Counter

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

It, A Coisa


Entrelinhas que sugerem a violência que nasce no coração do ser humano a partir de sua mais tenra idade

Ambos os filmes roteirizados com base no livro “IT”, de Stephen King, o conteúdo de “It – A Coisa” – dirigido por Andrés Muschietti e lançado no mercado cinematográfico como mero reboot de “IT - Uma Obra Prima do Medo”, de 1990, por Tommy Lee Wallace – pode surpreender ainda mais, caso Pennywise – cuja essência é extraída, ao extremo, por Bill Skarsgård, enquanto um ser sobrenatural – possa ser relegado, momentaneamente, a um segundo plano, dando vez a uma reflexão sobre as entrelinhas a serem identificadas ao longo da projeção. Entrelinhas que sugerem a violência que nasce no coração do ser humano a partir de sua mais tenra idade;  o despertar da tendência infantil à prática do bulling; a opressão infantil por parte da superproteção materna; a violência sexual infantil praticada pelos próprios pais; o sentimento de banalização da violência por parte dos adultos; a percepção da maldade pelo olhar infantil – o real terror presente na essência humana de mãos dadas com o fictício horror potencializado pelas imagens, sons e efeitos especiais promovidos pela tecnologia ao alcance da indústria cinematográfica.

O modo de combate à formação do mal no ser humano, ainda em sua fase infantil, é uma incógnita não desvendada voluntariamente, com ranço de desdém, pela assustadora direção de Muschietti, que rege a trama em torno de sete crianças excluídas dos núcleos sociais formados por indivíduos de mesma faixa etária, por questões exclusivas às suas individualidades, e que passam a enfrentara a "Coisa" – um ser sobrenatural, que assume a forma das figuras que lhes despertam os seus piores medos.

O carismático elenco infantil não dá chance para que o espectador perca a concentração diante das atrocidades também cometidas por adultos, que um dia, também já foram crianças e que, possivelmente, não superaram os obstáculos da vida promovidos pelo amadurecimento e pelo medo da morte, detalhados de forma a chocar o espectador nessa nova versão da obra de King para as telas de cinema.


Nenhum comentário:

Postar um comentário