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terça-feira, 19 de setembro de 2017

, mas de tal modo se aprende a viver com o que tanto falta


Jogo cênico como um aprofundamento da percepção sentimental

Relações humanas fragmentadas em diferentes histórias, contadas através do encontro entre duas mulheres. A luta para sobreviver a uma doença crônica que pode levar uma delas ao óbito é, delicadamente, abordada no espetáculo “, mas de tal modo se aprende a viver com o que tanto falta” – a última parte da trilogia que teve início com “Da Carta ao Pai – ou tudo aquilo que eu queria te dizer”, seguida de “Se eu fosse Sylvia P.” – todas idealizadas e escritas pela artista Alessandra Gelio, que também dirige e atua em “, mas de tal modo...”, dividindo o palco com a atriz Mônnica Emilio.

Mais uma vez, designer de luz e cenógrafo se vêm em condição simbiótica imposta pelo processo de concepção e de direção do espetáculo que apresenta um teatro arte, pessoal e intuitivo, onde predomina a sua visão que se opõe à simples observação da realidade por parte do espectador. Dessa forma expressionista, o desenho de luz de Renato Machado se funde à contundente e descontextualizada cenografia de Daniel Jesus, iluminando o mundo das personagens como filtros destorcidos da realidade ficcional, transformando a fantasia em dura realidade observadas através de persianas que controlam os olhares passivamente curiosos do espectador. O eficiente e objetivo figurino de Tiago Ribeiro integra-se ao lirismo presente jogo cênico como um aprofundamento da percepção sentimental das protagonistas. Em um plano adimensional, como instrumento auxiliar, tamanha a quantidade de elementos a serem percebidos pela plateia, a musicista Maria Clara Valle amplia o espectro construído pela energia e a paixão dos personagens através de uma harmoniosa e serena trilha sonora.

Consistentemente sedimentada, a trilogia que se fecha com “, mas de tal modo se aprende a viver com o que tanto falta” traduz a fragilidade humana com densa reflexão capaz de invocar sentimentos que despertam encanto na dor.


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