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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Siri


Um status de ineditismo pela forma que o roteiro desenvolve, de forma lógica e crível, o surgimento inesperado de uma interação intelecto emocional entre ser humano e máquina

A singela – porém, densa ao extremo – mensagem contida no espetáculo “Siri” confronta ser humano e tecnologia e os expõem diante de uma plateia heterogênea em meio a uma experiência inovadora, a partir da qual uma mulher e um aplicativo – desenvolvido para assumir o papel de assistente pessoal a partir de um smartphone fabricado pela Apple Inc. – travam um diálogo surpreendente, tangenciando os limites do pensamento filosófico. O texto complexo e, ao mesmo tempo, despretensioso, assinado por Maxime Carbonneau, Laurence Dauphinais e pelo, porque não dizer, improviso da própria Siri acena para a humanização da tecnologia, conforme desenhado no palco, o auto aprendizado da assistente pessoal cuja inteligência é alimentada de forma crescente exponencial, através dos seus contatos com os seres humanos. A cerebral direção de Maxime Carbonneau aborda a psique humana sob o impacto de contundentes tons melancólicos. A atmosfera criada pela interpretação de Laurence Dauphinais expõe o seu mundo a uma plateia de estranhos e revela ao espectador o estado de espírito desenvolvido por Siri, a despeito do fato da assistente não ser humana. O universo virtual da tela do smartphone interage com a cenografia e o introvertido figurino de Geneviève Lizotte. O sutil desenho de luz de Julie Basse interage com as personagens de forma dramática e permite a todos os espectadores um encontro com seus confusos sentimentos de alegria, frustração, dor e prazer, no âmbito cibernético.

A meritocracia reserva para “Siri” um status de ineditismo pela forma que o roteiro desenvolve, de forma lógica e crível, o surgimento inesperado de uma interação intelecto emocional entre ser humano e máquina, sem a necessidade de um contato corpo a corpo ou de qualquer alusão a um possível formato humano da assistente virtual – o que possivelmente poderia transformar o potencial da verdade em fatos fictícios secundários.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O Jornal – The Rolling Stone


Um alerta contra a opressão provocada pelos tempos sombrios que o mundo atravessa

O retrato aprofundado de uma família em um país onde a pobreza, a violência e a corrupção engessam uma acentuada desigualdade social, preservada pelo totalitarismo religioso, contaminado por forte desvio comportamental respaldado nos preceitos da fé Cristã. Breve descrição do conteúdo do espetáculo “O Jornal – The Rolling Stone”, nome dado ao periódico de 2010, circulante em Kampala, capital de Uganda, responsável pela publicação de nomes, endereços e fotos de pessoas tidas como homossexuais, fazendo valer as palavras da Bíblia Sagrada, mesmo que, em função dessa invasão de privacidade, aqueles considerados anormais pelos tementes a Deus, fossem levados ao extermínio. A alta voltagem do texto do jovem dramaturgo inglês, Chris Urch, serve como refutação aos acordos políticos ugandenses que proclama ser “um mau hábito” a orientação sexual diferente da conduta hétero.

A tradução do texto de Urch por Diego Teza acentua os olhares para os perseguidores preconceituosos que rotulam o indivíduo de orientação homoafetiva sob o codinome “Kuchu”. A essência denunciante do argumento de “O Jornal – The Rolling Stone” surpreende e estremece as bases da intolerância, em se tratando de um drama protagonizado por um núcleo cuja etnia tem sido alvo de discriminação e de preconceito ao longo da história. A produção ganha vulto em função da química resultante da direção de Kiko Mascarenhas associada à co-direção de Lázaro Ramos que lapidam todos os aspectos técnicos do espetáculo, perceptíveis a olhos nus, pelos mais exigentes espectadores e lhes empurram, goela abaixo, o drama moralmente complexo que vai além das reportagens do famigerado jornal. A atmosfera da sala de espetáculo, impregnada pela cultura afro, dá as boas-vindas ao público, através de um mágico ritual que se estende ao longo do espetáculo, composto pela aprofundada direção de movimento de José Carlos Arandiba – que enfatiza os paralelos do relacionamento entre a família e a sociedade, transformando-os em uma verdadeira caça às bruxas. A forte simbiose estruturada na concepção do desenho de luz de Paulo Cesar Medeiros e na alusiva cenografia de Mauro Vicente Ferreira é materializada através de uma cenografia lumínica de cunho simbólico religioso que parte de uma mandala fisicamente definida pelo pó do qual todos vieram e ao qual todos voltarão, e pela marcante presença de pontos iluminados equidistantes em seu perímetro, como se alusivos ao Decálogo. Marcantes, a ascensora trilha sonora de Wladimir Pinheiro rastreada pelo genuíno groove africano, e o figurino étnico maculado pela cultura exótica concebido por Tereza Nabuco, demonstram o dilema crescente e trágico dos personagens diante do medo, externado pelo silêncio, pelo ódio, pela angústia e pelo inferno compartilhado com toda a plateia.

