cretton, pode ser minimamente qualificado como perturbador, a ponto de provocar asco no espectador menos sensível frente à desfuncionalidade dos Walls, a ponto de alimentar os sentimentos mais primitivos provocados pela cólera, pela intempestividade, pela negligência e pelo egoísmo que impregnam a narrativa, imputando o desconforto gerado pelos progenitores de Walls como as razões daqueles sentimentos crescentes durante toda a projeção.

“O Castelo de Vidro” desenha uma síndrome comportamental que tangencia a de Estocolmo, sob a qual, esposa e filhos, em decorrência do tempo de convívio com a intimidação por parte do pseudo chefe de família, nutrem um sentimento descabido de lealdade para com o seu opressor que os mantém em cárcere psicológico “ad eternun”.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

La Guiada – Teatro Cervantes/Buenos Aires


Um convite para o despertar de uma manhã, repleto de emoções

Uma nova proposta para o espectador, uma experiência ímpar para o visitante, o Teatro Cervantes, em Buenos Aires, promove - em pleno horário alternativo, nas manhãs de sábado, às 11h:00min - um percurso através do passado no qual, o público é parte integrante e indissociável do espetáculo “La Guiada”, de autoria de Gustavo Tarrío e Aldana Cal e brilhantemente dirigido por Tarrio.

Dando boas-vindas à casa e assumindo o papel de anfitriões que conduzem visitação, o elenco composto por Nicolás Levín, Milva Leonardi, Gustavo Di Sarro e Marcos Krivocapich envolve uma inusitada e curiosa plateia em pé, no foyer do teatro, em uma história que as paredes daquela edificação, em precioso estilo barroco espanhol - projetada pelos arquitetos Fernando Aranda Arias y Emilio Repetto - guardam consigo, desde a sua inauguração em 5 de setembro de 1921. A descontração, o carisma e o humor musicalizado dos artistas são ingredientes que descontraem os visitantes e os transformam em uma grande família à qual são revelados todos os cantos das salas e corredores do edifício, a história da atriz espanhola María Guerrero e de seu marido - o aristocrata Fernando Díaz de Mendoza - fundadores do Teatro -, de sua posterior sua nacionalização sob o governo de Marcelo T. de Alvear, dos meandros através dos quais foi intitulado Teatro Nacional, de seu incêndio em 1º de agosto de 1961 e de sua eternização como Monumento Histórico Argentino.

A produção de Poli Bontas é um convite para o despertar de uma manhã, repleto de emoções - dançar, cantar e desbravar o suntuoso coliseu, seguindo a alternativa coreografia de Virginia Leanza, a deliciosa trilha sonora de Pablo Viotti, a condutora iluminação de Fernando Berreta e o harmonioso figurino de Endi Ruiz.

“La Guiada” é uma viagem no tempo que dura exatos sessenta minutos, ao final da qual, o espectador, comovido, se sente parte da história do Teatro Cervantes, que reinará para toda a eternidade.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Lady Macbeth


Inocência densamente desfigurada

“Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk” – considerada a obra prima do escritor russo Niklai Leskov, publicada pela primeira vez em 1865 – é adaptada por Alice Birch e transportada para as telas de cinema, pela genial direção de William Oldroyd, intitulada, minimalistamente, por “Lady Macbeth”.

A história tem início com o casamento de Katherine (Florence Pugh), comprada por Boris (Christopher Fairbanks) – pai do homem com quem se casou – juntamente com um terreno, insuficiente para o pasto de uma vaca. Após o casamento, Katherine é levada, pelo marido Alexander (Paul Hilton) – homem com cerca do dobro de sua idade – para morar na propriedade de seu pai, e define as regras as quais sua esposa deve seguir. A partir de então, Katherine passa a nutrir um processo de mortal desobediência diante de tamanha falta de respeito e de sexo, abrindo caminho para que um triângulo abjeto – cujo terceiro vértice é assumido por Sebastian (Cosmo Jarvis) – desencadeie uma série de crimes e luxurias.

O brilhantismo de Birch enxerta uma inocência densamente desfigurada no roteiro e a destrói, aos poucos, diante dos olhos impactados do espectador que, ao final da sessão, poderá assegurar ter assistido ao melhor filme do segundo semestre de 2017.


sábado, 19 de agosto de 2017

Terapia do Risos – Especial 12 Anos


Permite que o espectador saia do teatro totalmente analisado


O espetáculo de humor “Terapia do Risos” comemora os seus doze anos na ativa e apresenta o retorno dos personagens mais marcantes durante todos esses anos.

