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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

“El Trio del Humor” - Teatro Palacio la Argentina / Buenos Aires


Espetáculo generoso, cuja graça presente no humor se faz suficiente para alegrar a plateia, sem o menor esforço para ser engraçado

Na noite de 7 de agosto de 2017, o Teatro Palacio la Argentina é lotado por um público eminentemente portenho, para assistirem ao espetáculo “El Trio del Humor”, estrelado pelo showman Omar Vitullo; o campeão Ibero Americano de magia Pablo Madini – também mago oficial dos cruzeiros da MSC; e Marcelo Bonetti – um dos mais conceituados ventriloquistas, discípulo direto de Ricardo Gamero, Chasman e Chirolita. As participações especiais ficam por conta do cantor pop latino Diego Desanzo – conhecido como “A Voz que Chega à Alma”; da mais popular bailarina e vedete Argentina – Noelia Parra; e do romântico tenor Rafael Cini, acompanhado de seu filho, no piano, que fecham o grandioso espetáculo – cujo figurino é assinado por Javier Peloni – sob a direção geral de Aldo Funes.

“El Trio del Humor” é um exemplo de entretenimento frequentado pelos portenhos. Espetáculo generoso, cuja graça presente no humor se faz suficiente para alegrar a plateia, sem o menor esforço para ser engraçado. A participação descontraída do público chama a atenção de turistas estrangeiros e demonstra a satisfação com que os portenhos se fazem presentes naquela noite de segunda-feira, às 21h:00min, certos de que ao retornarem aos seus lares, estariam prontos para cerrarem, com sucesso, as cortinas do palco de mais um dia de suas vidas.


sábado, 23 de setembro de 2017

O Inevitável Trem


Estimula o raciocínio analítico com base na coleta dos dados despejados pelo texto

Uma experiência sensorial de um homem que compartilha as suas lembranças com o espectador – a percepção direta pelo olfato em comum união com a sugestão de um paladar estimulado por eventual resgate de memória – define a atmosfera na qual se desenvolve o espetáculo “O Inevitável Trem”, durante o qual, Vitória – uma fotógrafa sonhadora e Jean Paul – um chef de cozinha, encarnados por Carla Nagel e Giueseppe Oristanio, respectivamente, demostram os meandros da ruptura conjugal em meio àquele que tenta salvar o relacionamento e, a outro, tem a certeza da chegada ao fim da linha.

Diante dos espectadores voluntários, enquanto se permitem testemunhar o último jantar que abre as portas das lembranças do desembarque de um dos passageiros na difícil trajetória da viagem de um relacionamento à dois, o menu composto por “Farfalle ao Pesto” e “Bruschettas” é preparado pelo chef, que seleciona, juntamente com a fotógrafa, alguns presentes na plateia para saírem da passividade que contemplam o set final daquela peleja e atuarem como degustadores da única coisa que lhes podem oferecer como alimento porém, incapaz de realimentar o que resta daquilo que, um dia, possa ter sido rotulado como paixão.


Compartilhada com os demais espectadores, a imersão na DR, induzida pela direção de Pedro Jones, estimula o raciocínio analítico com base na coleta dos dados despejados pelo texto, também de autoria do diretor, com o potencial de fazer com que a plateia resgate experiências pregressas, avaliem o que possam vivenciar no futuro e, até mesmo, confrontar os pós e os contras de se permitirem entregar a uma vida a dois – compartilhando e respeitando a substantiva individualidade de corpo e de alma, sem a fantasia desconectada da realidade que, como um cego, não sonha colorido e muito menos formata imagens no conteúdo de seus pesadelos.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Mãe!


O desafio de “Mãe!” se faz presente através da demanda pela compreensão da produção da arte de forma plural

A dádiva do dom artístico, a inércia do processo criativo, a afloração da vaidade pessoal, a reconstrução da moral do mundo, o fruto do egoísmo e os reflexos do mal instintivo são articulados, de maneira intuitiva, pelo aclamado cineasta, produtor cinematográfico e ambientalista Darren Aronofsky, em sua mais recente produção cinematográfica, como roteirista e diretor – “Mãe!” Trata-se de uma obra cuja história não se basta como conquista de público, mas o que se encontra nas mais esbeltas entrelinhas traçadas nos últimos tempos, adornadas por uma forte carga de realismo fantástico.

