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terça-feira, 5 de setembro de 2017

"El Homosexual o la Dificultad de Expresarse" e “Eva Perón”– Teatro Cervantes / Buenos Aires


Definição das fortes camadas históricas flexionadas na atualidade

Avenida Córdoba, Buenos Aires, Argentina – noite de 5 de agosto de 2017 às 20:00. O Circuito Geral se faz presente à edificação em estilo Barroco Espanhol – inaugurada em 1921, batizada em homenagem ao emblemático romancista e dramaturgo espanhol Miguel de Cervantes, mesmo envolta por andaimes e telas fachadeiras de proteção de obra – que recebe em seu foyer uma legião de espectadores, ansiosos para assistirem a dois espetáculos distintos, porém sequenciais – “El Homosexual o la Dificultad de Expresarse” e “Eva Perón” – encenados na sala principal, com capacidade para 860 pessoas, que recebe o nome da atriz e empresária Maria Guerrero – a fundadora do Teatro Nacional Cervantes.

A primeira peça teatral conta a história de uma jovem e de sua progenitora – ambas exiladas na Sibéria, em uma localidade infestada por lobos – que vivem uma relação conflituosa a ponto de permitir o despertar de dúvidas pela mãe, sobre a sexualidade de sua filha que, por sua vez, faz parte de um triângulo compartilhado com uma professora de piano e por um coronel russo dotado de insípido apetite erótico. Assinado pelo argentino Raúl Damonte Botana, reconhecido no mundo da dramaturgia por Copi, o texto reflete sobre o real objetivo do sexo e sobre o que dele resta quando a máscara do pudor cai. A forte tinta dramática projeta as interpretações de Juan Gil Navarro, Rosario Varela, Hernán Franco, Carlos Defeo e Rodolfo De Souza como um brilhante transcendente filosófico que expõem o espectador às geleiras e aos rigores de um clima nada amistoso.

O hiato entre “El Homosexual o la Dificultad de Expresarse” e “Eva Perón” é preenchido pelo entreato de Gustavo Liza em uma homenagem a Copi, que também assina a autoria da segunda peça na qual o ícone pop da política argentina desponta diante dos olhares atentos dos espectadores, entre espelhos, vestidos, perucas, joias, foto em preto e branco, crise de enxaqueca, e sua a inevitável morte, através da brilhante e agonizante interpretação de Benjamín Vicuña – o homem que dá vida ao seu derradeiro dia. Dirigindo ambos os espetáculos com destra maestria, Marcial Di Fonzo lança mão de sua ideologia para a definição das fortes camadas históricas flexionadas na atualidade.


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