O Circuito Geral esteve presente em uma dessas apresentações e conheceu: a enfermeira Gertrudes - uma pessoa boa; Isolda Elétrica - a maior empresária do Brasil, parapsicóloga e rainha de bateria; a apresentadora Laura Vai Com Tudo e Jorginho Boca Nervosa; Tia Ebenezima - uma ex-professora do ensino fundamental que não suporta crianças e acredita ter poderes sensitivos após perder o emprego; o gordinho Jorginho - de São João de Meriti que tem ojeriza por gordos e velhas; e muitos outros personagens que tripudiam com a atual crise econômica, as dificuldades financeiras, a corrupção e o mundo como um grande problema, do qual só nos resta rir para não chorar.

A alta temperatura da sala de espetáculo fica por conta, não só de seu elenco composto por Estevan Naboti, Junior Chicó, Hellen Suque e Israel Linhares, mas principalmente pela participação ativa da plateia.

O grande sucesso do “Terapia do Riso” se deve a sua simplicidade, que passa pela cenografia, figurino e iluminação minimalistas e, acima de tudo, pelo seu humor ingênuo que permite que o espectador saia do teatro totalmente analisado e pronto para enfrentar o mundo.


João, o Maestro


Emocionante experiência através da imersão nos três níveis do processo de realização – o desejo, a determinação e a obstinação

A biografia cinematográfica de João Carlos Martins, através da qual o diretor Mauro Lima desenha a prodigiosa trajetória artística do pianista brasileiro, até os dias de hoje, presta mais que um merecido tributo ao também maestro reconhecido mundialmente – em especial, pelas suas gravações das obras de Bach, através das quais, ainda menino, eclodiu a sua genialidade na arte da execução do piano.

Mais uma vez, Lima demonstra uma capacidade ímpar de transportar fatos reais para as telas de cinema e torná-las mais do que críveis. E o faz, em “João, o Maestro”, com requintes na escolha, não só do elenco que assume o protagonista em três fases de sua vida – Davi Campolongo, enquanto criança; Rodrigo Pandolfo, enquanto jovem; e Alexandre Nero, na sua maturidade – mas como de todos coadjuvantes, em especial – Caco Ciolcler, no papel de José Kliass, o primeiro professor de piano de Martins; Fernanda Nobre, como Sandra, personagem que representa uma das mulheres com quem Martins se envolveu; e Alinne Moraes, como Carmem, sua atual esposa.

Composta por autoria que dispensa apresentações, a trilha sonora, parte integrante e indissociável da obra, é injetada na veia dos espectadores, para o seu deleite, como se tivesse sido composta especialmente para o filme, nos moldes da inquestionabilidade que lhe é conferida.

Lima se faz didático ao longo de todo o roteiro, fidelizando, rigorosamente a temporalidade das passagens de época, seja retratando a arquitetura que compõe os cenários e elementos cenográficos, o figurino, o visagismo e, até mesmo, o processo evolutivo do desenho de luz aplicado ao longo das cenas – além dos costumes materiais e psicológicos de cada época.

As execuções de piano e as regências de João Carlos Martins são espetáculos que estimulam o sentido da audição a partir de sua essência que, capturada em imagens pela obra de Mauro Lima, sem sombra de dúvida, promove uma emocionante experiência através da imersão nos três níveis do processo de realização – o desejo, a determinação e a obstinação.


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Annabelle 2: A Criação do Mal


Exclamações, sustos e muitos risos, podem ser constantes durante toda a projeção e com promessas de transformação do fraco roteiro de “Anabelle2: A Criação do Mal” em algo passível de eventuais comentários pós sessão – não pejorativos

Como se privado de qualquer intenção de surpreender os cinéfilos amantes do gênero terror, o segundo filme da franquia sobre a boneca Anabelle, dirigido de forma lapidar por David F. Sandberg, conta a origem de uma entidade malígna incorporada pelo brinquedo. A história conta o drama vivido por uma freira e por dezenas de meninas sob a sua tutela, após o desalojamento do orfanato onde viviam, e que foram caridosamente acolhidas por um artesão de bonecas e por sua esposa, cuja filha fora vítima de um acidente fatal. A partir de então, meninas e freira compartilham dos fatos gerados pelas lembranças traumáticas do casal e pelo obsessor espírito demoníaco do passado.