A essência da natureza humana é preservada, por Aronofsky, na busca e na conquista da inspiração – conceitualmente vivida por Jennifer Lawrence. Em paralelo, o artista – expandido por Javier Bardem – incorpora a plenitude da paixão pela criação como se materializada pelo poder da divindade que lhe é auto atribuído.

O gérmen da imaginação conduzido pelo intelecto do criador – enquadrada por Michelle Pfeiffer e Ed Harris, resultando em confronto entre benevolência, tristeza, alegria, ódio, amor, medo e coragem – apesar de alimentar o ego do artista pelo interesse expressado pelo seu trabalho, em certos momentos, o enfraquece no limiar da aniquilação da inspiração.

Os “conceitos”, são abstrações que “Mãe!” não concretiza. Não há beleza no objeto artístico, mas uma nítida comparação entre ascensão da razão e paixão sem limites. As alegrias e os prazeres terrenos desenhados pelo roteirista norte-americano não se fazem necessários ao transmutarem os valores religiosos que impõem resignação e renúncia como virtudes em uma obra de arte. Após a sua criação, não mais pertence ao seu autor, mas aos seus seguidores que, tomam posse do objeto e o interpretam, o consomem, o adoram, o criticam, o adaptam e, até mesmo, o oferecem em sacrifício ao seu próprio criador que o gerou segundo a sua própria imagem interior.

O desafio de “Mãe!” se faz presente através da demanda pela compreensão da produção da arte de forma plural, a partir de uma figurativa página em branco, de espaço finito, e do consumo da crescente inspiração pelo fogo da paixão que alimenta o moto-contínuo do processo criativo.


Esta é a Sua Morte - O Show


Polemiza o debate sobre o suicídio, a televisão, o público e o dinheiro, fazendo da morte um espetáculo

O cenário principal retrata os bastidores de uma emissora de TV, que faz tudo pela audiência e pela doutrinação de seu público formado por pessoas que se divertem com a desgraça alheia através do programa televisivo, que dá nome ao longa “Esta é a Sua Morte - O Show”. O roteiro gira em torno de um apresentador de um reality show, através do qual um milionário busca uma noiva. Na etapa final do programa, a candidata a noiva não escolhida pelo solteirão, dentre duas concorrentes, surta e se mata, mas não antes de eliminar o milionário com um tiro certeiro. A tragédia é transmitida ao vivo em rede nacional, diante de Adam Rogers– o narcisista apresentador interpretado por Josh Duhamel, e Ilana Katz – a chefe de programação incorporada por Famke Janssen, que encontra um novo jeito de aumentar a audiência da emissora, ao saber, pelo seu advogado, que a emissora ficaria isenta de culpabilidade perante a tragédia, por se tratar de um suicídio.

Mason Washington, vivido pelo ator Giancarlo Esposito, é o personagem que estabelece o contraponto da história e define a dinâmica de um “vale tudo por dinheiro”. Apesar de trabalhar em dois empregos para garantir a sua sobrevivência, Washington não vislumbra qualquer perspectiva de maiores conquistas em sua vida financeira, familiar e amorosa. Esposito também assina a direção de “Esta é a Sua Morte - O Show” e polemiza o debate sobre o suicídio, a televisão, o público e o dinheiro, fazendo da morte um espetáculo que assegura aos seus participantes que suas vidas não valem muito mais do que uma passagem de sucesso pela vida terrena. O roteiro de Noah Pink e Kenny Yakkel surpreende, a ponto de despertar emoções ao banalizar, de maneira mercadológica, o que se acredita ser o maior bem – a própria vida.

