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sábado, 7 de outubro de 2017

Ghost – O Musical


Flerta com os temas universais como amor, traição, inveja, ciúmes e superação fazendo com que os essenciais efeitos especiais passem a ser meros coadjuvantes da dinâmica interna dos diálogos e da força que move os personagens

Um homem e uma mulher apaixonados, ao voltarem para casa após uma sessão de teatro, são vítimas de uma tentativa de assalto. O homem reage, dá início a um embate corporal com o assaltante e é atingido por um tiro fatal.  De imediato, sua alma se desliga do corpo físico e, mesmo após tomar ciência de que não mais pertence a este plano, renitente, permanece junto à sua amada – momentos iniciais e combustível para o desenrolar do roteiro de “Ghost – O Musical”.

O homem é Sam Wheat, docemente interpretado pelo ator André Loddi; a mulher, é Molly Jensen, motivação da atriz Giulia Nadruz. Juntos, o casal emociona os espectadores em uma empreitada de cento e cinquenta minutos de duração da produção que leva para os palcos o clássico filme de 1990, “Ghost – Do Outro Lado da Vida”.

O singelo toque de espiritualidade encrustada na história não tem cunho religioso tampouco apela para crenças de qualquer sorte, definindo o texto de Bruce Joel Rubin como focado somente na força do amor entre duas pessoas. Contrapondo, o mal se faz presente na pele do assassino de Sam, Willie Lopez – “possuído” pelo ator Philipe Azevedo, enquanto que, a personificação da ambição fica por conta do amigo do casal e colega de trabalho de Sam, Carl Bruner – surpreendentemente bem conduzido por Igor Miranda. A esperança no ser humano é fidelizada pela caricata Ludmillah Anjos a partir da sua “Incorporação” no papel de Oda Mae Brown – uma charlatã que se passa como vidente para ganhar seu sustento, mas que, de fato possui aptidões mediúnicas que a capacitam ser a única pessoa com quem Sam descobre conseguir se comunicar em sua nova dimensão. Apesar das canções serem cantadas segundo suas versões em português por Ricardo Marques, a produção mantém a clássica música “Unchained Melody” de Hy Zaret e Alex North imortalizada pela dupla “The Righteous Brothers”, em sua versão original.

A híbrida direção de José Possi Neto flerta com os temas universais como amor, traição, inveja, ciúmes e superação fazendo com que os essenciais efeitos especiais passem a ser meros coadjuvantes da dinâmica interna dos diálogos e da força que move os personagens. A cenografia tecnológica de Renato Theobaldo é intensa e fluida com paredes gigantes de LEDs que colabora na construção do entendimento da história, mas que não surpreende, apesar de sua complexidade. O figurino funcional de Miko Hashimoto caracteriza e marca os personagens projetando-os nas cenas musicais. O substancial visagismo de Simone Momo apresenta variações de estilos e injeta vida no básico. O ritmado desenho de som de Gabriel D’Ângelo desintegra o lugar e o tempo que a história se passa acompanhando a imersão do desenho de luz de Paul Miller que coloca magia nos altos e baixos da narrativa da história. O transitório desenho de projeção e vídeo de Zachary Borovay enfatiza a proposta quase cinematográfica nas projeções.

Ao retratar o amor, a fé e a esperança “Ghost – O Musical” soa como clichê. Mas em um mundo contemporâneo onde as relações se limitam, cada vez mais, às redes sociais, o roteiro de Bruce Joel Rubin acena para a única certeza proferida pelo protagonista quando de sua apoteótica saída de cena, ao final do espetáculo – “o amor verdadeiro, levamos conosco”.


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