No entanto, a proposta deste filme de terror, em sua plenitude, se faz dependente dos recursos lúdicos tecnológicos audiovisuais, para que o universo franqueado seja extensivo ao espectador que busca de diversão de fato. Nesse caso específico, exclamações, sustos e muitos risos, podem ser constantes durante toda a projeção e com promessas de transformação do fraco roteiro de “Anabelle2: A Criação do Mal” em algo passível de eventuais comentários pós sessão – não pejorativos, mas ancorados na coadjuvação de efeitos e sensações sincronizadas ao filme, exclusivos das salas 4DX.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

“Luces, la Revolución” - Teatro Ciego / Buenos Aires


Projeto cenográfico, desenho de luz, figurino e visagismo são técnicas teatrais dispensáveis

Buenos Aires, 1810 – palco de uma série de acontecimentos reconhecida como “A Revolução de Maio” – argumento do espetáculo sensorial “Luces, la Revolución” de autoria do ator cordobés que exerceu a economia como hobby - Martín Bondone – em cartaz no “Teatro Ciego” em Buenos Aires.

Sob a ousada direção de Gerardo Bentatti, a encenação que se passa em total escuridão no interior da sala de espetáculos, conta a história do romance entre um aristocrata e uma escrava, em meio ao sofrimento durante os anos de luta pela independência argentina.

Minutos que antecedem o início do espetáculo, no foyer da sede do “Teatro Ciego”, sob uma tênue difusão lumínica, os espectadores são orientados a se agruparem em filas, a partir de quando são conduzidos à sala de espetáculos pelas mãos de um guia, sob total ausência de luz, e auxiliados, individualmente, a tomar seus assentos. Dá-se início a uma experiência inusitada de uma plateia composta, em sua esmagadora e provável maioria, por pessoas dotadas do sentido da visão, através da qual são temporariamente privadas da percepção visual. Vale ressaltar que os espetáculos do “Teatro Ciego” não são produzidos para pessoas cegas – o que não as exclui como espectadores. Mas tem como objetivo maior, a inclusão de pessoas não deficientes visuais no desenvolvimento, mesmo que por um curto espaço de tempo, do potencial dos demais sentidos, cuja habilidade é naturalmente incrementada pelos invisuais.

Uma diversidade tipológica de sons de alta qualidade, juntamente com as falas dos atores e a trilha sonora de Lucas, criteriosamente distribuída na sala, definindo a percepção de tridimensionalidade, é aliada a fragrâncias que surpreendem cada um dos espectadores, como se cada estímulo aos demais sentidos ainda atuantes, atue como uma dádiva que, involuntariamente, é capaz de induzi-lo a estampar um sorriso na face. O calor emanado pela proximidade dos atores, a sensação ao eventual toque entre estes e espectadores pela simples passagem do elenco, tangenciando os presentes à plateia que se encontram no fluxo das marcações de cena, contrastam com o frescor do vento e de gotículas de água aspergida indiscriminada e aleatoriamente – em meio a um elenco composto por Gerardo Bentatti, Mario Colussi, Pablo Delgado, Sabrina Heisecke, Marta Traina, Sandra Ferraro, Miguel Pardo e Darío Tripicchio – em meio a uma equipe de setenta pessoas dentre as quais, 40% são acometidas por cegueira ou baixo índice de visão.

Projeto cenográfico, desenho de luz, figurino e visagismo são técnicas teatrais dispensáveis em “Luces, la Revolución” – como em todos os demais espetáculos da companhia. Porém, a capacidade de estímulo dos demais sentidos é mais do que suficiente para levar plateias sequenciais a uma viagem pela imaginação individual e intransferível de cada um dos espectadores que, ao final de cada apresentação, apesar da penumbra concedida, suficiente para deixarem a sala de espetáculos, demonstram necessidade de serem guiados, com a mesma segurança de quando entraram, até a porta de saída.      


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Piazzolla Tango / Buenos Aires


Como uma joia rara, incrustrado no subsolo do primeiro arranha-céu da capital Argentina, inaugurado em 1915, com quatorze andares e oitenta e sete metros de altura, o complexo contemplando teatro, salão de eventos e restaurante faz parte do atual Centro Piazzolla Tango


Argentina, centro de Buenos Aires – interligando as ruas Florida e San Martin, o estilo Art Nouveau se faz presente na edificação comercial projetada pelo arquiteto italiano Francisco Gianotti, cujo início da construção data de 1913 – a Galeria Güemes, patrimônio arquitetônico da cidade.