Enquanto que, a banalização da ajuda ao “próximo” ocorra pela multiplicação dos atos de um agente a procura de um “próximo” bem distante – mesmo que, para isso, tenha que renegar seus amigos e conhecidos próximos –, a originalidade de “Esta é a Sua Morte - O Show” se faz presente ao colocar em foco “aquele ainda mais distante”, uma vez que “o próximo” se encontra perto demais e não promove a menor audiência.


terça-feira, 19 de setembro de 2017

, mas de tal modo se aprende a viver com o que tanto falta


Jogo cênico como um aprofundamento da percepção sentimental

Relações humanas fragmentadas em diferentes histórias, contadas através do encontro entre duas mulheres. A luta para sobreviver a uma doença crônica que pode levar uma delas ao óbito é, delicadamente, abordada no espetáculo “, mas de tal modo se aprende a viver com o que tanto falta” – a última parte da trilogia que teve início com “Da Carta ao Pai – ou tudo aquilo que eu queria te dizer”, seguida de “Se eu fosse Sylvia P.” – todas idealizadas e escritas pela artista Alessandra Gelio, que também dirige e atua em “, mas de tal modo...”, dividindo o palco com a atriz Mônnica Emilio.

Mais uma vez, designer de luz e cenógrafo se vêm em condição simbiótica imposta pelo processo de concepção e de direção do espetáculo que apresenta um teatro arte, pessoal e intuitivo, onde predomina a sua visão que se opõe à simples observação da realidade por parte do espectador. Dessa forma expressionista, o desenho de luz de Renato Machado se funde à contundente e descontextualizada cenografia de Daniel Jesus, iluminando o mundo das personagens como filtros destorcidos da realidade ficcional, transformando a fantasia em dura realidade observadas através de persianas que controlam os olhares passivamente curiosos do espectador. O eficiente e objetivo figurino de Tiago Ribeiro integra-se ao lirismo presente jogo cênico como um aprofundamento da percepção sentimental das protagonistas. Em um plano adimensional, como instrumento auxiliar, tamanha a quantidade de elementos a serem percebidos pela plateia, a musicista Maria Clara Valle amplia o espectro construído pela energia e a paixão dos personagens através de uma harmoniosa e serena trilha sonora.

Consistentemente sedimentada, a trilogia que se fecha com “, mas de tal modo se aprende a viver com o que tanto falta” traduz a fragilidade humana com densa reflexão capaz de invocar sentimentos que despertam encanto na dor.


domingo, 17 de setembro de 2017

Tom na Fazenda


A química composta por tensão e angústia

Tom, um jovem publicitário, desolado com a morte de seu companheiro, viaja ao campo para o seu funeral. Ao chegar na fazenda da família do falecido, Tom constata a ignorância de todos sobre a sua existência e sobre a orientação sexual do morto – com exceção de seu irmão mais velho que, além de fazer de tudo para esconder a verdade de sua mãe, possui um histórico preocupante sobre uso de violência extrema contra um rapaz da cidade onde vive. Diante das circunstâncias, Tom se vê forçado, pelo irmão de seu falecido companheiro, a assumir um papel que não lhe pertence, diante daquela mãe, e a fazê-la acreditar na existência de uma sempre ausente namorada do morto que, por ela, passa a ser aguardada.

Texto original, de autoria do célebre dramaturgo contemporâneo canadense - Michel Marc Bouchard, tem sua tradução assinada por Armando Babaioff, que acumula a protagonização do espetáculo teatral “Tom na Fazenda”.

A panorâmica direção de Rodrigo Portella estabelece um distanciamento emotivo, mesmo ao aproximar o espectador da tragédia anunciada e costura, com perfeição, as cenas, a partir da impactante concepção sonora de Marcello Henrique. O projeto cenográfico, por Aurora Dos Campos, floresce, em angústia crescente, diante do espectador, que não encontra a possibilidade de fuga em meio ao barro hidratado e à claustrofóbica patologia do protagonista que o prende àquela dimensão rural, contida pelo breu infinito, como se não houvesse caminho de volta – artifício fomentado pelo estratégico e mágico desenho de luz de Tomás Ribas, que cromatiza, em meio a uma paleta de cores definida pela lama, cada lampejo de hipocrisia que se manifesta na tentativa de se estabelecer verdades através de mentiras. A objetividade dramatúrgica emanada pelo elenco, complementado por Kelzy Ecard, Camila Nhary e Gustavo Vaz, destaca-se pela valorização da força de seus personagens, que impede o menor desvio de atenção por parte do espectador. A química composta por tensão e angústia, destilada ao longo do espetáculo, define a essência dos personagens que sustentam o imperante figurino de Bruno Perlatto que, como se em um thriller de terror psicológico, brilha pela estranheza.

