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sábado, 2 de setembro de 2017

150 Miligramas


A densidade humanista e estranhamente universal

A impecável direção de Emmanuelle Bercot estrutura e cria um diferencial dentre as produções cinematográficas francesas, injetando uma atmosfera de suspense a “150 Miligramas”, filme que se baseia na história da pneumologista Irène Frachon, que insere o espectador na exaustiva rotina daquela médica, casada e mãe de quatro filhos que, a partir de 2009, compra a briga contra o poderoso laboratório farmacêutico Servier, responsável pela comercialização do Mediator –  e suspeito de causar, pelo menos, 1.350 óbitos dentre os consumidores daquele anorexígeno, cujo princípio ativo são exatos 150 miligramas de Benfluorex. O envolvente roteiro, assinado por Emmanuelle Bercot, Irène Frachon, Romain Compingt e Séverine Bosschem, descreve a desigualdade de forças em uma batalha entre ideologia contra um inescrupuloso jogo de interesses – de um lado, advogados contratados a peso de ouro juntamente com o escancarado lobby formado por membros da indústria farmacêutica e autoridades sanitárias; de outro, uma médica tomada por total convicção e persistência, apoiada pela sua família e pelos colegas do Centro Hospitalar Universitário, que assume o papel de uma adversária incansável.

A densidade humanista e estranhamente universal do filme “150 Miligramas”, atinge em cheio a complexidade do lado obscuro das relações comerciais junto à sociedade, traduzido em vítimas não contabilizadas e em outras que piedosamente se tornam meras estatística de vícios do capitalismo e da cumplicidade de erros médicos.


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