Como uma joia rara, incrustrado no subsolo do primeiro arranha-céu da capital Argentina, inaugurado em 1915, com quatorze andares e oitenta e sete metros de altura, o complexo contemplando teatro, salão de eventos e restaurante faz parte do atual Centro Piazzolla Tango – altamente qualificado para oferecer uma programação tematizada a partir do estilo musical emblemático argentino.

O Centro Piazzolla Tango é composto pelo Teatro Astor Piazzolla e pelo Salão Café Triunfal – este último aberto para a realização de eventos sociais e corporativos – além de administrar o seu próprio serviço de catering.

Para o deleite do público argentino e dos turistas, a primorosa sala de espetáculos do Teatro Piazzolla exibe shows de tango, desempenhados por um sexteto musical executando dois bandoneons, um piano, um contrabaixo e dois violinos; por um corpo de oito dançarinos e por um par de vozes que definem, como se por magia, uma atmosfera portenha – “As Quatro Estações do Tango”, baseado na obra “Las Cuatro Estaciones Porteñas” de Astor Piazzolla.

O show produzido pela casa é complementado pelo traslado de hotéis da região central, como cortesia, a partir de veículo coletivo de médio porte capaz de oferecer conforto e segurança aos seus clientes.

Após acessarem o foyer do Centro Piazzolla Tango pela Galeria Güemes, os clientes são encaminhados ao subsolo do complexo e recebidos no Salão do Café Triunfal – espaço totalmente ambientado segundo os conceitos da Belle Époque, onde outrora funcionara uma confeitaria-cabaré, frequentada por personalidades do tango, dentre elas, Carlos Gardel – para uma aula de tango de trinta minutos de duração, orientada por um dos casais de dançarinos que executam números de tango durante o espetáculo principal. Uma atividade genial, divertida e inclusiva, para que os clientes possam desfrutar do espírito da casa e da programação, de acordo com o que de melhor Buenos Aires pode lhes oferecer.

Em seguimento à programação, os clientes são levados à sala de espetáculos, onde plateia baixa, plateia alta e camarotes são reambientados em um suntuoso salão de refeições, segundo dois tipos de cardápio de etapas: um Menú Platéia – incluindo três opções de entrada, cinco de prato principal, três de sobremesa e bebida a escolher, dentre refrigerantes, água mineral, vinho tinto ou branco – vinícolas rurais; e um Menú Vip – que contempla uma taça de champanhe de boas-vindas, quatro opções de entrada, seis de prato principal, quatro de sobremesa e bebida a escolher, dentre refrigerantes, água mineral, vinho tinto ou branco – Rutini e café. O atendimento primoroso às mesas faz jus à proposta da produção, em promover aos seus visitantes uma noite inesquecível, regada pela excelência em divertimento, gastronomia e cultura. Como opção, a casa oferece a possibilidade de se assistir ao show, sem qualquer compromisso com o consumo do jantar e sem traslado de hotéis, a partir de horários diferenciados do programa completo.

Minutos após servida a terceira e última etapa do cardápio, dá-se início ao show de tango propriamente dito. O tanguear do sexteto e dos quatro casais de dançarinos são, vez por outra, mesclados às potentes vozes de Marisol Martínez e Ricardo Marín, concedendo verbo à musicalidade  binária e compasso de dois por quatro característico do estilo musical que, segundo o poeta, compositor, ator e dramaturgo argentino Enrique Santos Discépolo Deluchi, pode ser traduzido como um pensamento triste que se pode dançar.

O programa, em agosto de 2017, contempla a execução das seguintes obras: "El Entrerriano", "Fuga y Misterio", "El Choclo", "Por una Cabeza", "El Opio", "Pasional", "Milongueando en el 40", "La Yumba", "Verano Porteño", "La Cumparsita", "Maria de Bs As", "Escualo", "9 de Julio", "Zum", "El Dia que me Quieras", "Duo de Amor", "Adios Nonino", "Tanguera", "Balada para un Loco", "Libertango", "Canaro en Paris".

A sonoridade da casa conta de uma acústica exemplar, enquanto o desenho de luz cênica, da mesma forma que o de todo o complexo, colore movimentos, dramatiza os sentimentos e define os elementos arquitetônicos relevantes a cada momento. Em franca composição com os elementos humanos no palco, figurino e visagismo conferem aos dançarinos, aos cantores e aos músicos, a elegância, a fluidez e a imponência ditada pelo estilo que define a linha do espetáculo.

Certamente, “As Quatro Estações do Tango” faz parte do rol dos programas imperdíveis em locais de relevância histórico-cultural de Buenos Aires, enquanto experiência sensorial, gastronômica, cultural, lúdica e social.