A humanização da produção fica sob a responsabilidade da doação de corpos e de almas do elenco composto por Danilo Ferreira, Heloisa Jorge, Indira Nascimento, André Luiz Miranda, Marcella Gobatti e Marcos Guian, como se transfigurados para uma dimensão cuja origem pertence a seus ancestrais primordiais. Impacto e saciedade por um grito contido na garganta das minorias é a promessa de “O Jornal – The Rolling Stone” a todos os espectadores que se permitem mergulhar no ciclo vicioso entre agentes e vítimas do preconceito e da intolerância presente em toda a sorte de núcleos, sejam eles sociais, políticos ou religiosos, como um alerta contra a opressão provocada pelos tempos sombrios que o mundo atravessa.




domingo, 19 de novembro de 2017

E o Mar já não Existe


Sob o manto da incerteza geográfica e histórico-temporal

Um espetáculo sob o manto da incerteza geográfica e histórico-temporal, livremente inspirado no livro "Um Homem: Klaus Klump" – de autoria do escritor e professor universitário português Gonçalo M. Tavares – "E o Mar já não Existe" expõe a violência e o caos institucionalizados pela subversão oculta à qual são expostas as protagonistas da história. A invulnerabilidade dos abusos machistas praticados por guerreiros que parecem respaldar as atrocidades cometidas em tempos, não só de guerra, sem qualquer expectativa de serem erradicadas. Os porquês, os desígnios, até mesmo o idioma, também se somam a exercícios pantomímicos como se a incógnita se fizesse presente como mais um personagem anulado por uma governança maior.

O tom “universal” graduado pelo texto e pela direção de Pv Israel evidencia uma guerra em que todos, inclusive o espectador, são cúmplices, mesmo cientes da ficção contida no espetáculo, que aborda uma nação sem título, mas longe de ser obviamente fictícia. O talentoso elenco responsável pela exposição da violência sugerida, composto por Ana Pinto, Hugo Grativol e Jacyara de Carvalho, veste o transfigurador figurino de Maria Hermeto e Herika Reis que os adapta à frieza das circunstâncias, revelando o limiar extremista que o ser humano consegue atingir, segundo o seu egoísmo instintivo de sobrevivência e animalidade social. O pictórico e docemente fatídico visagismo de Vanessa Andrea assume seu papel como parte integrante do ambiente cruel e brutal diante da angustiante face de si próprio. Minimalista e ríspida, a concepção cenográfica da Cia Bagagem Ilimitada abrange 360º da boca de cena do palco configurado para o formato arena, da Casa de Cultura Laura Alvim, deixa a plateia à beira de um mar de sangue ao desnudar os olhos curiosos do espectador com a iluminação e trilha sonora de Pv.

Compreenda-se assim, que a provocação causada pelo choque estético político que rompe o pensamento hegemônico tenta deletar os rastros das barbáries empreendidas em nome de uma ordem e de um progresso – "E o Mar já não Existe" deixa na praia a memória do sofrimento acumulado.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CASACOR 2017 Rio de Janeiro


O AQWA Corporate está estrategicamente localizado na Via Binário do Porto, com excelentes ligações de transportes públicos através do novo VLT e também pelo BRT. Para quem preferir ir de carro, o edifício dispõe de 400 vagas de garagem.