O organicismo presente em “Tom na Fazenda” põe o dedo na ferida exposta pela artificialidade do universo hetero – sobretudo, no quesito aceitação do amor, das verdades e das mentiras – em especial, naquela fazenda, onde se escondem os mais perturbadores segredos.


sábado, 16 de setembro de 2017

“Cenizas en las manos” / Teatro Payro - Buenos Aires


Personagens perturbados e torturados por uma angustiante ausência de vida

Névoa, luz difusa e sombra definem os limites da boca de cena. No palco, personagens perturbados e torturados por uma angustiante ausência de vida que, por um capricho e uma zelosa composição cênica se integram ao cenário assinado por Magali De Milo, Paula Nieves Tello e Adriana Ovelar. O conjunto da obra remete todos os espectadores a uma terra estéril, devastada e coberta de lixo, por onde caminham as solidificadas sobras daquilo que um dia nasceram como seres humanos.

A história se desenrola em um país devastado pela guerra, onde dois supostos coveiros cumprem o seu ofício de desaparecerem com cadáveres, queimando os mortos de guerra. Uma mulher sobrevive ao massacre. Esses homens a aceitam, mas com a condição de ajudá-los com a tarefa do crematório. Mas ela não fala com eles, ela só aborda os mortos.

Os explorados, esquecidos e rejeitados são interpretados, densamente, imbuídos de intensa força dramatúrgica por Enry Melinao, Julio Pallero e Sofia Vilaro que, introduzidos no figurino de Adriana Ovelar, consagram a vida como uma inútil e miserável existência, segundo as aparências das estranhas criaturas de autoria de Laurent Gaudé. A tradução de Jaime Arrambide centrifuga o texto de Gaudé a ponto de transformar angústia em lirismo, cromatizado, de forma dramática, pelo mágico desenho luz concebido por Rafael Albizúa e Adriana Ovelar. O espetáculo “Cenizas en las manos” é desolador, ao colocar os mortos como as únicas formas de contato com os vivos, como um lampejo de luz em um ambiente cercado pelo horror.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Morar Mais por Menos – 2017 parte final



A sofisticação de um jardim de inverno – aconchegante, elegante e harmônico. O paisagismo flexionado nas requintadas esculturas e fontes.


Espaço descolado para festas eventos. O esmalte negro das pastilhas e a ebanização da madeira conferem mistério, suspense e intimismo à área de convívio e de lazer.


Ponto de encontro, de interação e de realização de workshops de culinária, harmonizações, cafés e vinhos, com pegada industrial.


O aconchego que remete aos lares dos usuários abusa da brasilidade através da decoração elegante, contemporânea, inclusiva e sustentável assinada por artesãos e designers nacionais.


Materiais naturais e rústicos compõem a decoração acessível e sustentável. proporcionando um ambiente alegre e inovador.


Descontração aliada ao entretenimento passível de ser implantada em casas e condomínios residenciais, viabilizada através so uso de materiais recicláveis e acessíveis.


Leveza promovida por materiais naturais sustentáveis e de baixo. 


Ambientação inspirada a partir da essência de um sonho a dois – telão de memórias afetivas, "ginbar” e spa, contemplando linguagem contemporânea a partir do mix entre elementos industriais e clássicos.


Pedra natural e treliças metálicas usadas em lajes pré-moldadas – rusticidade que se alia à sofisticação dos equipamentos e acessórios.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Morar Mais por Menos – 2017 parte 05



Irreverência, descontração, e sofisticação chique contemporânea e feminina descrevem a personalidade do usuário em busca do aconchego onde habita.


Total integração entre dormitório e banheiro. Introdução do conceito industrial através de tijolos aparentes, do predomínio da madeira, das cores cinza e preta, da exposição de trilhos de iluminação, chapa metálica e do despojamento de elementos customizados. Contraposição pela pontuação cromática e do paisagismo de interiores contemplando espécies tropicais.


