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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Blade Runner 2049


O aprofundamento sobre o que nos torna diferentes das máquinas

Uma corajosa empreitada do cineasta Denis Villeneuve – dar continuidade a uma obra divisor de águas, idealizada por Ridley Scott em 1982. “Blade Runner 2049” é lançado em 2017 com surpreendente êxito ao replicar o brilho de “Blade Runner, O Caçador de Androides”. Villenuve consegue a façanha de capacitar e remixar os principais elementos que tornam a atual produção impecável – em um momento em que alguns reboots e sequencias contam com a falta de exigência intelectual do público – permitindo a entrada dos cinéfilos, amantes do clássico, na impecável atmosfera dos personagens e compreender a filosofia de seus enigmas.

Décadas após 2019, o mercado de androides é alimentado por uma profusão de replicantes muito mais avançados do que os produzidos pela falida Corporação Tyrell que, por sua vez, tem o seu espólio adquirido pela empresa de propriedade de Niander Wallace (Jared Leto), que crê no fim da raça humana e decreta que o futuro pertence aos seres criados pela bioengenharia. Em um outro cenário, os antigos modelos passam a ser uma ameaça à sociedade e são perseguidos por caçadores de recompensa afiliados à polícia, como K (Ryan Gosling) que, em umas de suas caçadas, “aposenta” uma unidade ultrapassada e se envolve em um mistério com potencial para dar início a uma grande revolução.

A ampliação do universo existencial de Scott – produtor executivo da atual obra dirigida por Villeneuve – muito se deve aos roteiristas Michael Green e Hampton Fancher que, com precisão conecta a essência das duas produções, respeitando a individualidade de cada uma e, ao mesmo tempo, exercendo a capacidade de fusão de ambas as obras em nome de um clássico que completa trinta e cinco anos de existência.

Reside, em “Blade Runner 2049”, o aprofundamento sobre o que nos torna diferentes das máquinas – memórias, sentimentos, sacrifícios, fragilidades, capacidade de perpetuação da espécie e capacidade de renovação ao longo da vida.


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