As arquitetas criam para um jovem casal da Geração Y um estúdio descontraído, com tons que vão do cinza ao rosa. Uma das principais estratégias do projeto é abrir mão de alvenaria para dividir os ambientes, sem comprometer a privacidade do casal.


Num primeiro momento, o lounge de 56 m² tem teto rebaixado e é mobiliado com uma grande bancada, banquetas Girafa de Lina Bo Bardi e, nas duas paredes laterais, estantes cheias de livros e artefatos curiosos coletados em viagens pela pessoa que habita aquele espaço. Sobre a bancada, livros antigos, mapas e manuscritos.

Em seguida, surge o pé-direito alto do prédio. Nesse espaço, há um sofá central em L − grande e sem encosto − e uma luneta. A ideia é que os visitantes possam usufruir da vista, explorar a cidade. Para Patrícia, seu lounge é um lugar de acúmulo de memórias.


Uma ilha no alto de um prédio com privilegiada vista do Rio de Janeiro. Uma vida com menos pressa e mais equilíbrio, menos consumo e mais experiências.


O estúdio de um empresário paulista, que vive na ponte aérea e aprecia arte e música. Em tons de cinza e preto, com elementos verdes e rosas, a dupla criou um ambiente urbano e cosmopolita, com espaços integrados e extremamente funcionais.


Cristina inspirou-se no maquiador, fotógrafo e empresário Fernando Torquatto e criou um projeto aberto e integrado, com ambientes para conviver e fazer várias atividades ao mesmo tempo.


Um conjunto de estímulos sensoriais que tornam a experiência do visitante memorável. Esse é a proposta de Paola Ribeiro, que trabalha com imagens, sons, cheiros e toques marcantes em seu projeto. Logo na entrada, no lounge do SPA, topings de acrílico expõem os metais da Deca como se fossem joias, com iluminação cênica de Maneco Quinderé. Alguns destes metais estão submersos em água.


Os profissionais globalizados, que moram em vários lugares do mundo ao mesmo tempo, foram a inspiração para o projeto do coletivo, que criou um loft com espaços integrados, uso compartilhado de funções e design versátil e adaptável para qualquer lugar e tamanho de espaço no mundo.


Inspiradas num personagem do livro “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, Paula Wetzel e Camila Simbalista criaram um refúgio onde o morador trabalha, relaxa, recebe amigos e reúne seus objetos pessoais mais estimados. Na história, o bon vivant tio Adolphe, apreciador da arte, de vida social intensa, decide, em busca de privacidade e para evitar atritos com a numerosa família, constrói para si um espaço na casa principal, que o autor chama de "gabinete de repouso".


Um espaço mutante, que pode variar de acordo com o humor de seu habitante, um escritor de literatura fantástica. Assim, o projeto do estúdio, com quarto, living, cozinha e banheiro integrados, permite a liberdade criativa, começando pelo sofá modulado, o agente primordial para a mudança do espaço.


Inspirada nas empresas atuais, que cada vez mais se preocupam com o bem-estar dos profissionais, criando ambientes confortáveis e que estimulem a produtividade e a interação, surge a proposta do Network Living. O piso de concreto e as tubulações aparentes são mantidas: além de ser um conceito industrial, o projeto foca no essencial − o conforto proporcionado pelo mobiliário.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

CASACOR 2017 Rio de Janeiro


Na cobertura do edifício, no 21º andar, a 85 metros de altura, o público se depara com uma vista 360º para todo o patrimônio natural e urbano que a região oferece à cidade, e pode vivenciar experiências em uma área ocupada por sete lofts (69 a 99m²), quatro estúdios (51 a 62m²), seis espaços de convivência com diferentes conceitos e uma cozinha gourmet. Uma sala multimídia e uma sala de reuniões são os espaços destinados a palestras, workshops e bate-papos. Os projetos aproveitarão as características do pavimento, que possui pé-direito amplo, com estilo penthouse. As duas extremidades são ocupadas por um SPA, de um lado, e por um bar de drinques e um observatório, do outro.


O loft tem sala integrada com cozinha, quarto e banheiro com duas portas (uma para o quarto e outra para a sala), mas os ambientes podem ser isolados por um sistema de divisórias deslizantes com estética minimalista, de aço com vidro reflexivo, que privilegia a passagem da luz.