Espaço definido como sensorial urbano, em tons de cinza e preto, pontuado pela cor verde em elementos diversos.


Lazer e relaxamento definidos como vocações principais de um espaço onde o sofisticação e rusticidade convivem lada a lado. Concepção cromática remete ao mar e às montanhas do Rio de Janeiro.


Um sofá suspenso sobre um tanque raso de água iluminado, com dimensões iguais às de sua projeção, remete a momentos de relaxamento e descontração, sob cobertura translúcida que permite vivenciar o espaço confortavelmente, seja durante o verão ou inverno.


Ilhas Maldivas - suas cores e seus elementos naturais inspiram o cenário de forma sofisticada e despojada levam a natureza para o interior​


Morar Mais por Menos – 2017 parte 04



Dez metros quadrados acolhem uma sala em estilo contemporâneo em atendimento a usuários que demandam charme e elegância.


Treze metros quadrados em desafio ao aconchego, ao conforto e à estética em benefício do bem estar do usuário.


Versatilidade, neutralidade cromática e peças de mobiliário soltas que permitem substituição em função da demanda etária do usuário, em consonância ao despojamento dos elementos em madeira e à pintura executada segundo formas geométricas.


Versatilidade de mãos dadas à harmonia entre as funções de convívio, de refeições e de trabalho e à inclusão do lúdico infantil.


Trabalho, reuniões, descanso e criatividade definem a multifuncionalidade que agrega conforto, sofisticação e sustentabilidade.


Estar e cozinha conjugados em harmônico despojamento, a partir da composição cromática pastel e do entre materiais de acabamento e de acessórios, definindo amplo intervalo entre o rústico e o sofisticado.


O Espaço Resenha foi criado para receber os amigos para uma resenha especial. Tecnologia, sustentabilidade, brasilidade e design definem o ambiente sensorial que contemplando confortável e aconchegante áreas de convívio e de refeições externa.
     

Morar Mais por Menos – 2017 parte 03




O design escandinavo como fonte de inspiração - cores claras e minimalismo. A busca pelo relaxamento das tensões do cotidiano e o sono reparador é meta para os usuários.


Conforto, versatilidade, segurança, aconchego e alto astral, a partir de materiais ecologicamente corretos e iluminação contemplando a tecnologia LED.


Aconchego, conforto e beleza aliados à decoração de custo acessível.


Peças de mobiliário contemporâneo e cores neutras promovem aconchego espaço foi pensado para uma jovem mãe solo com filho recém-nascido. Destaque para a peseira executada com tijolos de concreto, com função de apoio e sapateira.


Conforto, equilíbrio e contraste. A madeira de reflorestamento vai além do papel decorativo, mas um reforço ao conceito do espaço sustentável. Revestimentos de paredes e peças de mobiliário em franco contraste enquanto concepção cromática.


Vinte e quatro e meio metros quadrados acolhedores integram os ambientes e respectivas funções habitacionais e sociais de uma pessoa. As peças de mobiliário soltas e versáteis permitem livre reconfigurações de layout. Quadros e objetos de design, de autoria feminina, integrados a elementos clássicos e industriais em meio a uma programação cromática, onde o rosa se faz presente.


Força e poder traduzem o estilo árabe contemporâneo no lançamento de linha de perfumes de Dubai em atendimento ao conceito do chique que cabe no bolso.


O aconchego convidativo à reunião de amigos flexionado no elemento madeira e nos tons escuros. A geometria gráfica aplicada nas paredes, juntamente com correntes definem a inciativa do usuário na decoração por ele mesmo, e o estímulo ao uso de materiais reciclados.


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Morar Mais por Menos – 2017 - Casa Shopping Rio de Janeiro - Parte 02



Ambiente masculino explora o aspecto do desgaste com decoração a partir de objetos retrôs. Reproduz a atmosfera de um estúdio de música compondo sala de estar, de lazer e de estudo. Destaque para detalhe composto por seis ripas de madeira aplicadas ao teto e parede, alusivas a cordas de violão.


