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domingo, 29 de outubro de 2017

O Formidável


Ingênuo, hipócrita e ultrapassado, mas sempre genial

A “Nouvelle Vague” – movimento do cinema francês que influenciou a sétima arte no mundo todo na década de 1960 – teve como seu exponente o cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard, marcado pela sua polêmica produção cinematográfica vanguardista, flexionada nos impasses e indefinições que marcaram o século XX.

Assumindo aquele molde, o longa-metragem “O Formidável” retrata o militante anarquista de centrismo, sob a notável direção Michel Hazanavicius, dando liga à biografia amorosa do cineasta, a partir do seu envolvimento amoroso com Anne Wiazemsky – uma jovem atriz, vinte anos mais nova que o protagonista – quando da  produção de “A Chinesa”, estrelado por Wiazemsky, por sua vez, vivida por Stacy Martin. Hazanavicius projeta na tela a perspectiva da jovem Anne que desmascara o íntimo do homem Godard, expondo a eclosão de comportamentos latentes, tais como crueldade, egoísmo e prepotência, que impregnaram o relacionamento com fragilidade e desprezo – mas sem afetar o mito vivo. Louis Garrel digere a direção de Hazanavicius e esmiúça Godard com sua interpretação potencializada diante da fama que atropela o controverso cineasta.

A desmistificação do complexo mito e o processo de desilusão do cinema defendido por Godard, com requintes de arrogância, fazem de “O Formidável”, um grande divisor de águas onde o cinema pode ser definido como arte de entretenimento ou diversão segundo formato político – ingênuo, hipócrita e ultrapassado, mas sempre genial.


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