Em 64 m², o espaço é minimalista e tem decoração contemporânea, com cores claras e tecnologia de ponta. Todo o ambiente foi revestido em painéis com acabamentos em laca metalizada e amadeirado, desenvolvidos pela estilista Glória Coelho com exclusividade para Dell Anno, unindo a arquitetura e a moda com o conceito de "vestir a casa".


Um espaço conceitual que tem como proposta mexer com as sensações, aliando cinema e arte. O projeto de Bianca e Jacira foi concebido em duas partes – a primeira consiste em uma caixa de concreto que cumpre a função de uma galeria de arte e que dá acesso ao interior da segundo ambiente: um lounge com pé-direito alto, com ambientes de estar independentes e telões que interagem com o espectador.


Um apartamento criado para ser um apoio para um empresário de fora que trabalha no AQWA e que, quando estiver no Rio, vai morar no Lumina, empreendimento residencial vizinho.


Um loft projetado para um casal. Dois homens? Duas mulheres? Um homem e uma mulher? O Studio Ro+Ca quebra tabus na CASACOR Rio 2017 com o projeto para o casal U, de “Undefined”. Um espaço livre, sem sexo, sem rótulos!


Um pórtico de metal bruto marca o centro do espaço com cinco totens onde são exibidas as joias. Ao redor dele, estão quatro lounges com sofás arredondados em veludo, poltronas e banquetas ovais.  Tudo fluido, leve, mas marcante. O tom azul tiffany vem em um painel que rasga uma das paredes. O teto mostra vigas e tubulações aparentes − o industrial contracenando com o requinte do veludo e do mármore e metais polidos das mesas, um “high-low” que aproxima as pessoas das peças.


A arquiteta tira partido da luz, ora natural, ora artificial, através do efeito de backlights atrás de painéis de treliça dourada e preta que ficam atrás da cama, proporcionando um efeito natural e muito agradável.


A narrativa acontece no diálogo entre o passado e o presente e é traduzido na escolha de peças de antiquário, carregadas de histórias, combinado com móveis brasileiros contemporâneos assinados por José Zanine Caldas, Zanini de Zanine e Hugo França, que sintetizam em suas criações o valor pelo “feito à mão”.


Duas divertidas esculturas de Patrícia Secco prometem ganhar a atenção da clientela. Uma delas é um homem de arame, em tamanho natural, de pé, no bar, tomando um drinque. A outra é um balde que despeja gelo, também de arame, sobre um dos lounges.

Dois jardins verticais, com plantas desidratas, criados por Simone Granjeiro conversam com a paisagem do Rio de Janeiro. Tudo isso valorizado pelo projeto de iluminação elegante de Fernanda Vasconcellos. O Sky Line Bar será operado pela Cooking Buffet, de Adriana Mattar e Ana Cecília Gros.


Um espaço confortável para receber amigos, festejar e ficar de bem com a cidade, contemplando a vista mais bonita de todas. Criado a quatro mãos por amigos que têm estilos de projetar bem definidos, o Espaço CoLab, com 90 m², é pensado como o living de uma residência.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

CASACOR 2017 Rio de Janeiro


Três escadas rolantes darão acesso ao Lobby. Neste espaço, os visitantes vão encontrar o restaurante, um bar de vinhos, um café, uma livraria e mais algumas lojas.


"A partir do trabalho que fiz para o Museu do Amanhã − desenho de mobiliário e interiores de vários espaços − criei um elo com a Região Portuária e passei a ter um olhar amplo sobre esta área da cidade", diz o arquiteto.


O ambiente tem duas zonas de espera divididas pela área do balcão da recepção: a primeira área fica logo na entrada e a segunda, próxima ao restaurante, servindo de local de espera no horário de pique.


Um antigo retrato de 3,10 m x 2,60 m, do Conselheiro Mayrinck, maior empreendedor brasileiro do fim do século XIX, com negócios nas mais diversas áreas  − dentre elas, bancos, companhias de estrada de ferro, navegação, indústrias, estaleiros e docas − foi o ponto de partida do projeto do Restaurante.


O espaço de 88 m² oferece diferentes tipos de propostas: cadeiras Casulo, que tem laterais altas, para quem quer curtir um vinho sozinho, pequenos lounges para confraternizações de amigos, banquetas de bar, pufes soltos de cores e alturas diferentes.