Estilo proposto - rústico; acabamento proposto - sofisticado. Bambus como alternativa ecológica contrapõem com acabamento alusivos à urbanidade e tecnologia - concreto e efeitos 3D.


Funcionalidade, elegância e contemporaneidade – conceitos adotados na concepção do projeto aliada ao conceito da alimentação saudável e da boa forma.


Espaço feminino contemporâneo repleto de simbolismo e inspirações. Artesanato e soluções alternativas de acabamento viabilizam o custo final da decoração.


Espaço multifuncional racionalizado pela memória afetiva, pelo equilíbrio e pelo baixo custo das soluções, onde uma coleção de tampinhas de cerveja se torna acervo para composição de mosaico no piso. Móveis de demolição acolhem objetos pessoais do passado em plácido convívio com adereços contemporâneos, destacados por desenho de luz de última geração. Em aparente estado de desordem, o paisagismo do quintal de gerações ancestrais se mistura à paisagem sonora de uma MPB – um convite à degustação de um jeito suburbano de bem viver.


O lúdico da essência somado à funcionalidade e ao conforto em favor do acolhimento dos usuários, sejam visitas ou moradores.


domingo, 10 de setembro de 2017

Morar Mais por Menos – 2017 - Casa Shopping Rio de Janeiro - Parte 01



Estrutura original do ambiente exposta, revelando a beleza dos materiais em estado natural das vigas, laje e tubulações. Parede lateral executada em réguas metálicas, utilizadas em portas de enrolar nos estabelecimentos comerciais. Demais itens, dentre móveis e objetos executados a partir de matéria-prima reutilizada.


A partir de conceito minimalista, uma conexão entre poder e luxo da pedra, nos revestimentos e no mobiliário – a desconstrução de ambientes industriais. O universo feminino presente através da moda, com poesia e delicadeza – o fator surpresa recepciona: manequim suspenso, sentado em um balanço.


Vinte e três metros quadrados conjugando tecnologia e conforto - espaço projetado para jovem morador do Rio de Janeiro. Design atual e ousada aplicação de revestimentos. Integração entre sala de estar, jantar e cozinha a partir de mobiliário personalizado – identidade, funcionalidade e beleza.

Espaço contemporâneo e arrojado em acolhimento das telas da artista plástica. Soluções práticas e sustentáveis Arranjos com carvão, bambu, sobras de couro e sucata de ferro misturados a peças novas, defendem a praticidade, a sustentabilidade, o equilíbrio e a harmonia.


Quarenta metros quadrados e a reprodução de um apartamento contemporâneo decorado com elementos de baixo custo em harmonia com peças de mobiliário de alto valor agregado. O cinza e o preto como ambientação em sintonia com o prata da chapa metálica de telha tapume – revestimento principal da sala define atmosfera industrial e minimalista.


O cenário do filme Amor.com, dirigido por Anita Barbosa, como fonte de inspiração para a concepção de espaço de trabalho conjunto do casal - uma blogueira de moda e um vlogueiro de games. Harmonia aliada a soluções sofisticadas, porém, econômicas e criativas.



Concepção com foco no acolhimento da família e de amigos. Estilo contemporâneo inspirado no concreto e no aço corten, em harmonia contrastante com a madeira, pontuados pela cor nas peças de mobiliário e adornos. Tecnologia contemporânea automatiza iluminação, telão e sofá.



O Lago do Cisnes


Uma princesa capturada por um bruxo que a transforma em um belo cisne.

Fundada em 9 de janeiro de 1989 - desenvolvendo ao longo dos anos, um programa social voltado para a educação e reinserção social através da dança para jovens oriundos de comunidades carentes, e tendo como padrinhos Ana Botafogo e Carlinhos de Jesus - a Companhia de Ballet do Rio de Janeiro (CBRJ) inicia seus trabalhos em parceria com a Escola de Dança Alice Arja (EDAA). Ambas instituições são dirigidas pela bailarina, professora e coreógrafa Alice Arja - representante Oficial do Miami City Ballet School, na América Latina, e responsável pela formação de uma geração de bailarinos que vem conquistando as plateias pelo território brasileiro e em festivais internacionais.

