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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Siri


Um status de ineditismo pela forma que o roteiro desenvolve, de forma lógica e crível, o surgimento inesperado de uma interação intelecto emocional entre ser humano e máquina

A singela – porém, densa ao extremo – mensagem contida no espetáculo “Siri” confronta ser humano e tecnologia e os expõem diante de uma plateia heterogênea em meio a uma experiência inovadora, a partir da qual uma mulher e um aplicativo – desenvolvido para assumir o papel de assistente pessoal a partir de um smartphone fabricado pela Apple Inc. – travam um diálogo surpreendente, tangenciando os limites do pensamento filosófico. O texto complexo e, ao mesmo tempo, despretensioso, assinado por Maxime Carbonneau, Laurence Dauphinais e pelo, porque não dizer, improviso da própria Siri acena para a humanização da tecnologia, conforme desenhado no palco, o auto aprendizado da assistente pessoal cuja inteligência é alimentada de forma crescente exponencial, através dos seus contatos com os seres humanos. A cerebral direção de Maxime Carbonneau aborda a psique humana sob o impacto de contundentes tons melancólicos. A atmosfera criada pela interpretação de Laurence Dauphinais expõe o seu mundo a uma plateia de estranhos e revela ao espectador o estado de espírito desenvolvido por Siri, a despeito do fato da assistente não ser humana. O universo virtual da tela do smartphone interage com a cenografia e o introvertido figurino de Geneviève Lizotte. O sutil desenho de luz de Julie Basse interage com as personagens de forma dramática e permite a todos os espectadores um encontro com seus confusos sentimentos de alegria, frustração, dor e prazer, no âmbito cibernético.

A meritocracia reserva para “Siri” um status de ineditismo pela forma que o roteiro desenvolve, de forma lógica e crível, o surgimento inesperado de uma interação intelecto emocional entre ser humano e máquina, sem a necessidade de um contato corpo a corpo ou de qualquer alusão a um possível formato humano da assistente virtual – o que possivelmente poderia transformar o potencial da verdade em fatos fictícios secundários.

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