A galeria foi desenvolvida para o lançamento da linha Gus, da grife Arnaldo Gonçalves e permite à marca fazer pequenos eventos internos ou grandes eventos, integrados ao Wine Bar, que fica bem ao lado, com apenas uma parede de vidro entre os ambientes. Assim, a dupla criou um espaçoso living, com área de exposição dos produtos e de fechamento de negócios e cercado pelos óculos do designer brasileiro Gustavo Gonçalves.


O layout foi pensado para que o contato com o livro aconteça de forma espontânea: pegar um título e folhear, dialogando com o ambiente, seja num sofá, em poltronas, na mesa ou até mesmo de uma forma mais despojada, num banco.


Um projeto pensado para ser simples, sem ser simplório; leve, sem concorrer com a beleza das flores, e com um toque de sofisticação, que o AQWA Corporate exige.


A loja expõe os produtos orgânicos de fabricação do SPA, em grandes nichos de madeira com iluminação bem dramática, num ambiente com predomínio de tons claros no contraste com a madeira no piso e nos móveis e com tons de cinza claro nas paredes e no piso.


Para tornar o espaço divertido e com personalidade, Thais usa peças de maneira inusitada, como os quadros criados com talheres e as peças antigas com frases gravadas.



O tom que reina no espaço é o pink millennial, um tom de nude rosado, que compõe com delicadeza a paleta de cores permeada ainda pelo branco e bronze, com toques de preto.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

CASACOR 2017 - Rio de Janeiro


A área de entretenimento, fica no térreo que, atendendo ao planejamento urbanístico do Porto, convida e estimula a convivência entre as pessoas - pela primeira vez, é totalmente aberta ao público, independentemente de o visitante ter adquirido um ingresso da CASACOR Rio ou não.


Uma escultura de madeira cortada a laser em formato de painéis pivotantes marca a entrada e faz a setorização: de um lado, mercearia, com venda de produtos alimentícios e área para lanches, e, do outro, pizzaria. O cardápio será assinado pela Deli Delícia.


Um ambiente despojado, com cara de hotel, onde os visitantes podem tomar drinques, curtir shows e usufruir de um terraço com vários tipos de lazer: bate-papo, hidro, piscina, balanço etc. O foco do projeto, com 340m² de área externa e 80m² de área interna, está na pureza dos formas – sem ser simplista.


É na brincadeira que as crianças exercitam sua imaginação, fazem descobertas, criam. Por que os adultos param de brincar? Esse é o mote do projeto da Casa de Brincar da Oba! Arquitetura, que completa 10 anos e lança, na CASACOR Rio 2017, uma nova coleção de casinhas interativas.


domingo, 12 de novembro de 2017

CASACOR 2017 - Rio de Janeiro


A CASACOR ocupa o 9º andar do AQWA Corporate com uma proposta, criada pela RAF Arquitetura, voltada às empresas. Há três exposições nesse andar. A primeira, com tecnologia da superuber (empresa que assina, por exemplo, a tecnologia do Museu do Amanhã), é uma projeção em sala escura sobre o impacto da revitalização do Porto Maravilha para o Rio de Janeiro.

A segunda é a apresentação de um ambiente corporativo, com 400 m², pronto para ser ocupado por uma empresa. O espaço inclui mesas de trabalho, com mobiliário da empresa suíça Vitra, referência mundial em design de mobiliário, sala de reuniões e café. Trata-se de um ensaio de como um escritório pode ser montado com o conceito design&build que a RAF apresentará em parceria com a Lock Engenharia para as futuras empresas AQWA.

Por último, numa área de quase mil metros quadrados, a RAF criou três espaços corporativos − para uma companhia de óleo e gás, um escritório de advocacia e uma empresa de coworking − que só podem ser vistos através da realidade virtual. Isso significa que eles estão vazios, ou quase: numa brincadeira, os arquitetos dispuseram algumas peças de mobiliário soltas pelo espaço. Ao colocar os óculos 3D, o visitante vai enxergar as propostas dos ambientes corporativos e as peças ambientadas. 


