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domingo, 27 de agosto de 2017

O Castelo de Vidro


Desenha uma síndrome comportamental que tangencia a de Estocolmo

A autobiografia da escritora e jornalista Jeannette Walls – “O Castelo de Vidro” – assume como vertente o projeto de vida traçado por seu pai, jamais concretizado: a construção de uma casa de vidro, de onde a família poderia contemplar as estrelas em toda a sua plenitude.

O lirismo presente na história encontra o seu fim neste sonho impossível. Traduzida em um longa, sob a direção de Destin Daniel Cretton,  “O Castelo de Vidro” pontua todas as mazelas da dura realidade da protagonista e de seus irmãos diante da negligência e da indiferença para com a responsabilidade de uma vida em família por parte de um pai idealista e alcoólatra e de uma mãe pseudo artista fracassada e submissa aos devaneios de seu macho alfa, relegando seus filhos à própria sorte à despeito do zelo para com os mesmos que seria de responsabilidade do casal. O roteiro, também assinado por Cretton, pode ser minimamente qualificado como perturbador, a ponto de provocar asco no espectador menos sensível frente à desfuncionalidade dos Walls, a ponto de alimentar os sentimentos mais primitivos provocados pela cólera, pela intempestividade, pela negligência e pelo egoísmo que impregnam a narrativa, imputando o desconforto gerado pelos progenitores de Walls como as razões daqueles sentimentos crescentes durante toda a projeção.

“O Castelo de Vidro” desenha uma síndrome comportamental que tangencia a de Estocolmo, sob a qual, esposa e filhos, em decorrência do tempo de convívio com a intimidação por parte do pseudo chefe de família, nutrem um sentimento descabido de lealdade para com o seu opressor que os mantém em cárcere psicológico “ad eternun”.


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