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sábado, 14 de outubro de 2017

O Rio não é Hollywood


Simbólica realidade de quem busca apenas viver da arte

O otimizado ponto de partida do espetáculo “O Rio Não é Hollywood” – o conceitual estado de felicidade almejado por todos, tendo como objetivo, a valorização das atividades humanas.

Bruna Fachetti é autora, produtora e atriz do monólogo, que não se contenta em apenas estabelecer uma sinergia entre personagem e espectador, mas expõe o desejo de uma mulher que sonha com sua performance como atriz nos palcos cariocas. Para isso, deixa sua terra natal – Blumenau - SC, sua família, seus amigos e a sensação de segurança que seu mundo lhe proporcionava – tudo por amor pelo ofício da arte do teatro.

A expressão da busca por momentos felizes é dirigida, de maneira motivadora, por Mauro Eduardo, que transforma a caminhada traçada por Fachetti em uma simbólica realidade de quem busca apenas viver da arte, complementada pela sensível direção de movimento de Clarice Silva e Paulo Denizot, que estende a ideia afirmada pela protagonista, sem criar estereótipo ou caricatura de alguém que deseja, a qualquer custo, o seu quinhão de felicidade momentânea. A sensibilidade natural do espetáculo é também delimitada pela direção musical de Marlon Yuri – elemento humano integrante do cenário, dedilhando um violão – que evidencia a meta desejada da personagem, focada em seu sonho – do Rio de Janeiro a Hollywood, embalada pela trilha sonora, também assinada por Mauro Eduardo, que atua como um alívio para a personagem em seus momentos de decepção. O dramático desenho de luz de Paulo Denizot enfatiza os momentos de sobrevivência da heroína, através de suas expressões faciais enquanto alegre, surpresa, empolgada, triste, deslumbrada, envergonhada... Fachetti assume o figurino de E. Antoine que define a razão do impulso dos sentidos expressados pela aparente ingenuidade e inocência da personagem de Fachetti.

A moral da história da ainda quase embrionária vida artística da protagonista brasileira, visando ao alcance da felicidade crônica na Cidade que ainda carrega o título de Maravilhosa, delega a aquele sentimento, a dependência de questões e resoluções conjuntas que estão fora do alcance de nossas mãos, demandando a necessária persistência na busca dos sonhos, mesmo nos momentos improváveis de sejam realizados – afinal, “O Rio não é Hollywood”.


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