Uma excelente oportunidade de conhecer o trabalho da CIA, através da história de uma princesa capturada por um bruxo que a transforma em um belo cisne. Apenas o amor de um príncipe pode reverter o feitiço - “O Lago do Cisnes” – obra dividida em quatro atos, de autoria do compositor russo Tchaikovsky, em cartaz no Teatro Riachuelo Rio em curtíssima temporada. 


Circuito Geral - O Lago do Cisnes

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

It, A Coisa


Entrelinhas que sugerem a violência que nasce no coração do ser humano a partir de sua mais tenra idade

Ambos os filmes roteirizados com base no livro “IT”, de Stephen King, o conteúdo de “It – A Coisa” – dirigido por Andrés Muschietti e lançado no mercado cinematográfico como mero reboot de “IT - Uma Obra Prima do Medo”, de 1990, por Tommy Lee Wallace – pode surpreender ainda mais, caso Pennywise – cuja essência é extraída, ao extremo, por Bill Skarsgård, enquanto um ser sobrenatural – possa ser relegado, momentaneamente, a um segundo plano, dando vez a uma reflexão sobre as entrelinhas a serem identificadas ao longo da projeção. Entrelinhas que sugerem a violência que nasce no coração do ser humano a partir de sua mais tenra idade;  o despertar da tendência infantil à prática do bulling; a opressão infantil por parte da superproteção materna; a violência sexual infantil praticada pelos próprios pais; o sentimento de banalização da violência por parte dos adultos; a percepção da maldade pelo olhar infantil – o real terror presente na essência humana de mãos dadas com o fictício horror potencializado pelas imagens, sons e efeitos especiais promovidos pela tecnologia ao alcance da indústria cinematográfica.

O modo de combate à formação do mal no ser humano, ainda em sua fase infantil, é uma incógnita não desvendada voluntariamente, com ranço de desdém, pela assustadora direção de Muschietti, que rege a trama em torno de sete crianças excluídas dos núcleos sociais formados por indivíduos de mesma faixa etária, por questões exclusivas às suas individualidades, e que passam a enfrentara a "Coisa" – um ser sobrenatural, que assume a forma das figuras que lhes despertam os seus piores medos.

O carismático elenco infantil não dá chance para que o espectador perca a concentração diante das atrocidades também cometidas por adultos, que um dia, também já foram crianças e que, possivelmente, não superaram os obstáculos da vida promovidos pelo amadurecimento e pelo medo da morte, detalhados de forma a chocar o espectador nessa nova versão da obra de King para as telas de cinema.


Polícia Federal: A Lei é para Todos


Um thriller policial impactante por sua engenharia narrativa e estética, difícil de ser observada, nessa magnitude, em uma produção nacional

A dramatização dos bastidores da Operação Lava Jato – a partir do fato que deu início à maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil, até o episódio de condução coercitiva de um ex-presidente para depor na sede da Polícia Federal do aeroporto de Congonhas, em São Paulo – faz do filme “Polícia Federal: A Lei é para Todos”, um thriller policial impactante por sua engenharia narrativa e estética, difícil de ser observada, nessa magnitude, em uma produção nacional.

A elaborada direção de Marcelo Antunez inova, construindo a trama a partir de fatos da atualidade e deixa para trás, a distância histórica daquele presente momento, tão habitual em obras cinematográficas do gênero, a partir do roteiro semi documental, trabalhado a quatro mãos por Gustavo Lipsztein e Thomas Stavros, que transcreve a falácia da justiça ser aplicada somente através da pena privativa de liberdade. Enquanto isso, apresenta efeito colateral ao recuperar parte dos bilhões surrupiados por políticos que ainda reforçam suas ideologias criminais juntamente com empresários que, em nome da democracia embasada, muitas vezes pela justiça corrupta, delega ao povo consternado, frente à tela do cinema, o papel principal de uma história que tem sequência garantida após o término daquela projeção, ratificando o fato de que a lei é para todos – a justiça, porém, seletiva.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