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Vidas Secas


Dispensa adjetivações desnecessárias, bastando o devido respeito ao estilo do autor e a degustação da temática cuja sede parece longe de ser saciada


“Vidas Secas” – consagrada obra literária de autoria do romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista carioca, Graciliano Ramos, prestes a completar oitenta anos desde a sua publicação em 1938 – é traduzida para os palcos teatrais com o auxílio de bonecos, máscaras e com total ausência de palavras – adaptação essa cuja proposta se concentra no diálogo entre a memória cultural do público e os sentimentos provocados pela encenação. Nessa empreitada, a companhia ítalo-brasileira Caravan Maschera – representada pela italiana Giorgia Goldoni e pelo paulista Leonardo Garcia Gonçalves – busca inspiração para a criação dos bonecos que elencam os oito personagens eleitos para encenarem o clássico romance de Graciliano Ramos, nas obras do artista plástico Cândido Portinari e do fotógrafo Sebastião Salgado. Também responsáveis por darem vida aos bonecos no palco, a dupla narra a história da família de retirantes nordestinos em sua constante luta pela sobrevivência, que assumem, obrigatoriamente, o papel de nômades em busca de regiões menos castigadas pela seca.

As imagens de beleza incomum e de efeito impactante convidam a plateia para se entregarem às sensações de angústia diante da esperança presente no cotidiano do povo sertanejo – a despeito da sua localização geográfica e da temporalidade dos acontecimentos. A relação simbiótica entre atores, bonecos e personagens definida pela orgânica direção da dupla Goldoni e Gonçalves define um paralelismo entre gestual, emissão de sons e características físico-sociais, inserindo o espectador na construção pessoal de diálogos inexistentes e do psicológico angustiante da sofrida família. O lastro metafórico contido na cenografia de Goldoni define o desejo de se ter um lugar para se viver presente nas entranhas dos representantes de uma horda de sertanejos ainda muito identificados na realidade brasileira. A falta de perspectiva de um futuro promissor é ressaltada pelo rústico figurino expurgado por Adelfa Bergonzini. Os nômades estruturados simbolicamente pelos bonecos de Fernanda Paredes e Goldoni impressiona por sua delicadeza e suas expressões realísticas ao se depararem com a seca, a miséria e injustiças sociais que transitam de geração em geração sem qualquer solução. A onisciência presente no desenho de luz assinado por Daiane Baumgartner transmite a presença de um narrador externo sob o ponto de vista de cada espectador ao capturar a dramaticidade de cada facho lumínico, relacionando-os às cenas sequenciais de aridez física e espiritual.  A pungente musicalidade de Luiz Maria e Garcia soa como discurso indireto que rege a pantomima contemplando fortes olhares e expressões faciais cuja estaticidade é compensada pela mágica direção de movimento.


A aridez voluntária presente no espetáculo “Vidas Secas” dispensa adjetivações desnecessárias, bastando o devido respeito ao estilo do autor e a degustação da temática cuja sede parece longe de ser saciada e de ser transformada em uma lenda com final feliz.


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Historietas Assombradas - O Filme


Tom bizarro e peculiar aos personagens que intencionam provocar um delicioso “medinho” nas crianças já familiarizadas à série da TV

“Historietas Assombradas”, a série animada infantil do canal Cartoon Network, ganha o seu primeiro longa e conta a história de Pepe – um menino que, ainda bebê, fora deixado por seus pais na porta da casa de uma velha bruxa, para que escapasse de um ritual macabro. Com onze anos de idade, Pepe está sempre armando confusões ou causando problemas para a bruxa, a quem passou tratá-la de “Vó”.

A suave e generosa direção de Victor-Hugo Borges diverte o público infantil e adulto, ao criar um universo com seres não convencionais e explorar a diversificação familiar.  Borges define um tom bizarro e peculiar aos personagens que intencionam provocar um delicioso “medinho” nas crianças já familiarizadas à série da TV, e oferecem aos adultos uma animação repleta de conceitos morais em suas entrelinhas, cujos traços amadurecidos lhes garantem personalidade própria cromatizada por uma paleta de cores intensas e dotada de uma sonorização à altura da proposta de “Historietas Assombradas” – uma diversão para toda a família.