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sábado, 23 de setembro de 2017

O Inevitável Trem


Estimula o raciocínio analítico com base na coleta dos dados despejados pelo texto

Uma experiência sensorial de um homem que compartilha as suas lembranças com o espectador – a percepção direta pelo olfato em comum união com a sugestão de um paladar estimulado por eventual resgate de memória – define a atmosfera na qual se desenvolve o espetáculo “O Inevitável Trem”, durante o qual, Vitória – uma fotógrafa sonhadora e Jean Paul – um chef de cozinha, encarnados por Carla Nagel e Giueseppe Oristanio, respectivamente, demostram os meandros da ruptura conjugal em meio àquele que tenta salvar o relacionamento e, a outro, tem a certeza da chegada ao fim da linha.

Diante dos espectadores voluntários, enquanto se permitem testemunhar o último jantar que abre as portas das lembranças do desembarque de um dos passageiros na difícil trajetória da viagem de um relacionamento à dois, o menu composto por “Farfalle ao Pesto” e “Bruschettas” é preparado pelo chef, que seleciona, juntamente com a fotógrafa, alguns presentes na plateia para saírem da passividade que contemplam o set final daquela peleja e atuarem como degustadores da única coisa que lhes podem oferecer como alimento porém, incapaz de realimentar o que resta daquilo que, um dia, possa ter sido rotulado como paixão.


Compartilhada com os demais espectadores, a imersão na DR, induzida pela direção de Pedro Jones, estimula o raciocínio analítico com base na coleta dos dados despejados pelo texto, também de autoria do diretor, com o potencial de fazer com que a plateia resgate experiências pregressas, avaliem o que possam vivenciar no futuro e, até mesmo, confrontar os pós e os contras de se permitirem entregar a uma vida a dois – compartilhando e respeitando a substantiva individualidade de corpo e de alma, sem a fantasia desconectada da realidade que, como um cego, não sonha colorido e muito menos formata imagens no conteúdo de seus pesadelos.


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