"El Homosexual o la Dificultad de Expresarse" e “Eva Perón”– Teatro Cervantes / Buenos Aires


Definição das fortes camadas históricas flexionadas na atualidade

Avenida Córdoba, Buenos Aires, Argentina – noite de 5 de agosto de 2017 às 20:00. O Circuito Geral se faz presente à edificação em estilo Barroco Espanhol – inaugurada em 1921, batizada em homenagem ao emblemático romancista e dramaturgo espanhol Miguel de Cervantes, mesmo envolta por andaimes e telas fachadeiras de proteção de obra – que recebe em seu foyer uma legião de espectadores, ansiosos para assistirem a dois espetáculos distintos, porém sequenciais – “El Homosexual o la Dificultad de Expresarse” e “Eva Perón” – encenados na sala principal, com capacidade para 860 pessoas, que recebe o nome da atriz e empresária Maria Guerrero – a fundadora do Teatro Nacional Cervantes.

A primeira peça teatral conta a história de uma jovem e de sua progenitora – ambas exiladas na Sibéria, em uma localidade infestada por lobos – que vivem uma relação conflituosa a ponto de permitir o despertar de dúvidas pela mãe, sobre a sexualidade de sua filha que, por sua vez, faz parte de um triângulo compartilhado com uma professora de piano e por um coronel russo dotado de insípido apetite erótico. Assinado pelo argentino Raúl Damonte Botana, reconhecido no mundo da dramaturgia por Copi, o texto reflete sobre o real objetivo do sexo e sobre o que dele resta quando a máscara do pudor cai. A forte tinta dramática projeta as interpretações de Juan Gil Navarro, Rosario Varela, Hernán Franco, Carlos Defeo e Rodolfo De Souza como um brilhante transcendente filosófico que expõem o espectador às geleiras e aos rigores de um clima nada amistoso.

O hiato entre “El Homosexual o la Dificultad de Expresarse” e “Eva Perón” é preenchido pelo entreato de Gustavo Liza em uma homenagem a Copi, que também assina a autoria da segunda peça na qual o ícone pop da política argentina desponta diante dos olhares atentos dos espectadores, entre espelhos, vestidos, perucas, joias, foto em preto e branco, crise de enxaqueca, e sua a inevitável morte, através da brilhante e agonizante interpretação de Benjamín Vicuña – o homem que dá vida ao seu derradeiro dia. Dirigindo ambos os espetáculos com destra maestria, Marcial Di Fonzo lança mão de sua ideologia para a definição das fortes camadas históricas flexionadas na atualidade.


sábado, 2 de setembro de 2017

150 Miligramas


A densidade humanista e estranhamente universal

A impecável direção de Emmanuelle Bercot estrutura e cria um diferencial dentre as produções cinematográficas francesas, injetando uma atmosfera de suspense a “150 Miligramas”, filme que se baseia na história da pneumologista Irène Frachon, que insere o espectador na exaustiva rotina daquela médica, casada e mãe de quatro filhos que, a partir de 2009, compra a briga contra o poderoso laboratório farmacêutico Servier, responsável pela comercialização do Mediator –  e suspeito de causar, pelo menos, 1.350 óbitos dentre os consumidores daquele anorexígeno, cujo princípio ativo são exatos 150 miligramas de Benfluorex. O envolvente roteiro, assinado por Emmanuelle Bercot, Irène Frachon, Romain Compingt e Séverine Bosschem, descreve a desigualdade de forças em uma batalha entre ideologia contra um inescrupuloso jogo de interesses – de um lado, advogados contratados a peso de ouro juntamente com o escancarado lobby formado por membros da indústria farmacêutica e autoridades sanitárias; de outro, uma médica tomada por total convicção e persistência, apoiada pela sua família e pelos colegas do Centro Hospitalar Universitário, que assume o papel de uma adversária incansável.

A densidade humanista e estranhamente universal do filme “150 Miligramas”, atinge em cheio a complexidade do lado obscuro das relações comerciais junto à sociedade, traduzido em vítimas não contabilizadas e em outras que piedosamente se tornam meras estatística de vícios do capitalismo e da cumplicidade de erros médicos.